Não lembro exatamente o ano, nem o dia, mas recordo que era uma tarde chuvosa, talvez num fim de semana. Eu devia ter uns 10 anos. Meu pai, Manoel, resolvera me levar ao Estádio Olímpico do Grêmio. Se não me engano, era um jogo pelo Campeonato Brasileiro, contra a Portuguesa. Também não tenho certeza se foi a minha primeira visita ao famoso estádio, todavia foi certamente a que mais me marcou.
Ensopados pela chuva, sentamos no concreto frio da arquibancada inferior. O jogo já havia começado e estava “quente”. Não sei se pela minha idade, se pelo fato de estar ao lado do meu amado pai, se pela chuva que caía sem dó e ecoava pelo estádio, assim como a torcida gremista, havia algo mágico naquele momento. Parecia um sonho bom, daqueles que temos quando crianças.
O “monumental” não estava lotado, porém os torcedores que se abrigavam da chuva sob as arquibancadas cantavam como milhões. Naquela época não havia tantos “hinos” como agora, entretanto a repetição constante do nome do clube era um mantra, que reverberava docemente em meus ouvidos.
Quiçá para espantar o frio, parte da torcida encetou a correr de um lado a outro do estádio, de uma barreira a outra, cantando, tal e qual um ritual indígena, ou um ritual de magia, uma mágica boa e inesperada. Olhei para o meu pai e vi seus olhos sorrindo, também encantado pelo fato, que seguiu a partida inteira. Os noventa minutos passaram em segundos.
Creio que o Grêmio tenha vencido o jogo, contudo os maiores vencedores fomos nós, os torcedores, eu e meu pai. Hoje entendo que me levar para ver o nosso time do coração era uma forma do meu querido Manoel, homem sério e aparentemente pouco afetivo, dizer “eu te amo, meu filho”. O que ele não conseguia falar, expressava gritando gol comigo, me abraçando com força no festejo, sorrindo, como poucas vezes fazia.
Com o Grêmio onde o Grêmio estiver. Mas jamais esquecerei aquela tarde de chuva no monumento histórico chamado “Olímpico”, da torcida gremista cantando apaixonada, daqueles momentos que ecoarão para sempre em meus melhores sonhos. Obrigado Grêmio, obrigado Olímpico. Agora eu entendo o que significa “imortal”.
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Ensopados pela chuva, sentamos no concreto frio da arquibancada inferior. O jogo já havia começado e estava “quente”. Não sei se pela minha idade, se pelo fato de estar ao lado do meu amado pai, se pela chuva que caía sem dó e ecoava pelo estádio, assim como a torcida gremista, havia algo mágico naquele momento. Parecia um sonho bom, daqueles que temos quando crianças.
O “monumental” não estava lotado, porém os torcedores que se abrigavam da chuva sob as arquibancadas cantavam como milhões. Naquela época não havia tantos “hinos” como agora, entretanto a repetição constante do nome do clube era um mantra, que reverberava docemente em meus ouvidos.
Quiçá para espantar o frio, parte da torcida encetou a correr de um lado a outro do estádio, de uma barreira a outra, cantando, tal e qual um ritual indígena, ou um ritual de magia, uma mágica boa e inesperada. Olhei para o meu pai e vi seus olhos sorrindo, também encantado pelo fato, que seguiu a partida inteira. Os noventa minutos passaram em segundos.
Creio que o Grêmio tenha vencido o jogo, contudo os maiores vencedores fomos nós, os torcedores, eu e meu pai. Hoje entendo que me levar para ver o nosso time do coração era uma forma do meu querido Manoel, homem sério e aparentemente pouco afetivo, dizer “eu te amo, meu filho”. O que ele não conseguia falar, expressava gritando gol comigo, me abraçando com força no festejo, sorrindo, como poucas vezes fazia.
Com o Grêmio onde o Grêmio estiver. Mas jamais esquecerei aquela tarde de chuva no monumento histórico chamado “Olímpico”, da torcida gremista cantando apaixonada, daqueles momentos que ecoarão para sempre em meus melhores sonhos. Obrigado Grêmio, obrigado Olímpico. Agora eu entendo o que significa “imortal”.
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