Foto: Jefferson Botega / Agencia RBS
Amigos reunidos outra vez, pais e filhos juntos no estádio, irmãos lado a lado, casais de mãos dadas, com suas camisetas azuis e vermelhas. O Gre-Nal 404 terá algo de retomada dos tempos românticos do futebol. Eles serão uma ilha. Apenas mil colorados e mil gremistas em uma parte da arquibancada, mas que poderão fazer história e mudar os rumos do clássico gaúcho, resgatando o convívio entre diferentes e a civilidade.
— Não faz sentido eu ir com o meu marido até a porta do estádio, dar um beijo e me despedir dele porque não podemos sentar lado a lado e torcer para times diferentes. Ir disfarçada em uma festa como o Gre-Nal é absurdo. Tomara que tudo dê certo e que, no próximo clássico, no Beira-Rio ou na Arena, a torcida mista se expanda para todo o estádio — pondera a colorada e professora de inglês Diéssi Marcico de Souza, 31 anos.
Diéssi e Hugo voltam ao Beira-Rio, desta vez juntos | Foto: Jefferson Botega/Agência RBS
Diéssi comprou um dos últimos bilhetes para a área mista. Pela primeira vez, poderá irá ao clássico com o marido, o gremista e advogado Hugo Motta, 31. O casal, que apesar do entusiasmo acredita em empate nesse domingo, esteve apenas uma vez em um Gre-Nal. No Beira-Rio. Diéssi, fardada, foi com os pais na superior. Hugo, à paisana, ficou na inferior, em meio aos colorados.
— Foi uma sensação horrível. Ainda perdemos o jogo. Dessa vez, vou ao Beira-Rio com a camisa do Grêmio e para torcer e comemorar os gols do meu time — diz Hugo. — Faremos o Caminho do Gol e levarei apenas a camisa do Grêmio. Não acredito que terei problemas andando entre os colorados. Tenho certeza de que teremos um clima de cordialidade — aposta o gremista.
Na casa dos Garcias Nunes, o ineditismo do clássico empolga as irmãs Laura, 23, e Sofia, 12. A primogênita, colorada e advogada, correu para conseguir o "bilhete premiado", quase um passe para a Fantástica Fábrica de Chocolates, de Willy Wonka. Sorrisão que parece não caber em um só rosto, a tricolor Sofia comemora a primeira vez na mesma arquibancada com Laura. E podendo torcer para o time do coração.
Irmãs Laura e Sofia são pura alegria com o ingresso para o clássico | Foto: Carlos Macedo/Agência RBS
— Estou muito, muito, muito feliz de ir com a Laura ao Gre-Nal. Já fui a Gre-Nal, mas nunca no Beira-Rio, nem com ela. Faremos um festival de selfies — vibra a caçula, aluna da sétima série do Colégio Israelita.
Laura frequenta o Beira-Rio desde 2009, quando se associou ao Inter. É acostumada ao estádio. Porém, nem isto a livrará de fazer um minuto a minuto pelo telefone para a mãe, Maria Izabel.
- Vamos ter que avisar o tempo todo: na chegada ao estádio, intervalo, fim de jogo e na saída. Ela está preocupada, mas eu disse para a mãe que será uma tranquilidade só na arquibancada mista — conta Laura.
Como deve ser entre irmãos, as gurias discordam do resultado e acreditam em um 2 a 1. No caso, o mesmo placar para cada um de seus times.
Será o Gre-Nal também dos genros e dos sogros. De Canoas, o colorado Richard Alvarenga, 42, trará o gremista (e pai da Marcela, mulher do Richard) Evaldo Migliavacca, 64. Veterano em Gre-Nais, o microempresário frequenta o clássico desde os anos 60. Como Migliavacca iria ao jogo de qualquer maneira, "até na geral do Inter", o genro decidiu fazer um agrado e levá-lo ao Beira-Rio.
Richard e o sogro Evaldo vão fardados no Caminho do Gol | Foto: Carlos Macedo/Agência RBS
— Já fui duas vezes com ele a Gre-Nais no Olímpico. No meio deles, de camisa branca e mudo. Agora, ele vai conhecer o novo Beira-Rio. E, felizmente, poderá vestir a camisa do Grêmio — lembra Richard.
Apesar da confiança em uma partida sem incidentes, o colorado gostaria que o gremista fosse com uma camisa branca, pelo Caminho do Gol, até chegar à arquibancada. Foi contrariado por Evaldo, que promete sair de casa já com o "manto tricolor".
— Esse jogo será fundamental para que as torcidas voltem a conviver. Vou com a minha camisa do Grêmio, dos anos 90 mesmo, com patrocínio antigo. Se eu apanhar, espero que o Richard seja solidário e apanhe junto — diverte-se o sogro. — Mas tenho certeza de que nada de grava acontecerá — finaliza.
Para os irmãos Brenner Pereira Ferrão, 33, e Fábio Toledo Ferrão, 38, o clássico será uma espécie de homenagem ao pai. Breno Borges Ferrão morreu em 2012, aos 75 anos. Era colorado, como Brenner, e sempre quis ver os guris juntos no estádio. Não conseguiu. Agora, o Gre-Nal 404 realizará o sonho da família.
Brenner e Fábio vão homenagear o pai com a presença no Beira-Rio | Foto: Jefferson Botega/Agência RBS
— Quando li sobre a arquibancada mista, pensei na hora que o pai gostaria de nos ver no estádio, mesmo sendo um colorado e outro gremista. Pensei no pai na hora de comprar o ingresso — recorda o colorado Brenner, nascido em Belo Horizonte.
— Não tinha como dizer não para um convite destes. Mesmo que o meu time esteja em um momento ruim, precisava ir a esse Gre-Nal — relata o gremista Fábio.
A gerente da Central de Atendimento ao Sócio do Inter, Angélica Danoski, entusiasta da torcida mista, já se divertiu antes mesmo do clássico. Ao comprar o ingresso, o sócio colorado precisava preencher um termo de compromisso, com regras de comportamento para levar um torcedor gremista ao Beira-Rio. No verso da folha, era solicitada a matrícula do associado, o grau de parentesco (ou de amizade) com o convidado, além de justificar o que motivou a escolha. E há pérolas, como a explicação de um pai colorado ao levar o filho gremista:
— É meu filho, mas é gremista doente. Vou trazê-lo para dar um remédio. Para ele sair daqui bem tratado.
Ou esta, da mulher para o marido:
— É gremista, mas amo ele mesmo assim.
Angélica observa que um clima de boa vizinhança se verificou já na compra dos ingressos:
— Pelas respostas, percebemos que houve carinho nestes convites. Todos levarão pessoas que estimam muito. Acredito que nossa área mista será um sucesso.
Será um domingo de arquibancada dividida entre azuis e vermelhos, como nos velhos tempos, quando exercíamos a camaradagem. Quando saíamos do clássico tocando e aceitando a flauta. Sem brigas. Quando ninguém pensava em fechar o estádio para apenas uma torcida.
O futuro do Gre-Nal passa pelo setor misto.
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Amigos reunidos outra vez, pais e filhos juntos no estádio, irmãos lado a lado, casais de mãos dadas, com suas camisetas azuis e vermelhas. O Gre-Nal 404 terá algo de retomada dos tempos românticos do futebol. Eles serão uma ilha. Apenas mil colorados e mil gremistas em uma parte da arquibancada, mas que poderão fazer história e mudar os rumos do clássico gaúcho, resgatando o convívio entre diferentes e a civilidade.
— Não faz sentido eu ir com o meu marido até a porta do estádio, dar um beijo e me despedir dele porque não podemos sentar lado a lado e torcer para times diferentes. Ir disfarçada em uma festa como o Gre-Nal é absurdo. Tomara que tudo dê certo e que, no próximo clássico, no Beira-Rio ou na Arena, a torcida mista se expanda para todo o estádio — pondera a colorada e professora de inglês Diéssi Marcico de Souza, 31 anos.
Diéssi e Hugo voltam ao Beira-Rio, desta vez juntos | Foto: Jefferson Botega/Agência RBSDiéssi comprou um dos últimos bilhetes para a área mista. Pela primeira vez, poderá irá ao clássico com o marido, o gremista e advogado Hugo Motta, 31. O casal, que apesar do entusiasmo acredita em empate nesse domingo, esteve apenas uma vez em um Gre-Nal. No Beira-Rio. Diéssi, fardada, foi com os pais na superior. Hugo, à paisana, ficou na inferior, em meio aos colorados.
— Foi uma sensação horrível. Ainda perdemos o jogo. Dessa vez, vou ao Beira-Rio com a camisa do Grêmio e para torcer e comemorar os gols do meu time — diz Hugo. — Faremos o Caminho do Gol e levarei apenas a camisa do Grêmio. Não acredito que terei problemas andando entre os colorados. Tenho certeza de que teremos um clima de cordialidade — aposta o gremista.
Na casa dos Garcias Nunes, o ineditismo do clássico empolga as irmãs Laura, 23, e Sofia, 12. A primogênita, colorada e advogada, correu para conseguir o "bilhete premiado", quase um passe para a Fantástica Fábrica de Chocolates, de Willy Wonka. Sorrisão que parece não caber em um só rosto, a tricolor Sofia comemora a primeira vez na mesma arquibancada com Laura. E podendo torcer para o time do coração.
Irmãs Laura e Sofia são pura alegria com o ingresso para o clássico | Foto: Carlos Macedo/Agência RBS— Estou muito, muito, muito feliz de ir com a Laura ao Gre-Nal. Já fui a Gre-Nal, mas nunca no Beira-Rio, nem com ela. Faremos um festival de selfies — vibra a caçula, aluna da sétima série do Colégio Israelita.
Laura frequenta o Beira-Rio desde 2009, quando se associou ao Inter. É acostumada ao estádio. Porém, nem isto a livrará de fazer um minuto a minuto pelo telefone para a mãe, Maria Izabel.
- Vamos ter que avisar o tempo todo: na chegada ao estádio, intervalo, fim de jogo e na saída. Ela está preocupada, mas eu disse para a mãe que será uma tranquilidade só na arquibancada mista — conta Laura.
Como deve ser entre irmãos, as gurias discordam do resultado e acreditam em um 2 a 1. No caso, o mesmo placar para cada um de seus times.
Será o Gre-Nal também dos genros e dos sogros. De Canoas, o colorado Richard Alvarenga, 42, trará o gremista (e pai da Marcela, mulher do Richard) Evaldo Migliavacca, 64. Veterano em Gre-Nais, o microempresário frequenta o clássico desde os anos 60. Como Migliavacca iria ao jogo de qualquer maneira, "até na geral do Inter", o genro decidiu fazer um agrado e levá-lo ao Beira-Rio.
Richard e o sogro Evaldo vão fardados no Caminho do Gol | Foto: Carlos Macedo/Agência RBS— Já fui duas vezes com ele a Gre-Nais no Olímpico. No meio deles, de camisa branca e mudo. Agora, ele vai conhecer o novo Beira-Rio. E, felizmente, poderá vestir a camisa do Grêmio — lembra Richard.
Apesar da confiança em uma partida sem incidentes, o colorado gostaria que o gremista fosse com uma camisa branca, pelo Caminho do Gol, até chegar à arquibancada. Foi contrariado por Evaldo, que promete sair de casa já com o "manto tricolor".
— Esse jogo será fundamental para que as torcidas voltem a conviver. Vou com a minha camisa do Grêmio, dos anos 90 mesmo, com patrocínio antigo. Se eu apanhar, espero que o Richard seja solidário e apanhe junto — diverte-se o sogro. — Mas tenho certeza de que nada de grava acontecerá — finaliza.
Para os irmãos Brenner Pereira Ferrão, 33, e Fábio Toledo Ferrão, 38, o clássico será uma espécie de homenagem ao pai. Breno Borges Ferrão morreu em 2012, aos 75 anos. Era colorado, como Brenner, e sempre quis ver os guris juntos no estádio. Não conseguiu. Agora, o Gre-Nal 404 realizará o sonho da família.
Brenner e Fábio vão homenagear o pai com a presença no Beira-Rio | Foto: Jefferson Botega/Agência RBS— Quando li sobre a arquibancada mista, pensei na hora que o pai gostaria de nos ver no estádio, mesmo sendo um colorado e outro gremista. Pensei no pai na hora de comprar o ingresso — recorda o colorado Brenner, nascido em Belo Horizonte.
— Não tinha como dizer não para um convite destes. Mesmo que o meu time esteja em um momento ruim, precisava ir a esse Gre-Nal — relata o gremista Fábio.
A gerente da Central de Atendimento ao Sócio do Inter, Angélica Danoski, entusiasta da torcida mista, já se divertiu antes mesmo do clássico. Ao comprar o ingresso, o sócio colorado precisava preencher um termo de compromisso, com regras de comportamento para levar um torcedor gremista ao Beira-Rio. No verso da folha, era solicitada a matrícula do associado, o grau de parentesco (ou de amizade) com o convidado, além de justificar o que motivou a escolha. E há pérolas, como a explicação de um pai colorado ao levar o filho gremista:
— É meu filho, mas é gremista doente. Vou trazê-lo para dar um remédio. Para ele sair daqui bem tratado.
Ou esta, da mulher para o marido:
— É gremista, mas amo ele mesmo assim.
Angélica observa que um clima de boa vizinhança se verificou já na compra dos ingressos:
— Pelas respostas, percebemos que houve carinho nestes convites. Todos levarão pessoas que estimam muito. Acredito que nossa área mista será um sucesso.
Será um domingo de arquibancada dividida entre azuis e vermelhos, como nos velhos tempos, quando exercíamos a camaradagem. Quando saíamos do clássico tocando e aceitando a flauta. Sem brigas. Quando ninguém pensava em fechar o estádio para apenas uma torcida.
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