Aos poucos, os dois goleiros do Vale foram ganhando espaço e mostrando seu trabalho nos clubes. E também foram crescendo fora de campo.
Em 2005, aos 18 anos, a maturidade precoce de Grohe ganhou casca com o que tinha visto na Batalha dos Aflitos. Quatro meses depois, encarou o Beira-Rio lotado e saiu de lá campeão gaúcho. Desembarcou em Campo Bom como celebridade. Chegou à 1ª Festa do Sapato e logo foi apresentado à corte.
À musa do Sapato, Paula, foi apresentado como o "goleiro titular do Grêmio". Paula havia lido algo a respeito do ilustre conterrâneo, mas não o reconheceu de primeira. Também nunca o havia visto entre os 60 mil habitantes da cidade. Isso que a avó era quase vizinha dos Grohe.
O goleiro saiu da festa, no Largo Irmãos Vetter, ponto de encontro de Campo Bom, impressionado com a beleza da musa. Saíram dois meses depois. Engataram namoro e, em três anos, ela virou senhora Grohe. Deu para o ídolo gremista dupla razão para sempre voltar a Campo Bom.
Sempre que possível, o goleiro visita os parentes na cidade. Nas férias, uma semana, pelo menos, é reservada aos amigos da Rua Guarani com a Acrísio. Faz churrasco, joga peladas e encara disputas de kart com a turma. Sem deixar de lado a disciplina. Antes de se reapresentar no Grêmio, faz treinos com bola e físicos com o amigo Guilherme, professor de educação física.
Grohe não desconecta das origens. Em outubro, quando desembarcou em Cingapura na primeira convocação à Seleção Brasileira, espiou os arranha-céus da cidade e suspirou:
— Quem diria. Saí de Campo Bom para chegar até aqui.
Caçula Alisson deixou a BR-116
Enquanto Grohe treinava na Seleção com o ídolo Taffarel, do outro lado do mundo, Alisson ouvia do treinador de goleiros Marquinhos a notícia de que seria ele o titular contra o Fluminense.
Dida havia sido expulso no 5 a 0 para a Chapecoense e deixara o caminho aberto. Seu José e dona Magali sentiam-se com o dever cumprido. Desde os 10, os dois se desdobravam para acompanhar os jogos dos dois filhos no Beira-Rio. Por vezes, se dividiam. Um via Muriel, o outro Alisson. Agora, havia chegado a hora do Nêni, como Dona Magali chama o caçula.
A partir dos 15 anos, Alisson virou visita em Novo Hamburgo. Foi bem na época em que o pai foi atingido em cheio pela crise do calçado. Seu posto de modelista de fôrmas acabou ceifado na fábrica em que trabalhava. Como os horários de treinos dos juvenis impediam impediam o vaivém na BR-116, passou a dividir apartamento com outros dois garotos.
O primeiro contrato com o Inter chegou em boa hora. Ajudou a se bancar na Capital e aliviar os gastos dos pais. Mas aumentou a saudade da mãe. Mesmo que as visitas sejam semanais na casa dos Becker. Na quinta-feira, dona Magali preparou um banquete para receber o caçula: carne, franco, massa, arroz, batata doce. Recepcionou-o com um afetuoso abraço:
— Por que demorou, meu filho?
— É que o treino acabou mais tarde, mãe.
— Eu sei, mas a gente sente saudade — explicou Dona Magali.
Alisson se acomodou à mesa, onde já estava o pai, e mandou ver.
O tempero da mãe faz falta em Porto Alegre, onde mora sozinho em um apartamento no bairro Tristeza. A noiva, Natália, estuda medicina em Pelotas. A vizinhança do mano Muriel e os sobrinhos, Duda, nove anos, e Franthiesco, cinco, aplacam a saudade.
Mas nada é como a casa do bairro Canudos. O quarto de Alisson segue montado. Na quinta-feira, depois do almoço, ele se preparava para uma sesta. À noite, a família se reuniria para um culto religioso.
A ascensão do caçula faz Dona Magali sorrir. Mas o coração de uma mãe com dois goleiros segue inquieto. Ela até brinca com a situação.
— Já marquei uma reunião com o Abel para traçar uma tática: O Alisson joga um tempo, e o Muriel, outro. Assim, a mãe fica totalmente satisfeita.
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Em 2005, aos 18 anos, a maturidade precoce de Grohe ganhou casca com o que tinha visto na Batalha dos Aflitos. Quatro meses depois, encarou o Beira-Rio lotado e saiu de lá campeão gaúcho. Desembarcou em Campo Bom como celebridade. Chegou à 1ª Festa do Sapato e logo foi apresentado à corte.
À musa do Sapato, Paula, foi apresentado como o "goleiro titular do Grêmio". Paula havia lido algo a respeito do ilustre conterrâneo, mas não o reconheceu de primeira. Também nunca o havia visto entre os 60 mil habitantes da cidade. Isso que a avó era quase vizinha dos Grohe.
O goleiro saiu da festa, no Largo Irmãos Vetter, ponto de encontro de Campo Bom, impressionado com a beleza da musa. Saíram dois meses depois. Engataram namoro e, em três anos, ela virou senhora Grohe. Deu para o ídolo gremista dupla razão para sempre voltar a Campo Bom.
Sempre que possível, o goleiro visita os parentes na cidade. Nas férias, uma semana, pelo menos, é reservada aos amigos da Rua Guarani com a Acrísio. Faz churrasco, joga peladas e encara disputas de kart com a turma. Sem deixar de lado a disciplina. Antes de se reapresentar no Grêmio, faz treinos com bola e físicos com o amigo Guilherme, professor de educação física.
Grohe não desconecta das origens. Em outubro, quando desembarcou em Cingapura na primeira convocação à Seleção Brasileira, espiou os arranha-céus da cidade e suspirou:
— Quem diria. Saí de Campo Bom para chegar até aqui.
Caçula Alisson deixou a BR-116
Enquanto Grohe treinava na Seleção com o ídolo Taffarel, do outro lado do mundo, Alisson ouvia do treinador de goleiros Marquinhos a notícia de que seria ele o titular contra o Fluminense.
Dida havia sido expulso no 5 a 0 para a Chapecoense e deixara o caminho aberto. Seu José e dona Magali sentiam-se com o dever cumprido. Desde os 10, os dois se desdobravam para acompanhar os jogos dos dois filhos no Beira-Rio. Por vezes, se dividiam. Um via Muriel, o outro Alisson. Agora, havia chegado a hora do Nêni, como Dona Magali chama o caçula.
A partir dos 15 anos, Alisson virou visita em Novo Hamburgo. Foi bem na época em que o pai foi atingido em cheio pela crise do calçado. Seu posto de modelista de fôrmas acabou ceifado na fábrica em que trabalhava. Como os horários de treinos dos juvenis impediam impediam o vaivém na BR-116, passou a dividir apartamento com outros dois garotos.
O primeiro contrato com o Inter chegou em boa hora. Ajudou a se bancar na Capital e aliviar os gastos dos pais. Mas aumentou a saudade da mãe. Mesmo que as visitas sejam semanais na casa dos Becker. Na quinta-feira, dona Magali preparou um banquete para receber o caçula: carne, franco, massa, arroz, batata doce. Recepcionou-o com um afetuoso abraço:
— Por que demorou, meu filho?
— É que o treino acabou mais tarde, mãe.
— Eu sei, mas a gente sente saudade — explicou Dona Magali.
Alisson se acomodou à mesa, onde já estava o pai, e mandou ver.
O tempero da mãe faz falta em Porto Alegre, onde mora sozinho em um apartamento no bairro Tristeza. A noiva, Natália, estuda medicina em Pelotas. A vizinhança do mano Muriel e os sobrinhos, Duda, nove anos, e Franthiesco, cinco, aplacam a saudade.
Mas nada é como a casa do bairro Canudos. O quarto de Alisson segue montado. Na quinta-feira, depois do almoço, ele se preparava para uma sesta. À noite, a família se reuniria para um culto religioso.
A ascensão do caçula faz Dona Magali sorrir. Mas o coração de uma mãe com dois goleiros segue inquieto. Ela até brinca com a situação.
— Já marquei uma reunião com o Abel para traçar uma tática: O Alisson joga um tempo, e o Muriel, outro. Assim, a mãe fica totalmente satisfeita.
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