Nova aposta de Roger Machado, Moisés aprendeu a perseverar. Barrado por Felipão, o volante repetiu a trajetória de Edinho e virou solução nas ausências de Walace e Maicon. Aos 21 anos, será titular contra o Flamengo e diz se inspirar no alemão Toni Kroos, do Real Madrid, para fazer a diferença no Grêmio.
— Ele é muito inteligente, é um ídolo para mim. Tem virada de jogo e marcação inteligente — elogia o gremista.
Revelado pelo Lajeadense, Moisés nasceu em Santa Clara do Sul. Chegou ao antigo estádio Florestal com 15 anos de idade pelas mãos de Everton Giovanella, ex-volante do Inter e do Celta de Vigo. Começou no juvenil, mas logo foi chamado pelo técnico Luiz Freire para treinar com o profissional para "ganhar corpo".
Em 2011, Moisés começou a ganhar projeção. Jogou a Taça BH pelo Lajeadense (que fez parceria com o Pedro Leopoldo-MG para disputar o campeonato) e se destacou na equipe que eliminou São Paulo e Flamengo. Após levar seu time até as quartas de final, o volante acertou com o Fluminense.
— Fiquei por um ano lá. Mas no júnior eles tinham jogadores mais experientes e tive poucas chances. Atuei com o Marlon, o Marcos Jr. e o Higor Leite — lembra.
Em 2013, Moisés deixou Xerém e retornou ao Lajeadense. Virou titular da equipe treinada por Flávio Campos e foi vice-campeão do Gauchão. Após se destacar no campeonato, teve seus direitos comprados pelo investidor Edir Cracco, que o levou ao Grêmio.
O guri se firmou durante o Brasileirão sub-20, ainda com o técnico Mabilia. No ano passado, virou capitão da equipe e nutria esperanças de subir ao profissional. Mas viveu grande frustração ao ser preterido por Felipão.
— Quando soube que estava fora dos planos, voltei para casa chorando. Mas não me arrependo de nada. Se voltasse no tempo, teria feito tudo igual — garante.
Moisés se reapresentou em fevereiro no CT Luiz Carvalho e passou a treinar com os "renegados" Edinho e Kleber, em turnos opostos ao grupo de Felipão. O garoto conta que o bom-humor da dupla e a força dos familiares e amigos foram fundamentais para superar o momento mais difícil de sua carreira.
— Hoje penso que aquele não era o momento certo. Deus tinha algo melhor reservado para mim — diz o garoto, citando a famosa frase do artilheiro Baltazar.
E realmente tinha. A partir da chegada de Roger Machado, Moisés foi reintegrado e disputou sete partidas. Foi titular pela primeira vez contra o Palmeiras, no Pacaembu, ao lado de Walace. Amanhã, contra o Flamengo, deve ter Marcelo Oliveira como parceiro. E projeta uma final com a equipe carioca na Arena:
— Temos seis decisões pela frente. Precisamos pontuar o máximo possível para alcançar o vice-líder.
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