Corinthians x Coritiba registrou a pior audiência do Brasileirão
Julia Abdul Hak/Agência Eleven/Gazeta Press
Para sanar o rombo financeiro que ultrapassa a casa dos R$ 4 bilhões, os principais clubes do futebol brasileiro deverão ser beneficiados nos próximos meses pela aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte, do deputado federal Otávio Leite (RJ), que tem como objetivo refinanciar as dívidas dos clubes.
O projeto é mais uma chance que o Governo Federal oferece para que as equipes se reestruturem e equalizem os seus orçamentos, assim como ocorreu recentemente com a criação da Timemania. No entanto, para o consultor de gestão esportiva Amir Somoggi, a anistia da dívida esconde aspectos positivos e negativos.
— Estão passando a mão na cabeça dos clubes outra vez, que não profissionalizaram suas gestões, mas agora pelo menos estão exigindo medidas adotadas em contrapartida.
As medidas a que Somoggi se refere vão da apresentação de Certidões Negativas de Débito (CND) pelos clubes como condição para a disputa dos campeonatos, a possíveis punições como rebaixamento em caso do não pagamento do refinanciamento de dívidas relativas ao Banco Central, FGTS, Timemania e Imposto de Renda, que serão parceladas em até 25 anos.
— Isso apenas não basta. Um bom começo seria exigir que os clubes pagassem os impostos relativos ao último ano, por exemplo. Mas isso, segundo meus estudos, implicaria em reduzir a folha de pagamento em 25%, o que me parece impossível, já que os clubes estão na contramão e cada dia gastam mais.
Uma parcela significativa da receita dos clubes que poderia servir para diminuir o rombo financeiro está comprometida em quase todas as agremiações. É referente ao valor pago pela TV Globo para transmitir o Campeonato Brasileiro. Em 2011, os clubes pediram adiantamento das cotas de transmissão para sanar dívidas. Mas o dinheiro em grande parte dos casos foi usado para contratar jogadores.
— Como o clube não tem a cota de TV deste ano, que já foi adiantada e utilizada lá atrás, ele acaba tendo que recorrer aos empréstimos bancários. No entanto, na situação caótica em que os clubes se encontram, eles só conseguem empréstimos em bancos de segunda linha e com taxas de juros elevadíssimas, na casa de 3% ao mês. Assim, o buraco é cada vez maior.
Repensar a forma de disputa do Campeonato Brasileiro, e principalmente a maneira como o bolo pago pela Rede Globo é dividido, são algumas alternativas que vem sendo discutidas nesta semana pelos dirigentes esportivos para tentar contra-atacar a queda de audiência e a consequente queda no faturamento. O modelo de divisão da Premier League, por exemplo, é uma boa referência segundo o consultor.
— Na Inglaterra, 50% do valor recebido do contrato é dividido igualitariamente entre todas as equipes do campeonato; outros 25% fatiados de acordo com quem teve mais jogos transmitidos; e os 25% restantes relacionados ao desempenho de cada um dos times.
Atualmente, no Brasil, a divisão é feita de acordo com a “popularidade” do time, com Flamengo e Corinthians sendo os clubes que mais recebem da Rede Globo. Ainda assim, a audiência apresenta sucessivas quedas. O fraco empate sem gols entre Coritiba e Corinthians, no último domingo (3), registrou a pior audiência. Foram apenas 13 pontos no Ibope (cada ponto equivale a aproximadamente 62 mil domicílios em São Paulo).
Questionado se o problema financeiro dos clubes é culpa da má administração ou da estrutura do futebol brasileiro, Amir Somoggi é taxativo.
— Única e exclusivamente culpa do clube, do problema de gestão. Eles até podem dizer que ainda há muitas receitas baixas por conta da estrutura do futebol brasileiro, relacionadas ao calendário, a violência... Mas um clube que fatura cerca de R$ 300 milhões por ano, como o Corinthians, por exemplo, tem capacidade de produzir um futebol rentável e de qualidade.
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Julia Abdul Hak/Agência Eleven/Gazeta Press
Para sanar o rombo financeiro que ultrapassa a casa dos R$ 4 bilhões, os principais clubes do futebol brasileiro deverão ser beneficiados nos próximos meses pela aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte, do deputado federal Otávio Leite (RJ), que tem como objetivo refinanciar as dívidas dos clubes.
O projeto é mais uma chance que o Governo Federal oferece para que as equipes se reestruturem e equalizem os seus orçamentos, assim como ocorreu recentemente com a criação da Timemania. No entanto, para o consultor de gestão esportiva Amir Somoggi, a anistia da dívida esconde aspectos positivos e negativos.
— Estão passando a mão na cabeça dos clubes outra vez, que não profissionalizaram suas gestões, mas agora pelo menos estão exigindo medidas adotadas em contrapartida.
As medidas a que Somoggi se refere vão da apresentação de Certidões Negativas de Débito (CND) pelos clubes como condição para a disputa dos campeonatos, a possíveis punições como rebaixamento em caso do não pagamento do refinanciamento de dívidas relativas ao Banco Central, FGTS, Timemania e Imposto de Renda, que serão parceladas em até 25 anos.
— Isso apenas não basta. Um bom começo seria exigir que os clubes pagassem os impostos relativos ao último ano, por exemplo. Mas isso, segundo meus estudos, implicaria em reduzir a folha de pagamento em 25%, o que me parece impossível, já que os clubes estão na contramão e cada dia gastam mais.
Uma parcela significativa da receita dos clubes que poderia servir para diminuir o rombo financeiro está comprometida em quase todas as agremiações. É referente ao valor pago pela TV Globo para transmitir o Campeonato Brasileiro. Em 2011, os clubes pediram adiantamento das cotas de transmissão para sanar dívidas. Mas o dinheiro em grande parte dos casos foi usado para contratar jogadores.
— Como o clube não tem a cota de TV deste ano, que já foi adiantada e utilizada lá atrás, ele acaba tendo que recorrer aos empréstimos bancários. No entanto, na situação caótica em que os clubes se encontram, eles só conseguem empréstimos em bancos de segunda linha e com taxas de juros elevadíssimas, na casa de 3% ao mês. Assim, o buraco é cada vez maior.
Repensar a forma de disputa do Campeonato Brasileiro, e principalmente a maneira como o bolo pago pela Rede Globo é dividido, são algumas alternativas que vem sendo discutidas nesta semana pelos dirigentes esportivos para tentar contra-atacar a queda de audiência e a consequente queda no faturamento. O modelo de divisão da Premier League, por exemplo, é uma boa referência segundo o consultor.
— Na Inglaterra, 50% do valor recebido do contrato é dividido igualitariamente entre todas as equipes do campeonato; outros 25% fatiados de acordo com quem teve mais jogos transmitidos; e os 25% restantes relacionados ao desempenho de cada um dos times.
Atualmente, no Brasil, a divisão é feita de acordo com a “popularidade” do time, com Flamengo e Corinthians sendo os clubes que mais recebem da Rede Globo. Ainda assim, a audiência apresenta sucessivas quedas. O fraco empate sem gols entre Coritiba e Corinthians, no último domingo (3), registrou a pior audiência. Foram apenas 13 pontos no Ibope (cada ponto equivale a aproximadamente 62 mil domicílios em São Paulo).
Questionado se o problema financeiro dos clubes é culpa da má administração ou da estrutura do futebol brasileiro, Amir Somoggi é taxativo.
— Única e exclusivamente culpa do clube, do problema de gestão. Eles até podem dizer que ainda há muitas receitas baixas por conta da estrutura do futebol brasileiro, relacionadas ao calendário, a violência... Mas um clube que fatura cerca de R$ 300 milhões por ano, como o Corinthians, por exemplo, tem capacidade de produzir um futebol rentável e de qualidade.
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