FOTO: Reginaldo Castro
Na escaldante manhã de Itaquera, a Arena Corinthians protagonizou minutos circenses. Hesitante, o árbitro Flávio Rodrigues Guerra marcou pênalti claro para os mandantes contra o Santos após receber sinalização do auxiliar Rogerio Pablos Zanardo. Na sequência, imenso pastelão se sucedeu. Em vez de os clássicos “O Gordo e o Magro” ou “Os três patetas”, a peça exibiu dois profissionais do apito tentando, empapados de suor, concluir quem fez o pênalti. Enquanto milhares já sabiam, sem esforço algum, que fora Zeca o infrator, vendo e revendo replays de diversos ângulos, os dois sofriam. O desfecho foi tragicômico, com David Braz, que nada teve a ver com o lance, expulso por uma penalidade que não cometeu. Dali em diante, minutos escorreriam com a multidão fora e dentro do estádio sabedora da realidade dos fatos e a dupla sustentando uma farsa involuntária.
Três dias depois, no Orlando Scarpelli, em Florianópolis, outra dobradinha árbitro-bandeira fez, sem querer, as vezes de atores de picadeiro. O atacante Gabriel, do Santos, escorou um cruzamento de Lucas Lima e balançou a rede do Figueirense, pela Copa do Brasil. O camisa 10 correu para o alambrado, comemorou com torcedores e o placar apontou 1 a 0. De repente, o árbitro Anderson Daronco paralisou tudo e foi confabular com o auxiliar. O bandeira tentou ocultar da câmera o teor da prosa escondendo os lábios com a mão, como se o Grande Irmão fosse revelar o óbvio. Alguém viu o replay da jogada, flagrou o impedimento do santista e sussurrou a verdade factual. Como as regras do futebol não permitem a ajuda de vídeo, os dos fizeram um mise-en-scéne para impedir que o erro se produzisse pela incapacidade do olho humano de captar o que às câmeras não escapa.
O bastião que a alta cúpula do futebol criou contra o uso de tecnologia cada vez mais soa antiquado. Caminha para ser ruína. A concorrência é desleal. E produtora dessas cenas picarescas que vimos na Arena Corinthians e em Florianópolis. Quando um lance acontece, ao público é dada, em segundos, a chance de saber se houve impedimento ou não, se a bola bateu no peito ou no braço do defensor, se foi fulano ou ciclano que fez a falta. O único a quem é sonegada a verdade é justamente àquele que decide, o árbitro. Se o festival de erros alimenta as polêmicas de mesa redonda e botequim, ele afeta o trabalho de jogadores e técnicos, fermenta teses conspiratórias e ajuda a arruinar a carreira de juízes. As notícias recentes dão sinal de que a Fifa deve permitir testes para uso do vídeo. Oxalá isso aconteça brevemente, em nome do avanço e contra a pantomima.
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Três dias depois, no Orlando Scarpelli, em Florianópolis, outra dobradinha árbitro-bandeira fez, sem querer, as vezes de atores de picadeiro. O atacante Gabriel, do Santos, escorou um cruzamento de Lucas Lima e balançou a rede do Figueirense, pela Copa do Brasil. O camisa 10 correu para o alambrado, comemorou com torcedores e o placar apontou 1 a 0. De repente, o árbitro Anderson Daronco paralisou tudo e foi confabular com o auxiliar. O bandeira tentou ocultar da câmera o teor da prosa escondendo os lábios com a mão, como se o Grande Irmão fosse revelar o óbvio. Alguém viu o replay da jogada, flagrou o impedimento do santista e sussurrou a verdade factual. Como as regras do futebol não permitem a ajuda de vídeo, os dos fizeram um mise-en-scéne para impedir que o erro se produzisse pela incapacidade do olho humano de captar o que às câmeras não escapa.
O bastião que a alta cúpula do futebol criou contra o uso de tecnologia cada vez mais soa antiquado. Caminha para ser ruína. A concorrência é desleal. E produtora dessas cenas picarescas que vimos na Arena Corinthians e em Florianópolis. Quando um lance acontece, ao público é dada, em segundos, a chance de saber se houve impedimento ou não, se a bola bateu no peito ou no braço do defensor, se foi fulano ou ciclano que fez a falta. O único a quem é sonegada a verdade é justamente àquele que decide, o árbitro. Se o festival de erros alimenta as polêmicas de mesa redonda e botequim, ele afeta o trabalho de jogadores e técnicos, fermenta teses conspiratórias e ajuda a arruinar a carreira de juízes. As notícias recentes dão sinal de que a Fifa deve permitir testes para uso do vídeo. Oxalá isso aconteça brevemente, em nome do avanço e contra a pantomima.
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