Renato relembra Mundial de 83 e brinca com jogadores do Grêmio: "No final, batam palmas"

Ainda em isolamento social no Rio, técnico e maior ídolo do clube manda recado na véspera da retransmissão do título em Tóquio


Fonte: Globoesporte.com

Foto: Reprodução
A RBS TV retransmite o título mundial do Grêmio de 1983 no domingo, a partir das 15h45. E não poderia faltar a palavra do grande nome da vitória por 2 a 1 sobre o Hamburgo. Hoje técnico do clube e maior ídolo da história, Renato Gaúcho relembrou fatos histórias daquela disputa e também aproveitou para brincar com seus comandados na época atual.



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"O recado é para o meu grupo: sentem na frente da televisão, peguem um saquinho de pipoca e assistam. Vejam se aprendam alguma coisa. E no final, batam palmas. Um abraço!"

Renato ainda não se reapresentou após o retorno dos treinamentos no CT Luiz Carvalho. Ele segue em isolamento social no Rio de Janeiro, pois faz parte do grupo de risco. O treinador passou por duas cirurgias cardíacas nos últimos anos.

Em uma série de vídeos encaminhados ao Grupo RBS, Portaluppi conta detalhes do jogo em Tóquio, dos dias anteriores, do ex-presidente Fábio Koff e da família. Leia o relato abaixo:

"Maior título"

"Agradecer ao Grupo RBS pelo momento mágico, levar essa alegria ao nosso torcedor, porque realmente foi um jogo maravilhoso, de grandes lances e grandes sofrimentos. No sofrimento que estamos vivendo hoje, na pandemia, tenho certeza que o gremista vai ficar muito feliz. Quem viu, pode ver novamente e quem não teve o prazer, as pessoas mais jovens, a garotada de hoje, vai poder ver aquele grupo maravilhoso que tive o maior prazer de fazer parte. As pessoas vão poder curtir bastante essa partida. Peguem sua pipoca, sentem em frente à televisão e curtam esse jogaço. É o maior título que o clube conquistou."

Acordo com Fábio Koff

"A história do doutor Fábio Koff é bastante interessante e divertida. Cheguei atrasado para o treino, entrei em uma velocidade acima do normal no estacionamento do Olímpico. Para o meu azar, ele estava na janela com o (Valdir) Espinosa (técnico). Viu e pediu para o supervisor, seu Verardi, para que eu fosse até lá. Eu subi, ele me chamou a atenção, falou que estava multado em 40% do salário porque tinha entrado em uma velocidade acima do normal, até porque estava atrasado para o treino. Falei que não ia aceitar. Já ganhava pouco, 40% não ia dar, não. Teve discussão e falei que não ia viajar para Tóquio. Aí tive a ideia: 'doutor, se eu fizer um gol, o senhor tira essa multa?'. Ele parou e pensou: 'é, tá bom. Tiro se você fizer um gol'.

Aí estava abrindo a porta para sair e tive outra ideia: 'presidente, tive uma outra ideia aqui. Se eu fizer dois gols em Tóquio, me dá 40% de aumento?'. Começou a rir, pensou e: 'tá, peguei, dou o aumento'. Bom, o final da história vocês já sabem, né!
".

A estátua e a família

"Foi um momento inesquecível a inauguração da estátua. Agradeço mais uma vez ao presidente Romildo. E dediquei tudo o que havia conquistado na minha carreira como jogador e treinador aos meus pais, porque sempre falo, mãe é uma só, pai é um só. O conselho que dou é que tem que dar o máximo de carinho e amor aos pais, depois não adianta se arrepender. Depois que eles se vão, a dona consciência é muito pesada. Enquanto estavam vivos, dei o máximo de carinho, perdi meu pai em 81 e em 83 fomos campeões do mundo. Na volta a Porto Alegre, a minha mãe estava no pátio do Olímpico me esperando. Dei um abraço, um carinho, porque ela sempre foi meu orgulho, aprendi muito com ela. Sempre tive um amor muito grande. E pude abraçá-la, faziam vários dias que estávamos fora. Para minha surpresa, ela estava lá, porque não gostava que ela ficasse no meio das pessoas, era uma senhora. Foi um momento maravilhoso."

O jogo



"No final do segundo tempo, a gente ganhando de 1 a 0, senti cãibras. Já tinha corrido para caramba naquele jogo. Saí do campo e estava fazendo massagem na panturrilha. Enquanto estava fora, o Hamburgo empatou. Inclusive quem fez o gol foi o lateral que estava me marcando no jogo e eu marcava ele na bola parada também. Aí, foi um balde água fria, vi fora do campo o adversário empatar. Ia ter a prorrogação, né. Naquele momento, quando acabou, conversamos com o Espinosa, enquanto continuava fazendo massagem. Fiquei ansioso. Há cãibras que o jogador não consegue mais correr. Naquela época, acho que o Espinosa tinha queimado a segunda substituição. Busquei forças do além e voltei para o jogo. A nossa sorte, e a minha, é que fiz o gol no início da prorrogação. Aquilo deu um ânimo novo."


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