Foto: Lucas Uebel
Quando entrar no gramado da Arena para enfrentar o Athletico-PR no próximo domingo (21), às 18h15min, pelo Campeonato Brasileiro, Jean Pyerre chegará ao seu 100º jogo como profissional do Grêmio.
O atual camisa 10 gremista atingirá a marca em um momento que tem seu futebol sofrendo questionamentos depois de ter passado por uma série de problemas que o afastaram do time por longos períodos entre setembro de 2019 e dezembro do ano passado.
Desde que foi alçado ao time titular por Renato Portaluppi, o nome de Jean Pyerre sempre gerou grandes debates. Nos melhores momentos, o meia empolgou torcida e imprensa, que o projetavam em um futuro próximo na Seleção Brasileira e no radar dos grandes clubes da Europa. Por seu estilo de muita técnica, mas de uma intensidade sem a bola menor do que exige o futebol atual, as críticas nas fases ruins são inversamente proporcionais aos elogios.
O destaque mais eloquente a Jean Pyerre veio nada mais nada menos do que de Tostão. Um dos craques da Seleção Brasileira tricampeã do mundo 1970, ele escreveu em sua coluna no jornal Folha de São Paulo de 29 de novembro do ano passado que o meia gremista deveria não apenas ser convocado por Tite, mas que também escalado como titular da Seleção Brasileira.
Naquele momento, o Grêmio vivia seu ponto alto na temporada depois de atingir uma sequência de oito vitórias - algo inédito na era de Renato Portaluppi - justamente quando Jean Pyerre voltou ao time após uma série de problemas médicos.
— A primeira vez que vi o Jean Pyerre jogar três anos atrás, contra o Atlético-MG, com um time misto e ele jogou de volante. Fiquei impressionado e perguntei: "Quem é esse cara?". E fiquei esperando que ele se torne o craque que imaginei. E quando ele voltou agora a jogar muito bem, falei: "Esse é o jogador que o Brasil precisa", mas ele está tendo muitas dificuldades. Não basta ter talento para ser craque. Tem que ter lucidez dentro e fora de campo, precisa ter outras qualidades, se preparar, ter senso crítico, ter gana de ganhar, de ir atrás das coisas, não ficar esperando que elas cheguem. Ele precisa ter outras qualidades que espero que ele mostre com o tempo — disse, em tom de conselho, Tostão a GZH em janeiro.
Mesmo que nunca tenha tirado a condição de titular de Jean Pyerre apesar das oscilações, o técnico Renato Portaluppi manifestou muitas em entrevistas suas cobranças ao meia. Uma delas é um maior gosto pelo gol com presença mais constante na área adversária.
— O Jean Pyerre foi muito bem porque pisou na área, chutou, cabeceou, fez gol. Se eu cobro diariamente é porque ele tem capacidade de fazer. O Jean é um jogador importante, jovem. Eu passo minha experiência para ajudá-lo da melhor forma. Eu não vou cobrar de um jogador que não possa me dar o que eu quero. Conversamos quase diariamente porque eu quero o bem dele. Se escutar e fizer, a evolução será ainda maior. Quando deixa de fazer é o momento que vocês criticam e eu cobro — declarou Renato após a goleada sobre o Botafogo, quando Jean Pyerre fez um belo gol de falta e deu uma assistência para Alisson.
Companheiro de Renato nas conquistas da Libertadores e do Mundial, em 1983, Osvaldo se diz admirador do atual camisa 10 gremista. O ex-meia, no entanto, admite que Jean Pyerre precisa agregar algumas características ao jogo para ganhar de vez a confiança da torcida.
— Sempre gostei muito de ver o Jean jogar. Ele tem bom passe e finaliza bem de fora da área. É difícil ver no futebol atual um jogador que chute bem de média distância como ele. Ele teve lesões e isso atrapalha o atleta a voltar e se adaptar novamente, mas depende dele. Ele tem de ter a personalidade e jogar. Dentro de campo deve mostrar qualidade, raça. Tem muito jogador que não tem um estilo de marcar ou dar carrinho, mas quando entra dentro de campo precisa superar tudo isso — disse.
Se seguir os conselhos de ex-craques dos calibres de Tostão, Renato Portaluppi e Osvaldo, Jean Pyerre poderá alcançar a marca de 200 jogos pelo Grêmio com uma confiança ainda maior da torcida do que chegará ao 100º no domingo.
Lesões e altos e baixos
Jean Pyerre virou titular do Grêmio quando Renato Portaluppi decidiu afastar Luan da equipe após a derrota para Universidad Católica, pela Libertadores, em maio de 2019. Com bom rendimento, ele se adonou da posição e só deixou o time quando sofreu uma lesão muscular na coxa direita, em setembro. Até ali havia feito 23 jogos, com cinco gols e quatro assistências. A previsão inicial era de uma parada de poucas semanas, mas a contusão foi grave e o meia só voltou a jogar 174 dias depois, em março de 2020.
A busca pelo melhor ritmo foi interrompida com a pandemia. Quatro meses depois, o retorno se deu em grande estilo com o gol que deu a vitória ao Grêmio no Gre-Nal em Caxias do Sul, em julho, que marcou a retomada do Gauchão. Jean Pyerre seguiu na reta final do Estadual, mas conviveu com um problema familiar que o deixou fora de algumas partidas no começo do Brasileirão. Em setembro voltou a sofrer uma lesão muscular na mesma coxa direita e ainda conviveu com a contaminação por covid-19, o que atrasou o seu retorno.
O novo recomeço se deu aos poucos, com entrada no decorrer da partida contra o São Paulo, pelo Brasileirão, quando sentiu um desconforto e demorou 12 dias para atuar novamente. A volta da titularidade veio na vitória sobre o Fluminense, em 8 de novembro no Maracanã.
Já vestindo a camisa 10, Jean Pyerre permaneceu na equipe e voltou a ter boas atuações no período no qual o Grêmio atingiu uma até então inédita sequência de oito vitórias na era Renato Portaluppi, interrompida no empate sem gols com o Corinthians. O compromisso seguinte foi de triunfo gremista de 2 a 0 sobre o Guaraní, no Paraguai, pela Libertadores, com Jean Pyerre anotando um gol.
Na volta contra os paraguaios, em Porto Alegre, o meia deixou o jogo com um desconforto. Embora o Grêmio não tenha confirmado lesão, o problema o tirou do primeiro confronto com o Santos, na Arena, pelas quartas de final do torneio continental. O garoto retornou na Vila Belmiro, mas fez uma de suas piores partidas como profissional, tendo cometido um erro no lance do primeiro gol santista, aos 10 segundos, na eliminação com goleada de 4 a 1.
Desde então, Jean Pyerre não recuperou o bom rendimento mesmo sem ter sofrido novas lesões - ficou fora de três jogos por decisão de Renato Portaluppi de poupá-lo. O camisa 10 até marcou três gols (um deles no Gre-Nal) e deu duas assistências no período.
No total da temporada, Jean Pyerre tem oito gols e três assistências em 37 jogos. Com os problemas musculares e o período de afastamento por conta da covid-19, Jean Pyerre deixou de atuar em 21 partidas na temporada passada e em outras 26 na atual.
As lesões
1- Lesão muscular coxa direita
Setembro de 2019 - 174 dias fora
2- Lesão muscular coxa direita
Setembro de 2020 (teve covid, o que atrasou o retorno) - 44 dias fora (sentiu dores e ficou mais 12 dias fazendo reforço)
3-Desconforto muscular (DM não confirmou lesão)
Dezembro de 2020 - 13 dias fora
Grêmio, Jean Pyerre, Marca
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O atual camisa 10 gremista atingirá a marca em um momento que tem seu futebol sofrendo questionamentos depois de ter passado por uma série de problemas que o afastaram do time por longos períodos entre setembro de 2019 e dezembro do ano passado.
Desde que foi alçado ao time titular por Renato Portaluppi, o nome de Jean Pyerre sempre gerou grandes debates. Nos melhores momentos, o meia empolgou torcida e imprensa, que o projetavam em um futuro próximo na Seleção Brasileira e no radar dos grandes clubes da Europa. Por seu estilo de muita técnica, mas de uma intensidade sem a bola menor do que exige o futebol atual, as críticas nas fases ruins são inversamente proporcionais aos elogios.
O destaque mais eloquente a Jean Pyerre veio nada mais nada menos do que de Tostão. Um dos craques da Seleção Brasileira tricampeã do mundo 1970, ele escreveu em sua coluna no jornal Folha de São Paulo de 29 de novembro do ano passado que o meia gremista deveria não apenas ser convocado por Tite, mas que também escalado como titular da Seleção Brasileira.
Naquele momento, o Grêmio vivia seu ponto alto na temporada depois de atingir uma sequência de oito vitórias - algo inédito na era de Renato Portaluppi - justamente quando Jean Pyerre voltou ao time após uma série de problemas médicos.
— A primeira vez que vi o Jean Pyerre jogar três anos atrás, contra o Atlético-MG, com um time misto e ele jogou de volante. Fiquei impressionado e perguntei: "Quem é esse cara?". E fiquei esperando que ele se torne o craque que imaginei. E quando ele voltou agora a jogar muito bem, falei: "Esse é o jogador que o Brasil precisa", mas ele está tendo muitas dificuldades. Não basta ter talento para ser craque. Tem que ter lucidez dentro e fora de campo, precisa ter outras qualidades, se preparar, ter senso crítico, ter gana de ganhar, de ir atrás das coisas, não ficar esperando que elas cheguem. Ele precisa ter outras qualidades que espero que ele mostre com o tempo — disse, em tom de conselho, Tostão a GZH em janeiro.
Mesmo que nunca tenha tirado a condição de titular de Jean Pyerre apesar das oscilações, o técnico Renato Portaluppi manifestou muitas em entrevistas suas cobranças ao meia. Uma delas é um maior gosto pelo gol com presença mais constante na área adversária.
— O Jean Pyerre foi muito bem porque pisou na área, chutou, cabeceou, fez gol. Se eu cobro diariamente é porque ele tem capacidade de fazer. O Jean é um jogador importante, jovem. Eu passo minha experiência para ajudá-lo da melhor forma. Eu não vou cobrar de um jogador que não possa me dar o que eu quero. Conversamos quase diariamente porque eu quero o bem dele. Se escutar e fizer, a evolução será ainda maior. Quando deixa de fazer é o momento que vocês criticam e eu cobro — declarou Renato após a goleada sobre o Botafogo, quando Jean Pyerre fez um belo gol de falta e deu uma assistência para Alisson.
Companheiro de Renato nas conquistas da Libertadores e do Mundial, em 1983, Osvaldo se diz admirador do atual camisa 10 gremista. O ex-meia, no entanto, admite que Jean Pyerre precisa agregar algumas características ao jogo para ganhar de vez a confiança da torcida.
— Sempre gostei muito de ver o Jean jogar. Ele tem bom passe e finaliza bem de fora da área. É difícil ver no futebol atual um jogador que chute bem de média distância como ele. Ele teve lesões e isso atrapalha o atleta a voltar e se adaptar novamente, mas depende dele. Ele tem de ter a personalidade e jogar. Dentro de campo deve mostrar qualidade, raça. Tem muito jogador que não tem um estilo de marcar ou dar carrinho, mas quando entra dentro de campo precisa superar tudo isso — disse.
Se seguir os conselhos de ex-craques dos calibres de Tostão, Renato Portaluppi e Osvaldo, Jean Pyerre poderá alcançar a marca de 200 jogos pelo Grêmio com uma confiança ainda maior da torcida do que chegará ao 100º no domingo.
Lesões e altos e baixos
Jean Pyerre virou titular do Grêmio quando Renato Portaluppi decidiu afastar Luan da equipe após a derrota para Universidad Católica, pela Libertadores, em maio de 2019. Com bom rendimento, ele se adonou da posição e só deixou o time quando sofreu uma lesão muscular na coxa direita, em setembro. Até ali havia feito 23 jogos, com cinco gols e quatro assistências. A previsão inicial era de uma parada de poucas semanas, mas a contusão foi grave e o meia só voltou a jogar 174 dias depois, em março de 2020.
A busca pelo melhor ritmo foi interrompida com a pandemia. Quatro meses depois, o retorno se deu em grande estilo com o gol que deu a vitória ao Grêmio no Gre-Nal em Caxias do Sul, em julho, que marcou a retomada do Gauchão. Jean Pyerre seguiu na reta final do Estadual, mas conviveu com um problema familiar que o deixou fora de algumas partidas no começo do Brasileirão. Em setembro voltou a sofrer uma lesão muscular na mesma coxa direita e ainda conviveu com a contaminação por covid-19, o que atrasou o seu retorno.
O novo recomeço se deu aos poucos, com entrada no decorrer da partida contra o São Paulo, pelo Brasileirão, quando sentiu um desconforto e demorou 12 dias para atuar novamente. A volta da titularidade veio na vitória sobre o Fluminense, em 8 de novembro no Maracanã.
Já vestindo a camisa 10, Jean Pyerre permaneceu na equipe e voltou a ter boas atuações no período no qual o Grêmio atingiu uma até então inédita sequência de oito vitórias na era Renato Portaluppi, interrompida no empate sem gols com o Corinthians. O compromisso seguinte foi de triunfo gremista de 2 a 0 sobre o Guaraní, no Paraguai, pela Libertadores, com Jean Pyerre anotando um gol.
Na volta contra os paraguaios, em Porto Alegre, o meia deixou o jogo com um desconforto. Embora o Grêmio não tenha confirmado lesão, o problema o tirou do primeiro confronto com o Santos, na Arena, pelas quartas de final do torneio continental. O garoto retornou na Vila Belmiro, mas fez uma de suas piores partidas como profissional, tendo cometido um erro no lance do primeiro gol santista, aos 10 segundos, na eliminação com goleada de 4 a 1.
Desde então, Jean Pyerre não recuperou o bom rendimento mesmo sem ter sofrido novas lesões - ficou fora de três jogos por decisão de Renato Portaluppi de poupá-lo. O camisa 10 até marcou três gols (um deles no Gre-Nal) e deu duas assistências no período.
No total da temporada, Jean Pyerre tem oito gols e três assistências em 37 jogos. Com os problemas musculares e o período de afastamento por conta da covid-19, Jean Pyerre deixou de atuar em 21 partidas na temporada passada e em outras 26 na atual.
As lesões
1- Lesão muscular coxa direita
Setembro de 2019 - 174 dias fora
2- Lesão muscular coxa direita
Setembro de 2020 (teve covid, o que atrasou o retorno) - 44 dias fora (sentiu dores e ficou mais 12 dias fazendo reforço)
3-Desconforto muscular (DM não confirmou lesão)
Dezembro de 2020 - 13 dias fora
Grêmio, Jean Pyerre, Marca
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Comentários
Comentários (1)
100 jogos? Eu não o vi em 50 jogos quando não está lesionado está dormindo dentro de campo
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