Polícia intima líder da Geral a prestar depoimento sobre ofensas na Arena

No total, seis pessoas já foram identificadas como possíveis autoras de ofensas ao goleiro do Santos, na última quinta-feira


Fonte: Globo Esporte

Delegado toma depoimento de testemunha que quer colaborar com investigação de injúria racial (Foto: Estêvão Pires/Globoesporte.com)

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul confirmou na tarde desta terça-feira que mais três torcedores do Grêmio terão de dar explicações após os incidentes de injúria racial contra o goleiro Aranha, do Santos. Todos já foram intimados e devem depor nesta quarta-feira. Segundo apuração do GloboEsporte.com, um dos três intimados é o líder da torcida Geral do Grêmio, Rodrigo Rysdyk, 35 anos, conhecido como Alemão da Geral. Com isso, subiu para seis o total de investigados pelo caso que pode acarretar na exclusão do Grêmio da Copa do Brasil e perda de mandos de campo.

Responsáveis pelo inquérito, agentes da 4ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre se dedicam nas últimas horas a analisar imagens registradas pelas câmeras de segurança da Arena do Grêmio, onde o time gaúcho enfrentou o Santos na última quinta-feira (28).

- Esses vídeos possibilitaram o reconhecimento desses três novos torcedores. Um deles já foi encontrado e concordou em vir à delegacia - explicou o comissário de polícia Lindomar Souza.

Entregue por funcionários da Arena, três dias após os incidentes de injúria racial, o vídeo tem mais de uma hora de duração, de acordo com a Polícia Civil. Até as 16h, investigadores ainda tentavam encontrar os outros dois novos gremistas identificados.

Primeiros depoentes rechaçam suspeitas

Durante a manhã desta terça, dois dos seis investigados prestaram depoimento. O gremista Tiago de Oliveira, primeiro a ser ouvido, alegou ter sido confundido com outro torcedor e chegou a mostrar uma foto para provar que estava em outro setor do estádio no dia da partida diante do Santos.

Já Rodrigo Rychter relatou que estava no espaço de onde as ofensas tiveram origem mas negou que tenha dirigido palavras ou gestos ofensivos ao goleiro Aranha. "O depoimento já foi dado e ficou esclarecido que eu não tenho participação", declarou, ao se dirigir à porta de saída da delegacia.


Entenda o caso

O incidente no jogo entre Grêmio e Santos, na Arena do Grêmio, ocorreu aos 42 minutos do segundo tempo, quando Aranha reclamou com o árbitro Wilton Pereira Sampaio, alegando ter sido vítima de xingamentos por parte da torcida. O juiz mandou a partida seguir, mesmo sendo alertado por jogadores do Santos dos incidentes que ocorriam fora de campo.

A jovem mostrada pelas imagens do canal ESPN foi afastada do trabalho no Centro Médico e Odontológico da Brigada Militar.

Patrícia Moreira era funcionária de uma empresa terceirizada e prestava serviços de auxiliar de odontologia na clínica da polícia militar gaúcha. As imagens da torcedora ofendendo o goleiro santista começaram a circular pelas redes sociais logo após a partida. Aranha registrou boletim de ocorrência na 4ª Delegacia de Polícia na sexta (29).

Patrícia Moreira foi flagrada chamando o goleiro Aranha de macaco (Foto: Reprodução/ESPN)

Diante da repercussão, Patrícia evitou dormir em casa nos últimos dias. Ela se refugiou em residências de parentes e amigos para evitar retaliação. Pedras foram jogadas em direção a sua casa na noite de sexta-feira. O GloboEsporte.com visitou a região na tarde de sábado e ouviu os vizinhos. Amigos negros da menina de 23 anos garantem que ela não é racista.

As injúrias raciais proferidas por torcedores gremistas contra o goleiro tiveram mais um desdobramento. O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) acatou pedido da Procuradoria de Justiça Desportiva e suspendeu o jogo de volta entre as duas equipes, na próxima quarta-feira (3), até que o caso seja julgado. No primeiro duelo das oitavas da Copa do Brasil, os paulistas bateram os gaúchos por 2 a 0.

O Grêmio responderá por ato de discriminação racial por parte de torcedores, além do arremesso de papel higiênico no gramado e atraso. O clube corre risco de exclusão na Copa do Brasil e multa de até R$ 200 mil. A denúncia se apoia no artigo 243-G (discriminação racial) e no 213 (arremesso de objeto em campo), ambos do CBJD. O clube responde ainda ao artigo 191 por descumprir o regulamento e entrar em campo três minutos após o horário previsto.

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