Ainda sobre Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte, encontro o economista e vice-presidente do Corinthians, Luis Paulo Rosenberg, e discutimos os rumos de nosso fut. Ele expressa mais uma contradição de nosso país, no debate da LRF: enquanto em todo o mundo os tetos de gastos com salários foram brigas vencidas pelos donos dos times contra a vontade dos atletas, aqui são os atletas (Bom Senso F.C.) que exigem e os "patrões", ou cartolas, é que dizem não. Meu Brasil, brasileiro...!!!
Futebol empresa: Me pergunta o mesmo Rosenberg, conhecido como economista muito competente, se eu havia sentido a orelha esquentar dias antes pois ele havia sido entrevistado pelo também competente PVC (ex-colega neste LANCE!, e de quem temos saudades) com quem discutiu sobre modelo de gestão dos clubes. Rosenberg relatou uma conversa nossa, há uns três anos, quando eu tentava convencê-lo de que a solução para os clubes exigia uma mudança na propriedade dos mesmos. À época, ele defendeu que o Corinthians seria a prova de que isto não era imprescindível. Pois bem, Rosenberg usou a entrevista para dizer que eu tinha razão. Fico vaidoso, mas não vejo esta mudança, na direção de tudo o que existe de moderno é bem gerido no mundo do esporte, como algo próximo. Ainda mais quando a LRF, pela qual o governo (com o meu e o seu dinheiro) vai refinanciar mais uma vez as dívidas dos clubes, gerada pelo acúmulo de gestões inconsequentes, não exige a contrapartida da criação de sociedade empresarial para as atividades do futebol. No futebol brasileiro, as raras boas gestões de clubes são sucedidas pelas irresponsáveis e assim não se tem continuidade. Não nos damos conta, mas o tempo joga contra nós!
Luis Paulo Rosenberg expressou contradição no debate da LRF (Foto: Miguel Schincariol)A Fifa e seus velhos costumes: Até os menos letrados nos subterrâneos do futebol mundial, desconfiam que a escolha do Qatar para ser sede do Mundial 2022 é um angu com caroço para se explicar. A investigação que teve seu relatório parcialmente divulgado, aponta inúmeros pagamentos e favores aos envolvidos na escolha, mas a FIFA conclui que não há indícios de corrupção nas escolhas de 2018 e 2022. O membro do comitê de ética que liderou a investigação, o norte americano Michael Garcia, não concorda com a conclusão e vai apelar ao comitê para reverter a decisão de dar o selo de limpeza nesta eleição. Tomara que a chamada nova governança da Fifa, alardeada pelo presidente Blatter como prova de que queria ter o jogo limpo, ainda tenha alguma chance de ser algo verdadeiro e não um jogo de palavras. Ou eles estão somente rindo de nós mais uma vez!
Ele voltou! Não era Eurico o presidente do clube no primeiro rebaixamento (como a coluna errou na semana passada) e nem nosegundo. Era Roberto Dinamite e foi ele quem elegeu Eurico de novo para o cargo maior do clube, com sua gestão desastrada, apesar de ele ter tido tanta torcida a favor quanto vibrava a galera vascaína o ídolo estava em campo num Vasco e Flamengo. A gestão de Roberto é mais uma prova de que os ex-atletas não são necessariamente a solução para o futuro dos clubes. Os que se prepararem e tiverem as qualidades necessárias, podem ser treinadores, dirigentes ou exercer qualquer outra função no futebol. Mas ter jogado bem dentro de campo não garante as vitórias fora das quatro linhas. O que tampouco quer dizer que dirigentes atrasados, truculentos e prepotentes farão o bem ao clube que seus eleitores esperam. Triste escolha!
Roberto foi mais uma prova de que os ex-atletas não são necessariamente a solução para o futuro dos clubes (Foto: Wagner Meier/LANCE!Press)Calendário ideal: Após a provocação que estas exclamações fizeram há duas semanas, defendendo duas divisões com 18 clubes em cada, renomeando cada divisão, recebi alguns valiosos leitores que também exclamaram. Tanto o Marcelo Marinho, que gosta muito da Copa do Brasil, quanto o Mauricio Conceição são contra os pontos corridos. Já o Romero Garcia, que propôs fórmula bem inovadora, termina concordando com a proposta da coluna, assim como o Carlos Saraiva, que vai mais longe e diz que deveriam ser 16 clubes em séries Ouro e Prata, e que os clubes deveriam ter período de excursões ao exterior num calendário adaptado ao europeu, como defende também o Frederico Zago. Ter a Sul-Americana e a Libertadores sendo jogadas simultaneamente (como defende a coluna...) é a exclamação do Claudinei Camargo. O Adriano Camin aproveitou e discordou da coluna, afirmando que a torcida única é a forma das famílias se sentirem seguras e voltarem aos estádios. Estes foram alguns dos que contribuíram para o debate.
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