Borges comemora o segundo gol sobre o Inter em 2010
Nicanor era gremista, como deveria ser. Nem todos têm a sorte de nascer de pais que torcem para o seu time. Avós, mais ainda. Minha avó, Norma, mulher do Nicanor, era colorada fanática. Mas eu não posso ganhar em tudo. Satisfaço-me com o que tenho.
Como eu disse, ele era gremista. Mas era um gremista desleixado, daqueles que se esqueciam dos jogos, que os via pela metade, ou sequer se dava o trabalho de assistir alguns minutos, logo partindo para outras atividades.
Toda quarta-feira, eu na sala, assistindo ao Grêmio, e ele a perguntar: “Quem joga?”. Ao ouvir, após saber que era seu time e lembrar do jogo do final de semana, ele retrucava, quase irritado: “Mas de novo?”. Talvez Nicanor fosse um visionário do futebol, insatisfeito, sem assistir a um jogo sequer, com nosso calendário estufado de partidas.
Quando já sabia que o Grêmio jogaria, apenas perguntava: “Quanto tá lá?”, sem enxergar o placar. Dependendo da reposta, ou dizia “Que bom” ou “Esses porqueras não jogam nada”, mesmo sem saber detalhes da partida. Mas era gremista. E o era mais por eu ser gremista. Sua paixão era compartilhar minha dor e alegria, como se fossem as dele.

Obrigado, Borges, por fazer com que eu expressasse o amor pelo meu avô
Não tenho grandes relatos para contar do meu avô, como geralmente se narra: comemorações de títulos inesquecíveis, passeatas pelas ruas ou coisas do tipo. Minhas lembranças com Nicanor são simples, quase simplórias, a ponto de entediar o leitor, mas vou contar mesmo assim.
A mais alegre delas, veja, coincide com o último título do Grêmio. E quando falo em título, é título, não “um título expressão”. Foi na final do Gauchão de 2010. Estávamos há 3 anos na seca pelo campeonato e a tensão para quebrar essa sina era grande. O primeiro jogo era no Beira-Rio. Vencemos.
A lembrança vem do segundo gol do Grêmio, marcado por Borges, em cruzamento de Rochemback. Minha alegria foi tanta que a única coisa que pude fazer foi dar um beijo em meu avô, que, sabe-se lá por que, estava na sala, sentado em uma cadeirinha, olhando o jogo, e falar “eu te amo”. Não sei se foi a única vez que disse isso a ele, mas essa eu lembro. Obrigado, Borges.
Nicanor nos deixou no dia 29 de janeiro de 2016, mas no dia 28, quando o Grêmio jogou contra o Avaí, pela Primeira Liga, eu já tinha uma certeza resignada que ele não mais participaria das minhas noites de meio de semana pelo Grêmio. Tenho certeza que chamaria Bobô de “triste vida” e faria algum elogio ao Lincoln.
Mas isso pouco importa. Meu avô não gostava muito de futebol, mas era gremista. Gremista como poucos. Um gremista que pensava mais nos outros do que nele mesmo.
VEJA TAMBÉM
- QUEM JOGA! Provável escalação do Grêmio para duelo decisivo na CDB
- COM MUDANÇAS! Grêmio chega em Aracaju para decisão contra o Confiança na Copa do Brasil
- Grêmio avalia liberar Amuzu para amistoso fora da Data FIFA
Nicanor era gremista, como deveria ser. Nem todos têm a sorte de nascer de pais que torcem para o seu time. Avós, mais ainda. Minha avó, Norma, mulher do Nicanor, era colorada fanática. Mas eu não posso ganhar em tudo. Satisfaço-me com o que tenho.
Como eu disse, ele era gremista. Mas era um gremista desleixado, daqueles que se esqueciam dos jogos, que os via pela metade, ou sequer se dava o trabalho de assistir alguns minutos, logo partindo para outras atividades.
Toda quarta-feira, eu na sala, assistindo ao Grêmio, e ele a perguntar: “Quem joga?”. Ao ouvir, após saber que era seu time e lembrar do jogo do final de semana, ele retrucava, quase irritado: “Mas de novo?”. Talvez Nicanor fosse um visionário do futebol, insatisfeito, sem assistir a um jogo sequer, com nosso calendário estufado de partidas.
Quando já sabia que o Grêmio jogaria, apenas perguntava: “Quanto tá lá?”, sem enxergar o placar. Dependendo da reposta, ou dizia “Que bom” ou “Esses porqueras não jogam nada”, mesmo sem saber detalhes da partida. Mas era gremista. E o era mais por eu ser gremista. Sua paixão era compartilhar minha dor e alegria, como se fossem as dele.
Obrigado, Borges, por fazer com que eu expressasse o amor pelo meu avô
Não tenho grandes relatos para contar do meu avô, como geralmente se narra: comemorações de títulos inesquecíveis, passeatas pelas ruas ou coisas do tipo. Minhas lembranças com Nicanor são simples, quase simplórias, a ponto de entediar o leitor, mas vou contar mesmo assim.
A mais alegre delas, veja, coincide com o último título do Grêmio. E quando falo em título, é título, não “um título expressão”. Foi na final do Gauchão de 2010. Estávamos há 3 anos na seca pelo campeonato e a tensão para quebrar essa sina era grande. O primeiro jogo era no Beira-Rio. Vencemos.
A lembrança vem do segundo gol do Grêmio, marcado por Borges, em cruzamento de Rochemback. Minha alegria foi tanta que a única coisa que pude fazer foi dar um beijo em meu avô, que, sabe-se lá por que, estava na sala, sentado em uma cadeirinha, olhando o jogo, e falar “eu te amo”. Não sei se foi a única vez que disse isso a ele, mas essa eu lembro. Obrigado, Borges.
Nicanor nos deixou no dia 29 de janeiro de 2016, mas no dia 28, quando o Grêmio jogou contra o Avaí, pela Primeira Liga, eu já tinha uma certeza resignada que ele não mais participaria das minhas noites de meio de semana pelo Grêmio. Tenho certeza que chamaria Bobô de “triste vida” e faria algum elogio ao Lincoln.
Mas isso pouco importa. Meu avô não gostava muito de futebol, mas era gremista. Gremista como poucos. Um gremista que pensava mais nos outros do que nele mesmo.
VEJA TAMBÉM
- QUEM JOGA! Provável escalação do Grêmio para duelo decisivo na CDB
- COM MUDANÇAS! Grêmio chega em Aracaju para decisão contra o Confiança na Copa do Brasil
- Grêmio avalia liberar Amuzu para amistoso fora da Data FIFA

Comentários
Enviar Comentário
Aplicativo Gremio Avalanche
Leia também
QUEM JOGA! Provável escalação do Grêmio para duelo decisivo na CDB
COM MUDANÇAS! Grêmio chega em Aracaju para decisão contra o Confiança na Copa do Brasil
Grêmio avalia liberar Amuzu para amistoso fora da Data FIFA
Luís Castro abre espaço para jovens em jogo decisivo
Arthur perto de voltar, mas situação contratual preocupa
Mistério no Grêmio: Luís Castro prepara mudança para duelo decisivo
DUELO NA COPA! Grêmio se prepara para decisão contra o Confiança na Copa do Brasil
Dificuldades táticas do Grêmio geram urgência por reavaliação na sequência da temporada
Grêmio vira vitrine mundial com jogadores na pré-lista da Copa
Grêmio recebe definição surpreendente sobre Villasanti na Copa do Mundo
Tricolor amarga sequência de seis jogos sem gols e afunda na crise ofensiva do Brasileirão
Sondagens do exterior agitam futuro de Tiaguinho no Grêmio
O Imortal está em coma: o Grêmio perdeu a identidade do próprio Grêmio
Grêmio mexe no tabuleiro e tenta Arboleda em negociação polêmica
Grêmio arma jogada ousada e mira Arboleda em troca surpreendente com o São Paulo