Foto: Caco Konzen / Especial
O Grêmio parece andar em círculos neste começo de 2015. Passadas duas rodadas do Gauchão, Felipão está longe de atingir a meta de iniciar a competição com uma equipe definida.
Cada jogo abre um buraco na convicção do técnico. Circunstâncias que fogem ao seu controle o fazem voltar atrás naquilo que já parecia definido. O caso dos dois centroavantes é emblemático.
Felipão relutou em escalar Marcelo Moreno e Barcos lado a lado. Quando, enfim, se decidiu por isso, o argentino foi negociado com o futebol chinês. Com bom desempenho contra o União Frederiquense, Everton habilitou-se a herdar a vaga. Com isso, a equipe ganharia uma jogada de velocidade no ataque. Felipão, porém, apostou em Lucas Coelho. Mas deverá rever seus planos depois do jogo contra o Aimoré.
Especialistas consultados por Zero Hora entendem que só há sentido em escalar dois centroavantes caso ambos apresentem qualidade superior. Avaliam que, sem o preenchimento desse requisito, o melhor é usar jogadores com características distintas.
Outra incerteza é sobre o que é melhor para o meio-campo: a experiência de Douglas ou a ousadia de Lincoln? O garoto de 16 anos parece pedir passagem. É bom de dribles e assistências e não retira a velocidade da equipe. Depois de muitos anos, devolve aos torcedores a esperança de uma estrela formada em casa.
É pouco provável, porém, que o técnico abdique de escalar o meia que só chegou à Arena por recomendação sua. Apesar da apatia do ex-vascaíno no jogo no Cristo Rei. Com o retorno de Wallace da seleção sub-20, a primeira posição no meio deverá ter um novo dono já na próxima semana. Mas já há quem prefira um setor com três volantes, o que daria maior resguardo defensivo.
A rigor, o próprio técnico se vê no meio de uma incerteza quanto ao seu futuro, no caso de uma nova investida japonesa.
A torcida faz força para compreender o discurso de contenção de despesas, em nome de um futuro mais estável. Entende que a condição física nunca é a ideal no início de uma temporada. Ao mesmo tempo, olha para o lado e vê clubes como Corinthians e São Paulo iniciando o ano com goleadas e sonha com algo parecido para seu clube.
Diante das velhas e novas indagações, ZH ouviu três nomes que conhecem bem o Grêmio para saber o que pensam das questões que cercam o preocupante início de ano:
1) Sem Barcos, vale a pena seguir jogando com dois centroavantes?
Antônio Vicente Martins, ex-vice de futebol
"Acho que não, porque não temos dois centroavantes de extrema qualidade. É melhor apostar em um jogador de velocidade ao lado de uma referência na área."
Cláudio Duarte, treinador
"É uma questão de alternativa. Eu, por característica, acho que é preferível um homem de meio chegando do que um fazendo dupla. Qualquer um dos dois centroavantes terá dificuldade para armar. É melhor ter só um de costas para os zagueiros do que dois."
Rodrigo Mendes, ex-jogador
"Felipão é muito fiel às suas convicções. Acho que seguirá com dois centroavantes. Mas é preciso ter sequência. O problema é não contar mais com Barcos, que foi muito importante no ano passado. E Marcelo Moreno não queria voltar."
2) O que fazer para tentar melhorar o rendimento ofensivo?
Antônio Vicente Martins
"É difícil falar sem estar lá dentro. Mas o Grêmio fez um desmanche muito grande no futebol. E isso tem um preço que vai ser pago. Além disso, o clube enterrou muito dinheiro nos últimos anos. A solução é fazer contratações corretas."
Cláudio Duarte
"O falecido Ênio Andrade, que era considerado um estrategista, sempre dizia que enquanto não se ganhar o meio de campo não se tem possibilidade de controlar o jogo. Só se tem um ataque forte quando se chega fortemente na frente. Se não, a bola não chega com qualidade."
Rodrigo Mendes
"É preciso ter saída de jogo pelas laterais e um meio-campo consistente. Fellipe Bastos é um bom jogador, chuta forte, foi um dos destaques no ano passado. Mas é preciso ter mais jogadores no meio para municiar os atacantes."
3) Quem é melhor para aumentar a criatividade do meio campo, Douglas ou Lincoln?
Antônio Vicente Martins
"São dois bons jogadores. Mas os jovens precisam ser lançados e amadurecidos. É errado apostar neles como solução. Pode se jogar no lixo um excelente material humano. Uma vaia num erro pode acarretar em prejuízo irreparável."
Cláudio Duarte
"É uma preferência pessoal. Eu não teria a ousadia ou a audácia de opinar sobre isso. Cada treinador tem as suas preferências e, em cima disso, estabelece sua estratégia."
Rodrigo Mendes
"Todos conhecem a qualidade técnica apurada de Douglas. Mas se bate muito na questão ísica e na idade, apesar de só ter 32 anos e não poder ser considerado velho. Felipão está montando um time para ser campeão gaúcho e depois dar uma cartada na Copa do Brasil. Acho que jogará o mais experiente, que é Douglas."
4) O time vai crescer quando voltarem Giuliano, Wallace, Geromel e Ramiro?
Antônio Vicente Martins
"Sem dúvida. Ramiro é jovem, mas tem personalidade. Wallace também já demonstrou isso."
Cláudio Duarte
"Sim. Mas a ideia básica era ter um grupo forte no aspecto de reposição. Os meninos não seriam testados lá na frente. Surgiu a chance e já estão sendo avaliados e pegando experiência agora. Os outros já sabemos como será o rendimento. Nem todos os garotos vão dar certo, mas alguns darão."
Rodrigo Mendes
"Com certeza. Mas acho que Giuliano ainda irá demorar até ficar 100% depois da cirurgia. Wallace voltará com muita confiança da seleção sub-20."
5) Felipão está focado ou pode estar negociando com o Japão?
Antônio Vicente Martins
"Espero que esteja focado. Talvez seja o único ponto positivo do futebol do Grêmio, com sua capacidade de mobilização e interação com o torcedor."
Cláudio Duarte
"Pelo que tenho acompanhado de longe, noto uma dedicação extrema. Suas manifestações também mostram que está focado."
Rodrigo Mendes,/b>
"Eu o vejo muito focado. Se tivesse que sair, já teria saído. Está querendo provar para ele mesmo e para todos que ainda é capaz. Acho que ele não deveria sair."
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O Grêmio parece andar em círculos neste começo de 2015. Passadas duas rodadas do Gauchão, Felipão está longe de atingir a meta de iniciar a competição com uma equipe definida.
Cada jogo abre um buraco na convicção do técnico. Circunstâncias que fogem ao seu controle o fazem voltar atrás naquilo que já parecia definido. O caso dos dois centroavantes é emblemático.
Felipão relutou em escalar Marcelo Moreno e Barcos lado a lado. Quando, enfim, se decidiu por isso, o argentino foi negociado com o futebol chinês. Com bom desempenho contra o União Frederiquense, Everton habilitou-se a herdar a vaga. Com isso, a equipe ganharia uma jogada de velocidade no ataque. Felipão, porém, apostou em Lucas Coelho. Mas deverá rever seus planos depois do jogo contra o Aimoré.
Especialistas consultados por Zero Hora entendem que só há sentido em escalar dois centroavantes caso ambos apresentem qualidade superior. Avaliam que, sem o preenchimento desse requisito, o melhor é usar jogadores com características distintas.
Outra incerteza é sobre o que é melhor para o meio-campo: a experiência de Douglas ou a ousadia de Lincoln? O garoto de 16 anos parece pedir passagem. É bom de dribles e assistências e não retira a velocidade da equipe. Depois de muitos anos, devolve aos torcedores a esperança de uma estrela formada em casa.
É pouco provável, porém, que o técnico abdique de escalar o meia que só chegou à Arena por recomendação sua. Apesar da apatia do ex-vascaíno no jogo no Cristo Rei. Com o retorno de Wallace da seleção sub-20, a primeira posição no meio deverá ter um novo dono já na próxima semana. Mas já há quem prefira um setor com três volantes, o que daria maior resguardo defensivo.
A rigor, o próprio técnico se vê no meio de uma incerteza quanto ao seu futuro, no caso de uma nova investida japonesa.
A torcida faz força para compreender o discurso de contenção de despesas, em nome de um futuro mais estável. Entende que a condição física nunca é a ideal no início de uma temporada. Ao mesmo tempo, olha para o lado e vê clubes como Corinthians e São Paulo iniciando o ano com goleadas e sonha com algo parecido para seu clube.
Diante das velhas e novas indagações, ZH ouviu três nomes que conhecem bem o Grêmio para saber o que pensam das questões que cercam o preocupante início de ano:
1) Sem Barcos, vale a pena seguir jogando com dois centroavantes?
Antônio Vicente Martins, ex-vice de futebol
"Acho que não, porque não temos dois centroavantes de extrema qualidade. É melhor apostar em um jogador de velocidade ao lado de uma referência na área."
Cláudio Duarte, treinador
"É uma questão de alternativa. Eu, por característica, acho que é preferível um homem de meio chegando do que um fazendo dupla. Qualquer um dos dois centroavantes terá dificuldade para armar. É melhor ter só um de costas para os zagueiros do que dois."
Rodrigo Mendes, ex-jogador
"Felipão é muito fiel às suas convicções. Acho que seguirá com dois centroavantes. Mas é preciso ter sequência. O problema é não contar mais com Barcos, que foi muito importante no ano passado. E Marcelo Moreno não queria voltar."
2) O que fazer para tentar melhorar o rendimento ofensivo?
Antônio Vicente Martins
"É difícil falar sem estar lá dentro. Mas o Grêmio fez um desmanche muito grande no futebol. E isso tem um preço que vai ser pago. Além disso, o clube enterrou muito dinheiro nos últimos anos. A solução é fazer contratações corretas."
Cláudio Duarte
"O falecido Ênio Andrade, que era considerado um estrategista, sempre dizia que enquanto não se ganhar o meio de campo não se tem possibilidade de controlar o jogo. Só se tem um ataque forte quando se chega fortemente na frente. Se não, a bola não chega com qualidade."
Rodrigo Mendes
"É preciso ter saída de jogo pelas laterais e um meio-campo consistente. Fellipe Bastos é um bom jogador, chuta forte, foi um dos destaques no ano passado. Mas é preciso ter mais jogadores no meio para municiar os atacantes."
3) Quem é melhor para aumentar a criatividade do meio campo, Douglas ou Lincoln?
Antônio Vicente Martins
"São dois bons jogadores. Mas os jovens precisam ser lançados e amadurecidos. É errado apostar neles como solução. Pode se jogar no lixo um excelente material humano. Uma vaia num erro pode acarretar em prejuízo irreparável."
Cláudio Duarte
"É uma preferência pessoal. Eu não teria a ousadia ou a audácia de opinar sobre isso. Cada treinador tem as suas preferências e, em cima disso, estabelece sua estratégia."
Rodrigo Mendes
"Todos conhecem a qualidade técnica apurada de Douglas. Mas se bate muito na questão ísica e na idade, apesar de só ter 32 anos e não poder ser considerado velho. Felipão está montando um time para ser campeão gaúcho e depois dar uma cartada na Copa do Brasil. Acho que jogará o mais experiente, que é Douglas."
4) O time vai crescer quando voltarem Giuliano, Wallace, Geromel e Ramiro?
Antônio Vicente Martins
"Sem dúvida. Ramiro é jovem, mas tem personalidade. Wallace também já demonstrou isso."
Cláudio Duarte
"Sim. Mas a ideia básica era ter um grupo forte no aspecto de reposição. Os meninos não seriam testados lá na frente. Surgiu a chance e já estão sendo avaliados e pegando experiência agora. Os outros já sabemos como será o rendimento. Nem todos os garotos vão dar certo, mas alguns darão."
Rodrigo Mendes
"Com certeza. Mas acho que Giuliano ainda irá demorar até ficar 100% depois da cirurgia. Wallace voltará com muita confiança da seleção sub-20."
5) Felipão está focado ou pode estar negociando com o Japão?
Antônio Vicente Martins
"Espero que esteja focado. Talvez seja o único ponto positivo do futebol do Grêmio, com sua capacidade de mobilização e interação com o torcedor."
Cláudio Duarte
"Pelo que tenho acompanhado de longe, noto uma dedicação extrema. Suas manifestações também mostram que está focado."
Rodrigo Mendes,/b>
"Eu o vejo muito focado. Se tivesse que sair, já teria saído. Está querendo provar para ele mesmo e para todos que ainda é capaz. Acho que ele não deveria sair."
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