Kleber nunca fugiu das divididas e por vezes foi acusado de excessos (Foto: Jefferson Bernardes/ Agência Preview)
Na tentativa de aliar qualidade e experiência para voltar à elite, o Vasco vem colecionando contratações de jogadores que buscam dar a volta por cima para reviver o passado de destaque. Kleber é o nome da vez. Tratado como um dos melhores atacantes do futebol brasileiro em determinada época, ele desembarca no Rio de Janeiro na noite deste domingo trazendo na bagagem a esperança de provar que ainda é capaz de fazer a diferença em campo. A julgar pela aparente moral com a torcida cruz-maltina, apoio não vai faltar nos próximos meses.
Em enquete sugerida pelo GloboEsporte.com 78,6% dos mais de oito mil votantes estendem o tapete vermelho ao reforço, aprovando-o sem restrições. Já 14,5% concordam com a escolha da diretoria, mas ressaltam que apenas porque o clube não sairá de seu teto salarial de cerca de R$ 150 mil mensais e pela cessão de Fellipe Bastos ao Grêmio - como reza o acordo firmado entre as partes. E 6,82% não gostaram do nome que deve fechar a linha de frente do elenco em 2014.
Outros exemplos de jogadores "recuperados" em São Januário são o lateral Diego Renan, aposta mesmo depois de grave lesão no joelho e uma frustrada passagem pelo Criciúma; o volante Fabrício, que enfrentou um calvário no São Paulo por dois anos; e o meia Douglas, de técnica incontestável, mas que perdeu espaço nos times que defendeu desde 2011, só para listar os titulares. Há os casos em que, apesar das dificuldades financeiras, o projeto apresentado pelo executivo, Rodrigo Caetano, convenceu quem tem mercado amplo, como Martín Silva e Rodrigo.
- A negociação pelo Gladiador se deveu à boa relação entre as diretorias, à vontade do atleta e ao fato de que havia um desgaste cada vez maior na relação com os tricolores, já que o camisa 7 tem sido assíduo no departamento médico desde 2013. A média de gols despencou e frustrou os gaúchos, que investiram o equivalente a R$ 12 milhões para tirá-lo do Palmeiras há três temporadas - foram 105 partidas e 23 gols. O posicionamento pode ter influência, mas a veia artilheira de Kleber, com a mesma liberdade, foi marcante nos clubes anteriores. No Palmeiras, entre os dois momentos (2008 e 2010/2011), são 122 jogos e 46 gols e, no Cruzeiro, os números são mais expressivos: 38 em 60, fechando 0,63 por confronto. No Brasil, hoje, a média é 0,37.
A pior fase na carreira do atacante de 30 anos também tem ligação com a falta de confiança devido aos problemas físicos. O último deles exigiu uma artroscopia no joelho direito, que o tirou de cena por mais de dois meses até maio. Por essa razão, em seis meses, só apareceu cinco vezes com a camisa gremista e em 271 minutos, praticamente o mesmo do que três partidas inteiras.
RAÇA OU TEMPERAMENTO EXPLOSIVO?
Foi na Ucrânia, onde transformou-se em ídolo do Dínamo de Kiev, que o apelido de Gladiador surgiu. Brigava por todas as bolas, arrastava os zagueiros mesmo com seus 1,73m e estava em todas as partes do ataque. Não tinha distinção entre armar para um companheiro ou receber para a conclusão, como descreveu certa vez o jornal ucraniano "Champion" em suas páginas.
No fim do ciclo, deixou de lado a origem no São Paulo e acertou com o Palmeiras por empréstimo. Aos 24 anos, passaria a ser reconhecido e aclamado no Brasil. Fez gols em clássicos, ganhou um Paulista e deixou saudade quando o Cruzeiro envolveu Guilherme na troca e conveceu os europeus a vendê-lo com o acréscimos de 5 milhões de euros (na época mais de R$ 14 milhões). O mesmo preço seria depositado pelo Grêmio na conta do Alviverde, que, por sua vez, também pagou 3 milhões de euros (mais de R$ 7,5 milhões na ocasião) por 50% de seus direitos junto à Raposa. Seu salário em Porto Alegre é de R$ 500 mil e mais um aditivo referente a R$ 1 milhão de luvas anuais que são diluídas. O atacante, definitivamente, move cifras como poucos no país.
Quase todas essas mudanças de casa, porém, estiveram atreladas a polêmicas extracampo. Com temperamento forte, Kleber se envolveu em atrito com diretorias por aumento, organizadas, foi chamado de judas, e acabou afastado do Palmeiras pelo hoje técnico da Seleção, Luiz Felipe Scolari em consequência de um motim que tentou criar após a agressão da torcida ao volante João Vitor. Isso sem falar nas diversas expulsões por jogadas ríspidas e outras consideradas desleais, que lhe asseguraram punições dos tribunais esportivos. A estreia pelo Cruzeiro, em 2009, foi emblemática neste sentido - em 14 minutos, fez dois gols e levou cartão vermelho.
- Era capaz de decidir um jogo perdido e estragar tudo para ele minutos depois. Ficávamos sem saber o que fazer no vestiário - afirmou um ex-companheiro, que não quis se identificar.
O cerimonial de chegada ao Grêmio foi pomposo. À época da contratação, a Arena, nova casa tricolor, ainda estava em construção. Mas, em jogada de marketing, o Gladiador foi apresentado no estádio. Com a camisa 7 imortalizada pelo ídolo Renato Gaúcho, caminhou pelas obras e ganhou capacete personalizado. Ouviu dos torcedores que era a grande esperança de gols no time, carente de bons atacantes. O destino, porém, reservou um futuro diferente, no fim das contas. No Vasco, não deve haver evento. Provavelmente apenas o simples de registro no CT em Pinheiral, sul-fluminense, onde o elenco trabalhará de segunda a sábado.
A fase do clube e do atacante se encaixam no perfil. Parece o lugar certo para a volta por cima.

Gol foi o que não faltou na passagem pelo Palmeiras: 46 em dois anos (Foto: Miguel Schincariol / Agência Estado)
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- Atacante emprestado pelo Grêmio vira desfalque do Bahia contra o Tricolor
- Caso Botafogo pode impactar folha salarial do Tricolor!
- Dirigente do Grêmio abre o jogo sobre Luís Castro!
Na tentativa de aliar qualidade e experiência para voltar à elite, o Vasco vem colecionando contratações de jogadores que buscam dar a volta por cima para reviver o passado de destaque. Kleber é o nome da vez. Tratado como um dos melhores atacantes do futebol brasileiro em determinada época, ele desembarca no Rio de Janeiro na noite deste domingo trazendo na bagagem a esperança de provar que ainda é capaz de fazer a diferença em campo. A julgar pela aparente moral com a torcida cruz-maltina, apoio não vai faltar nos próximos meses.
Em enquete sugerida pelo GloboEsporte.com 78,6% dos mais de oito mil votantes estendem o tapete vermelho ao reforço, aprovando-o sem restrições. Já 14,5% concordam com a escolha da diretoria, mas ressaltam que apenas porque o clube não sairá de seu teto salarial de cerca de R$ 150 mil mensais e pela cessão de Fellipe Bastos ao Grêmio - como reza o acordo firmado entre as partes. E 6,82% não gostaram do nome que deve fechar a linha de frente do elenco em 2014.
Outros exemplos de jogadores "recuperados" em São Januário são o lateral Diego Renan, aposta mesmo depois de grave lesão no joelho e uma frustrada passagem pelo Criciúma; o volante Fabrício, que enfrentou um calvário no São Paulo por dois anos; e o meia Douglas, de técnica incontestável, mas que perdeu espaço nos times que defendeu desde 2011, só para listar os titulares. Há os casos em que, apesar das dificuldades financeiras, o projeto apresentado pelo executivo, Rodrigo Caetano, convenceu quem tem mercado amplo, como Martín Silva e Rodrigo.
- A negociação pelo Gladiador se deveu à boa relação entre as diretorias, à vontade do atleta e ao fato de que havia um desgaste cada vez maior na relação com os tricolores, já que o camisa 7 tem sido assíduo no departamento médico desde 2013. A média de gols despencou e frustrou os gaúchos, que investiram o equivalente a R$ 12 milhões para tirá-lo do Palmeiras há três temporadas - foram 105 partidas e 23 gols. O posicionamento pode ter influência, mas a veia artilheira de Kleber, com a mesma liberdade, foi marcante nos clubes anteriores. No Palmeiras, entre os dois momentos (2008 e 2010/2011), são 122 jogos e 46 gols e, no Cruzeiro, os números são mais expressivos: 38 em 60, fechando 0,63 por confronto. No Brasil, hoje, a média é 0,37.
A pior fase na carreira do atacante de 30 anos também tem ligação com a falta de confiança devido aos problemas físicos. O último deles exigiu uma artroscopia no joelho direito, que o tirou de cena por mais de dois meses até maio. Por essa razão, em seis meses, só apareceu cinco vezes com a camisa gremista e em 271 minutos, praticamente o mesmo do que três partidas inteiras.
RAÇA OU TEMPERAMENTO EXPLOSIVO?
Foi na Ucrânia, onde transformou-se em ídolo do Dínamo de Kiev, que o apelido de Gladiador surgiu. Brigava por todas as bolas, arrastava os zagueiros mesmo com seus 1,73m e estava em todas as partes do ataque. Não tinha distinção entre armar para um companheiro ou receber para a conclusão, como descreveu certa vez o jornal ucraniano "Champion" em suas páginas.
No fim do ciclo, deixou de lado a origem no São Paulo e acertou com o Palmeiras por empréstimo. Aos 24 anos, passaria a ser reconhecido e aclamado no Brasil. Fez gols em clássicos, ganhou um Paulista e deixou saudade quando o Cruzeiro envolveu Guilherme na troca e conveceu os europeus a vendê-lo com o acréscimos de 5 milhões de euros (na época mais de R$ 14 milhões). O mesmo preço seria depositado pelo Grêmio na conta do Alviverde, que, por sua vez, também pagou 3 milhões de euros (mais de R$ 7,5 milhões na ocasião) por 50% de seus direitos junto à Raposa. Seu salário em Porto Alegre é de R$ 500 mil e mais um aditivo referente a R$ 1 milhão de luvas anuais que são diluídas. O atacante, definitivamente, move cifras como poucos no país.
Quase todas essas mudanças de casa, porém, estiveram atreladas a polêmicas extracampo. Com temperamento forte, Kleber se envolveu em atrito com diretorias por aumento, organizadas, foi chamado de judas, e acabou afastado do Palmeiras pelo hoje técnico da Seleção, Luiz Felipe Scolari em consequência de um motim que tentou criar após a agressão da torcida ao volante João Vitor. Isso sem falar nas diversas expulsões por jogadas ríspidas e outras consideradas desleais, que lhe asseguraram punições dos tribunais esportivos. A estreia pelo Cruzeiro, em 2009, foi emblemática neste sentido - em 14 minutos, fez dois gols e levou cartão vermelho.
- Era capaz de decidir um jogo perdido e estragar tudo para ele minutos depois. Ficávamos sem saber o que fazer no vestiário - afirmou um ex-companheiro, que não quis se identificar.
O cerimonial de chegada ao Grêmio foi pomposo. À época da contratação, a Arena, nova casa tricolor, ainda estava em construção. Mas, em jogada de marketing, o Gladiador foi apresentado no estádio. Com a camisa 7 imortalizada pelo ídolo Renato Gaúcho, caminhou pelas obras e ganhou capacete personalizado. Ouviu dos torcedores que era a grande esperança de gols no time, carente de bons atacantes. O destino, porém, reservou um futuro diferente, no fim das contas. No Vasco, não deve haver evento. Provavelmente apenas o simples de registro no CT em Pinheiral, sul-fluminense, onde o elenco trabalhará de segunda a sábado.
A fase do clube e do atacante se encaixam no perfil. Parece o lugar certo para a volta por cima.

Gol foi o que não faltou na passagem pelo Palmeiras: 46 em dois anos (Foto: Miguel Schincariol / Agência Estado)
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