Como Everton virou referência no Grêmio e ficou perto da convocação para a Seleção


Fonte: GaúchaZH

Foto:Lucas Uebel / Grêmio / Divulgação
O Grêmio prepara com zelo seu principal jogador em 2018 para a decisão com o Flamengo, quarta-feira, por vaga na semifinal da Copa do Brasil. Artilheiro do time, com 11 gols, Everton vive o melhor momento na carreira, atraindo atenção no país e na Europa. Além de olheiros do Manchester City e do Bayern Leverkusen, que já acompanharam seus jogos na Arena, o atacante também é observado de perto pelo técnico Tite e pode ser uma das novidades na convocação da Seleção, na sexta-feira (17), para os amistosos de setembro.



Após ser poupado nos últimos dois jogos por desgaste muscular, Everton voltou a treinar com o grupo normalmente na manhã de sexta-feira. A tendência é de que siga de fora no jogo com o Vitória, no domingo, para ter condições de iniciar contra o Flamengo. Segundo o diretor médico Saul Berdichevski, o atacante não poupou esforços para se recuperar a tempo do jogo de quarta.

— O Everton está em boas condições, deve ficar à disposição no Rio. Ele fez fisioterapia em dois turnos, com acompanhamento médico diário. Depois de ser avaliado pela preparação física, foi liberado para treinar com bola — explica Berdichevski.

Além de ajudar o Grêmio a se classificar na Copa do Brasil, Everton terá outro desafio especial na próxima quarta-feira. Será o de agradar a Tite, que já assistiu ao jogo de ida com o Flamengo na Arena e também estará nos camarotes do Maracanã na partida decisiva. Um bom desempenho poderá colocá-lo na lista do técnico para os amistosos contra Estados Unidos, dia 7 de setembro, em Nova Jersey, e El Salvador, dia 11, em Washington.

Mas antes de brilhar pelo Grêmio e ter sua convocação cogitada para a Seleção, Everton teve de encarar os campos de várzea da cidade natal, Maracanaú, localizada na região metropolitana de Fortaleza. Seu pai, Carlos Alberto Soares, lembra dos tempos em que era goleiro de um time da vizinhança e levava o filho, ainda adolescente, a seus jogos. Esguio, Everton já tinha facilidade em driblar os adversários e disparar para o ataque.

— Naquela época, eu era jogador de subúrbio. Levava para a beira do campo e ele sempre era um dos mais disputados na hora de dividir os times. Na várzea, já dava para ver que era diferenciado. Se destacava pelos gols que fazia — conta Carlos Alberto.

Com 15 anos de idade, Everton trocou o barro pela grama. Foi quando o Fortaleza entrou na vida do guri. Depois de ser reprovado no primeiro teste, o garoto recebeu a força do pai para tentar mais uma vez. Aí chamou a atenção de Jorge Veras, ex-atacante do Grêmio, que era treinador na base do time cearense.

— Depois de fazer dois gols e dar passe para outro, o Veras descobriu e abraçou ele — conta o pai do Cebolinha.

O menino, então, começou a ser lapidado pelo ex-atacante. Foram três anos na base do Fortaleza nos quais Jorge Veras ajudou Everton a evoluir em seu comportamento tático, nos dribles e nas finalizações. Até que apareceu o Grêmio.

Em 2013, após destacada participação na Copa Carpina, um tradicional torneio de juniores disputado no Nordeste, Everton chamou a atenção do executivo da base do Grêmio, Júnior Chávare, que pediu a contratação do atacante ao presidente Fábio Koff.

De volta ao comando do clube gaúcho, Koff, então, solicitou ao empresário Gilmar Veloz que negociasse a compra do atacante. Com o aval de Veras e da direção do Fortaleza, Everton, com 18 anos, chegou ao Grêmio para atuar no time sub-20. Foi naquela época, também, que Veloz assumiu a gestão da carreira do Cebolinha. Para o agente, o atacante teve a sorte de parar em um clube que investe em jovens valores.



— Grêmio, Inter e Santos, entre outros, são clubes formadores. Oferecem ótima estrutura para a colocação desses meninos — opina Veloz.

Mas a vinda a Porto Alegre foi complicada para Everton. No início, teve de se acomodar nos alojamentos do time gaúcho para os meninos das categorias de base. Só que a saudade da mãe Eleniza e o frio no sul do país faziam o garoto sofrer.

— Ela esperava terminar a ligação para depois chorar. A gente não podia tirar o foco dele no Grêmio — lembra o pai Carlos Alberto.

Mas Everton aguentou firme. Depois de passar pelo "projeto Lapidar", uma iniciativa na base tricolor para aprimorar a finalização dos garotos, o atacante começou a treinar no grupo profissional justamente com Renato Portaluppi. Contratado também em 2013 para substituir Vanderlei Luxemburgo, o treinador fez com ele um trabalho semelhante ao realizado em 2010 com outro atacante que surgia na base, Leandro, que hoje atua no Kashima Antlers, do Japão.

— Renato tem grande responsabilidade na afirmação do Everton. É um treinador que aposta nos meninos, assim como Roger Machado. Felipão não tem muito a cultura de trabalhar com os meninos, mas o manteve no grupo. São muitos os técnicos a quem ele precisa agradecer. Essas coisas precisam ser lembradas — diz Veloz.

O empresário destaca a participação direta de Everton em momentos decisivos do Grêmio. Como o gol marcado contra o Palmeiras, no Allianz Parque, pelas quartas de final da Copa do Brasil de 2016, o ano do penta. Ou em 2017, contra o Pachuca, nos Emirados Árabes, partida que classificou o Grêmio para a histórica decisão contra o Real Madrid.

— O Everton sempre participou, com gols e assistências. E é recém o começo. Por isso, toda a nossa tranquilidade de permanecer no Grêmio até o momento em que o Grêmio entenda — completa Veloz, reafirmando a disposição em renovar o quanto antes o contrato, apesar do natural assédio de clubes europeus sobre um jogador de tanto destaque.

Não é só dentro de campo que Everton vive um momento especial. No mês passado, nasceu sua primeira filha, Sofia, que trouxe ainda mais alegria para a família Soares. Agora avô, Carlos Alberto se derrete ao falar sobre a neta:

— Ele amadureceu com a paternidade. E agora está entendendo a preocupação que tivemos com ele desde pequeno. Esta criança veio para brindar tudo de bom que está acontecendo com ele.

Recuperado, o papai Everton agora pretende alçar voos maiores. No Grêmio e, se tudo der certo, também na Seleção.

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