Kleber e Moreno em 2012: vamos continuar bancando atacantes para os outros?
Por Caue Fonseca
A princípio, é um negócio bom para todo mundo.
O Grêmio, que vem pagando R$ 600 mil mensais para não utilizar Kleber, passa a pagar – se especula – metade disso.
O Vasco, incapaz de grandes contratações, recebe um jogador de renome por empréstimo para encarar a Série B.
O Gladiador, por sua vez, terá a chance de recuperar a embocadura contra adversários mais fracos sem, para isso, ter de usar uma camisa de time pequeno.
Mas como cabe a nós fazer ressalvas, tentar ver o contraponto, tenho lá um pé atrás se esse é o melhor negócio para quem interessa. Para o Grêmio, no caso.
O problema desse tipo de transação vem depois de encerrado o empréstimo. No melhor dos mundos, o jogador dá uma bela resposta no seu novo clube. Passado o contrato temporário, retorna ao Grêmio valorizado, pronto para vestir a camisa tricolor sendo o jogador que esperávamos desde o início.
Mas aí eu pergunto, qual foi a última vez que um jogador emprestado voltou bem ao Grêmio?
Em 2013, emprestamos Leandro ao Palmeiras que disputava a Série B. Leandro jogou, fez gols, chegou a Seleção Brasileira. Enquanto isso, trouxemos outro atacante de velocidade a peso de ouro: Vargas. O chileno se foi. Onde está Leandro agora? No ataque do Grêmio?
Me incomoda, em casos como esse de Kleber, que o clube repasse um patrimônio em que investiu pesado em vez de ele mesmo se empenhar em recuperar o atleta.
Outro caso emblemático: Marcelo Moreno.
Em dezembro de 2011, o Grêmio investiu mais de R$ 15 milhões para trazer o jovem atacante boliviano da Ucrânia. Moreno fez boa temporada em 2012 e caiu em desgraça em 2013. Desde então, foi emprestado ao Flamengo e, agora, ao Cruzeiro.
Moreno é patrimônio do Grêmio. Por que foram os mineiros que apostaram na recuperação do atleta – de quem sabiam o potencial desde sua passagem pela Toca da Raposa, em 2008 – e não o Grêmio?
Após gastar um caminhão de dinheiro em Moreno, o Grêmio resolveu gastar um segundo caminhão para encontrar um substituto para ele, Barcos. O resultado é que Marcelo Moreno hoje tem cinco gols no Brasileirão. Dois a menos que os sete marcados por todo o time do Grêmio. Temos o artilheiro do campeonato, mas fazendo gols por outra equipe.
Fica, então, a provocação:
Depois de comprarmos Kleber, de apostar nele, de bancar duas cirurgias e dois longos períodos de recuperação de lesão, vamos, enfim, emprestar o jogador ao Vasco.
Quando ele começar a marcar gols pelo time carioca (parcialmente bancados por nós, inclusive), em quem vamos gastar um novo caminhão de dinheiro para substituí-lo?
Não duvido que o empréstimo se revele um bom negócio. Mas, se acontecer, que ao menos o Grêmio o faça não apenas com o objetivo de se livrar de um salário alto, mas em formar uma boa dupla de ataque para 2015: Kleber e Moreno.
Se não for esse o grande objetivo, que o Gladiador fique por aqui, jogando por quem apostou no seu futebol desde o início.
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Por Caue Fonseca
A princípio, é um negócio bom para todo mundo.
O Grêmio, que vem pagando R$ 600 mil mensais para não utilizar Kleber, passa a pagar – se especula – metade disso.
O Vasco, incapaz de grandes contratações, recebe um jogador de renome por empréstimo para encarar a Série B.
O Gladiador, por sua vez, terá a chance de recuperar a embocadura contra adversários mais fracos sem, para isso, ter de usar uma camisa de time pequeno.
Mas como cabe a nós fazer ressalvas, tentar ver o contraponto, tenho lá um pé atrás se esse é o melhor negócio para quem interessa. Para o Grêmio, no caso.
O problema desse tipo de transação vem depois de encerrado o empréstimo. No melhor dos mundos, o jogador dá uma bela resposta no seu novo clube. Passado o contrato temporário, retorna ao Grêmio valorizado, pronto para vestir a camisa tricolor sendo o jogador que esperávamos desde o início.
Mas aí eu pergunto, qual foi a última vez que um jogador emprestado voltou bem ao Grêmio?
Em 2013, emprestamos Leandro ao Palmeiras que disputava a Série B. Leandro jogou, fez gols, chegou a Seleção Brasileira. Enquanto isso, trouxemos outro atacante de velocidade a peso de ouro: Vargas. O chileno se foi. Onde está Leandro agora? No ataque do Grêmio?
Me incomoda, em casos como esse de Kleber, que o clube repasse um patrimônio em que investiu pesado em vez de ele mesmo se empenhar em recuperar o atleta.
Outro caso emblemático: Marcelo Moreno.
Em dezembro de 2011, o Grêmio investiu mais de R$ 15 milhões para trazer o jovem atacante boliviano da Ucrânia. Moreno fez boa temporada em 2012 e caiu em desgraça em 2013. Desde então, foi emprestado ao Flamengo e, agora, ao Cruzeiro.
Moreno é patrimônio do Grêmio. Por que foram os mineiros que apostaram na recuperação do atleta – de quem sabiam o potencial desde sua passagem pela Toca da Raposa, em 2008 – e não o Grêmio?
Após gastar um caminhão de dinheiro em Moreno, o Grêmio resolveu gastar um segundo caminhão para encontrar um substituto para ele, Barcos. O resultado é que Marcelo Moreno hoje tem cinco gols no Brasileirão. Dois a menos que os sete marcados por todo o time do Grêmio. Temos o artilheiro do campeonato, mas fazendo gols por outra equipe.
Fica, então, a provocação:
Depois de comprarmos Kleber, de apostar nele, de bancar duas cirurgias e dois longos períodos de recuperação de lesão, vamos, enfim, emprestar o jogador ao Vasco.
Quando ele começar a marcar gols pelo time carioca (parcialmente bancados por nós, inclusive), em quem vamos gastar um novo caminhão de dinheiro para substituí-lo?
Não duvido que o empréstimo se revele um bom negócio. Mas, se acontecer, que ao menos o Grêmio o faça não apenas com o objetivo de se livrar de um salário alto, mas em formar uma boa dupla de ataque para 2015: Kleber e Moreno.
Se não for esse o grande objetivo, que o Gladiador fique por aqui, jogando por quem apostou no seu futebol desde o início.
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