Foto: Mauro Vieira / Agencia RBS
Quer puxar assunto com Luan? Comece pelo Racionais MC's. Se conhecer os raps na íntegra, por mais extensas que sejam as letras, ganhou pontos. O tímido atacante do Grêmio só se abre mesmo quando fala no grupo que povoou sua infância pobre em São José do Rio Preto, interior paulista. E é o seu preferido até hoje, nas concentrações e horas de folga.
Órfão de pai desde os quatro anos, Luan passou a ter na mãe, Márcia, a melhor companhia. Emociona-se quando ouve o refrão "Enquanto eu viver, a senhora nunca mais sofre", da canção Eu Sou 157. Fica feliz por tê-la ajudado a melhorar de vida.
— Minha mãe sempre fez de tudo para mim. Quando não estava trabalhando, me levava para treinar na escolinha do Tanabi — conta
Escalado para o jogo deste domingo, em Salvador, contra o Bahia, Luan diz ter amadurecido em 2014. Admite que a melhor fase foi vivida no primeiro semestre, durante a Libertadores, quando seus dribles e arrancadas verticais encantavam a torcida, até sofrer a fratura na mão direita.
— Na volta, fiquei com um pouquinho de medo — confessa.
Se a técnica anda um pouco sumida, a compensação, diz o jogador, veio com o aprimoramento tático, aprendizado obtido com Felipão. "Ele diz que a gente tem de jogar para o time".
Luan projeta vida longa no Grêmio, mesmo que os dólares de uma possível venda para o Exterior possam auxiliar no equilíbrio financeiro do clube. Se a permanência for com Libertadores, melhor. Para isso, será preciso ajudar o Grêmio a ganhar do Bahia e torcer por insucesso do Corinthians contra o Fluminense.
Veja outros trechos da entrevista:
Como é sair do Interior de São Paulo e virar titular do Grêmio?
Cheguei em fevereiro de 2013. Para mim, foi muito rápido. Foi muito bom, aprendi muitas coisas para evoluir no futebol.
De praticamente desconhecido, passou a ser uma pessoa pública.
Tudo mudou bastante em pouco tempo. Tem que ter cabeça para lidar com isso. Morei uns oito meses no alojamento do Olímpico, depois mudei para Eldorado do Sul. Hoje moro em um apartamento perto do Hospital Mãe de Deus.
Quando passou a desenvolver este drible vertical?
Foi desde o futsal. Sempre foi uma característica minha. Depois, aprimorei mais um pouquinho.
Como foi a transição do futsal para o campo?
Para mim, foi tranquilo, eu já vinha jogando na várzea na minha cidade, São José do Rio Preto (em São Paulo). A várzea te dá malandragem.
A fratura na mão, no início do ano, interferiu em seu rendimento?
Toda lesão, quando a gente volta, tem um pouquinho de receio, medo, isso é do ser humano. No começo, tive medo, mas depois fiquei tranquilo.
As críticas pela queda de rendimento foram injustas?
A gente tira de letra. Muitas pessoas não enxergam o que acontece aqui no dia a dia. Falar é fácil para quem está de fora. Mas, graças a Deus, pude trabalhar para dar o meu melhor.
Às vezes, não se cobra demais de um garoto?
Independente de ser novo ou velho, se entrou em campo, você tem toda a responsabilidade. Encaro dessa forma. Cobrança é normal, tem que existir.
O melhor Luan é o do início do ano ou o atual?
O do começo do ano. Agora, eu estou mais completo e entendo mais as funções táticas. Mas na Libertadores eu estava muito bem. Vou trabalhar para buscar aquele nível e jogar ainda melhor.
O que Felipão acrescentou ao teu futebol?
Acrescentou muito. Enderson também agregou. Quando subi da base, não tinha muita experiência e ele conversou bastante comigo. Com Felipão não foi diferente, evoluí muito na parte tática.
Como você explica este entrosamento com Dudu?
Foi muito rápido. Ele é uma ótima pessoa, parceiro dentro e fora de campo. Fica mais fácil, a gente realmente se dá muito bem.
Como foi fazer seu primeiro gol em Gre-Nal?
Foi um alívio pra todo o time. Para mim, um gol importante. Marcou bastante por ser em um clássico.
Qual foi o efeito daquela goleada para o grupo?
Ah, ajudou bastante, com certeza. Já estava engasgado. A vitória nos deu um ânimo para seguir trabalhando mais forte.
Não houve uma reversão de expectativa?A vaga na Libertadores estava próxima.
Perdemos dois jogos no detalhe. Jogamos muito bem. Estamos um pouco longe, mas temos que acreditar até o último jogo.
Como é o assédio dos clubes europeus. Você pensa em sair?
Ah, deixo de lado. Só vou pensar a partir do momento em que vier a proposta. Não há nada ainda, o pensamento está só aqui.
Prefere, antes, uma longa carreira no Grêmio?
Ainda não quero sair, continuar aqui é o meu desejo. Deixo tudo na mão do meu empresário.
Jogar com Barcos contribuiu em sua afirmação?
Me ajudou muito no início. Posicionamento, como lidar com pressão. Conversamos bastante, ele me passa tranquilidade, tem experiência.
Você já sonha com a Olimpíada?
Sempre sonhamos. Mas estou tranquilo, ainda vai demorar um pouquinho, primeiramente quero pensar no Grêmio.
O ouro inédito na Olimpíada te motiva?
Com certeza. É uma chance de entrar para a história. Seria minha primeira Olimpíada também. A gente fica ansioso para jogar.
Qual é a diferença entre a Seleção Olímpica e o Grêmio?
Os adversários mudam. No Brasileirão, você é mais observado. Na Seleção, os adversários não te conhecem tanto. Aqui, sem dúvida, é mais difícil.
Te imagina fazendo o gol da medalha de ouro?
Seria maravilhoso, né. Quem sabe? Tenho de trabalhar para isso. Mas preciso estar lá, né.
Você tem diversas tatuagens. Sempre gostou?
Comecei a fazer quando morava em São Paulo ainda. Faz tempo já (risos). Gosto muito. Representam minha crença religiosa e a ligação com a minha família.
VEJA TAMBÉM
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Quer puxar assunto com Luan? Comece pelo Racionais MC's. Se conhecer os raps na íntegra, por mais extensas que sejam as letras, ganhou pontos. O tímido atacante do Grêmio só se abre mesmo quando fala no grupo que povoou sua infância pobre em São José do Rio Preto, interior paulista. E é o seu preferido até hoje, nas concentrações e horas de folga.
Órfão de pai desde os quatro anos, Luan passou a ter na mãe, Márcia, a melhor companhia. Emociona-se quando ouve o refrão "Enquanto eu viver, a senhora nunca mais sofre", da canção Eu Sou 157. Fica feliz por tê-la ajudado a melhorar de vida.
— Minha mãe sempre fez de tudo para mim. Quando não estava trabalhando, me levava para treinar na escolinha do Tanabi — conta
Escalado para o jogo deste domingo, em Salvador, contra o Bahia, Luan diz ter amadurecido em 2014. Admite que a melhor fase foi vivida no primeiro semestre, durante a Libertadores, quando seus dribles e arrancadas verticais encantavam a torcida, até sofrer a fratura na mão direita.
— Na volta, fiquei com um pouquinho de medo — confessa.
Se a técnica anda um pouco sumida, a compensação, diz o jogador, veio com o aprimoramento tático, aprendizado obtido com Felipão. "Ele diz que a gente tem de jogar para o time".
Luan projeta vida longa no Grêmio, mesmo que os dólares de uma possível venda para o Exterior possam auxiliar no equilíbrio financeiro do clube. Se a permanência for com Libertadores, melhor. Para isso, será preciso ajudar o Grêmio a ganhar do Bahia e torcer por insucesso do Corinthians contra o Fluminense.
Veja outros trechos da entrevista:
Como é sair do Interior de São Paulo e virar titular do Grêmio?
Cheguei em fevereiro de 2013. Para mim, foi muito rápido. Foi muito bom, aprendi muitas coisas para evoluir no futebol.
De praticamente desconhecido, passou a ser uma pessoa pública.
Tudo mudou bastante em pouco tempo. Tem que ter cabeça para lidar com isso. Morei uns oito meses no alojamento do Olímpico, depois mudei para Eldorado do Sul. Hoje moro em um apartamento perto do Hospital Mãe de Deus.
Quando passou a desenvolver este drible vertical?
Foi desde o futsal. Sempre foi uma característica minha. Depois, aprimorei mais um pouquinho.
Como foi a transição do futsal para o campo?
Para mim, foi tranquilo, eu já vinha jogando na várzea na minha cidade, São José do Rio Preto (em São Paulo). A várzea te dá malandragem.
A fratura na mão, no início do ano, interferiu em seu rendimento?
Toda lesão, quando a gente volta, tem um pouquinho de receio, medo, isso é do ser humano. No começo, tive medo, mas depois fiquei tranquilo.
As críticas pela queda de rendimento foram injustas?
A gente tira de letra. Muitas pessoas não enxergam o que acontece aqui no dia a dia. Falar é fácil para quem está de fora. Mas, graças a Deus, pude trabalhar para dar o meu melhor.
Às vezes, não se cobra demais de um garoto?
Independente de ser novo ou velho, se entrou em campo, você tem toda a responsabilidade. Encaro dessa forma. Cobrança é normal, tem que existir.
O melhor Luan é o do início do ano ou o atual?
O do começo do ano. Agora, eu estou mais completo e entendo mais as funções táticas. Mas na Libertadores eu estava muito bem. Vou trabalhar para buscar aquele nível e jogar ainda melhor.
O que Felipão acrescentou ao teu futebol?
Acrescentou muito. Enderson também agregou. Quando subi da base, não tinha muita experiência e ele conversou bastante comigo. Com Felipão não foi diferente, evoluí muito na parte tática.
Como você explica este entrosamento com Dudu?
Foi muito rápido. Ele é uma ótima pessoa, parceiro dentro e fora de campo. Fica mais fácil, a gente realmente se dá muito bem.
Como foi fazer seu primeiro gol em Gre-Nal?
Foi um alívio pra todo o time. Para mim, um gol importante. Marcou bastante por ser em um clássico.
Qual foi o efeito daquela goleada para o grupo?
Ah, ajudou bastante, com certeza. Já estava engasgado. A vitória nos deu um ânimo para seguir trabalhando mais forte.
Não houve uma reversão de expectativa?A vaga na Libertadores estava próxima.
Perdemos dois jogos no detalhe. Jogamos muito bem. Estamos um pouco longe, mas temos que acreditar até o último jogo.
Como é o assédio dos clubes europeus. Você pensa em sair?
Ah, deixo de lado. Só vou pensar a partir do momento em que vier a proposta. Não há nada ainda, o pensamento está só aqui.
Prefere, antes, uma longa carreira no Grêmio?
Ainda não quero sair, continuar aqui é o meu desejo. Deixo tudo na mão do meu empresário.
Jogar com Barcos contribuiu em sua afirmação?
Me ajudou muito no início. Posicionamento, como lidar com pressão. Conversamos bastante, ele me passa tranquilidade, tem experiência.
Você já sonha com a Olimpíada?
Sempre sonhamos. Mas estou tranquilo, ainda vai demorar um pouquinho, primeiramente quero pensar no Grêmio.
O ouro inédito na Olimpíada te motiva?
Com certeza. É uma chance de entrar para a história. Seria minha primeira Olimpíada também. A gente fica ansioso para jogar.
Qual é a diferença entre a Seleção Olímpica e o Grêmio?
Os adversários mudam. No Brasileirão, você é mais observado. Na Seleção, os adversários não te conhecem tanto. Aqui, sem dúvida, é mais difícil.
Te imagina fazendo o gol da medalha de ouro?
Seria maravilhoso, né. Quem sabe? Tenho de trabalhar para isso. Mas preciso estar lá, né.
Você tem diversas tatuagens. Sempre gostou?
Comecei a fazer quando morava em São Paulo ainda. Faz tempo já (risos). Gosto muito. Representam minha crença religiosa e a ligação com a minha família.
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