No entorno de um estádio avaliado em R$ 700 milhões, está uma das regiões mais pobres e impactadas pela tragédia climática que assolou Porto Alegre – e quase todo Rio Grande do Sul – há um ano. Casa da Arena do Grêmio, o bairro Farrapos, na zona norte da Capital, teve 17.522 pessoas afetadas pela enchente, segundo dados da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade. Vizinho dali, o bairro Humaitá concentra boa parte de bares, mercados e trabalhadores autônomos que vivem em função dos jogos do Tricolor. Lá, mais 12.617 moradores foram atingidos pela cheia do Guaíba. Passado um ano do início da inundação, a Arena do Grêmio restabeleceu 95% das operações e funciona com capacidade máxima desde outubro. Enquanto dentro do estádio a rotina está bem próxima da normalidade, do lado de fora há marcas que o tempo não será capaz de apagar.
Nascido e criado na região, o comerciante Luciano Pinheiro Osório, 54 anos, precisou abandonar a casa e todas as suas fontes de renda em maio de 2024. Saiu com a água pela cintura ao lado da esposa, conseguiu chegar à BR-290, que margeia o bairro, e pegou uma carona para se alojar na casa de um amigo em Viamão, na região metropolitana de Porto Alegre. Luciano é proprietário de um mercado na Rua Luiz Carlos Pinheiro Cabral, um dos pontos de encontro mais populares em dias de jogos. Com o estoque lotado de bebidas para as partidas que estavam por vir, o prejuízo foi inevitável.
No segundo andar do mesmo prédio, fica a residência. Ao todo, o porto-alegrense tem seis imóveis na mesma rua. Além da casa e do mercado, possui prédios que aluga para movimentos políticos do Grêmio, outra renda que desapareceu. Dez dias antes da enchente, havia comprado uma casa que reformaria para também colocar no aluguel. Sem dinheiro para iniciar a obra, Luciano não mexeu mais no local, que permanece tomado de barro seco e móveis destruídos, um memorial triste da realidade que assolou o Estado.
O dono do "Bar do Lu", como é mais conhecido, acredita que os moradores dos bairros Farrapos e Humaitá e arredores ficaram com o que chama de "síndrome da chuva": dificuldade para dormir, medo de que a inundação se repita e até receio de voltar para casa, pois há residências abandonadas.
Luciano conta que equipes da prefeitura chegaram para trabalhar na limpeza das ruas e valos logo após a água baixar. Contudo, a mobilização não teve continuidade, conforme o comerciante. Morador que já viu a água acumular até 40 centímetros de altura em outras épocas, ele esperava ações mais estruturantes por parte do poder público.
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