Maicon esquece treta com D Ale, vibra com 3 títulos em 3 anos e promete "muito mais"

Em entrevista exclusiva, capitão do Grêmio diz que discussão com D Alessandro no Gre-Nal passou e ressalta pensamento campeão no elenco gremista


Fonte: Globoesporte.com

Em 7 de dezembro de 2015, Maicon deixou o São Paulo para ficar emprestado no Grêmio até dezembro como forma de desafogar o peso das contestações que recebia da torcida no Tricolor paulista. A passagem que poderia ser curta por Porto Alegre acaba de completar três anos com três títulos no currículo, e o agora incontestável capitão do time gaúcho nem pensa em baixar a média de uma conquista a cada 365 dias.



Maicon Thiago Pereira de Souza, 32 anos, recorre ao mantra de que "não nasceu para perder", algo que procura mentalizar também nos companheiros. Exemplo disso é a discussão acalorada que teve com D'Alessandro durante o cara ou coroa no Gre-Nal do último domingo, vencido por 2 a 1 pelo Grêmio. Segundo ele, foi um alerta ao árbitro Jean Pierre Lima para que não permitisse um suposto "apito" do argentino ao longo do clássico.

– O Jean (Pierre), antes de começar o jogo, pediu que a gente apenas jogasse e deixasse ele apitar. Disse que era o que a gente tinha ido fazer e que era para ele não deixar o D’Alessandro apitar, como de costume acontece nos jogos. Claro, ele vai defender o lado dele, não está errado. E se ele queria ficar o jogo querendo apitar, eu ia querer apitar também – defende-se.

Mas Maicon foi além do Gre-Nal, em entrevista à RBS TV e ao GloboEsporte.com na tarde de segunda-feira. Projetou as duas partidas das quartas de final, novamente contra o Inter, pelo Gauchão, celebrou a volta de Arthur após lesão e a briga por uma vaga no meio de campo, além da evolução do time desde sua chegada.

Que história foi aquela? Não era para ele apitar? Foi mais ou menos isso que você disse para o D’Alessandro?

A gente sabe como é a disputa aqui no clássico, mexe com a cidade toda. Os gremistas cobram muito da gente para que ganhe os jogos, principalmente os clássicos. E o Jean (Pierre, árbitro), antes de começar o jogo, pediu que a gente apenas jogasse e deixasse ele apitar. Disse que era o que a gente tinha ido para fazer e que era para ele não deixar o D’Alessandro apitar, como de costume acontece nos jogos. Claro, ele vai defender o lado dele, não está errado. E se ele queria ficar o jogo querendo apitar, eu ia querer apitar também. Vai para defender o lado dele, e eu, o meu. Ninguém quer perder e, para isso, a gente utiliza todas as armas.

E aí ele enlouqueceu?

Ele acabou se exaltando um pouco, mas depois no campo veio falar comigo, acabou tudo em paz. Acho que acima de tudo tem que ter o respeito de ambas as partes. A gente vai “brigar” dentro de campo para cada um ganhar o jogo. Eu vou fazer a minha parte. Mas nada além disso.

Serão mais dois clássicos agora pelo Gauchão. Tem alguma coisa ruim ou é só notícia boa?

Vão ser mais dois grandes jogos, é sempre bom. Fazia bastante tempo que não jogava clássico devido à minha lesão. Poder voltar a jogar, ganhar é sempre importante. Mas a gente sabe que agora é o que é de verdade. Quem perder, vai ficar fora. Temos o objetivo muito grande de ser campeões. E temos que passar por eles.

Você começa 2018 com o pé direito, dois gols marcados... Tem noção de quanto tempo estava sem fazer gol?

Acho que mais de ano, porque o último foi pela Libertadores, contra a LDU (em março de 2016, na goleada por 4 a 0). Até brinquei com o pessoal que a minha média estava sendo de um gol por ano e agora já ultrapassei.

Com a volta de Arthur, quem sai do time?

Aí é com o professor Renato. É muito bem pago para escolher. O que a gente ganha é que nosso grupo está mais forte. Temos bastante jogadores de qualidade, tanto de volante como nas outras posições. A disputa está sempre bem sadia. Professor Renato procura dar oportunidade para todos, basta dentro de campo o jogador saber aproveitar. Estou voltando depois de um tempo, procurando aproveitar da melhor maneira possível porque sei que, se não for bem, vai entrar outro jogador e ganhar a posição.



Nesta boa fase, você chega a lembrar tudo que aconteceu aqui no Grêmio? Por exemplo, aquela discussão com o torcedor contra o São José (empate em 1 a 1 pelo Gauchão de 2017)?

Sempre traz bastante coisa. Não só este jogo, mas o da Libertadores, quando fomos eliminados (pelo Rosario Central), e muitos outros. Às vezes, as críticas nos fortalecem para que a gente possa corrigir o que viemos fazendo errado. O clube vivia um momento de muitos anos sem títulos. Então, você vai ser cobrado. Eu mesmo fiz três anos de clube esses dias e ganhei três títulos. Então, estou numa média boa. E que seja assim. Vou buscar muito mais. Nosso grupo está com muita vontade de continuar sendo campeão. Vamos lutar sempre para dar cada vez mais alegrias para o torcedor, para que a gente possa ser lembrados aqui no Grêmio daqui 10, 20, 30 anos como os caras que fizeram história.

O que muda daquele período sem títulos para agora, com os últimos três (Copa do Brasil, Libertadores e Recopa)?

Quando cheguei aqui em 2015, o Grêmio estava numa reformulação. Saíram vários jogadores de nome, como Dudu, Barcos. O clube estava se reestruturando com vários jogadores da categoria de base. Muitos falavam que o Grêmio ia lutar para não cair e fizemos um grande Campeonato Brasileiro. Chegamos na final do Gaúcho, perdemos, mas terminamos o Brasileiro em terceiro. O torcedor já reconhecia o que estávamos fazendo. Agora com o título fica mais fácil. Tudo que a gente passou lá em 2015, 2016, antes da Copa do Brasil... nosso grupo sempre acreditou um no outro. Sempre falamos dentro do vestiário para continuar, pois estávamos no caminho certo.

Que dimensão tem o Gauchão pelo período que o Grêmio não ganha?

Às vezes, eu escuto umas coisas: o Gauchão só é ruim quando não ganha. É título! É um campeonato importante também. Estamos acostumados a nos classificar com três, quatro rodadas de antecedência. Mas devido ao Mundial nos apresentamos e já estava o campeonato rolando, tendo que correr atrás do prejuízo, numa situação desconfortável. Se a gente não ganhasse os jogos, as pessoas diziam que íamos brigar para não cair. O campeonato que a gente jogar temos que superar as dificuldades, porque nosso objetivo sempre é ser campeão. Ganhar nunca é ruim. Costumo dizer que jogador acostumado a perder não vai ganhar nunca. Não nasci para perder.

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