Sete anos antes de o Estudiantes desembarcar no Brasil para enfrentar o Grêmio , neste sábado (8), às 19h (de Brasília), pela última rodada da fase de grupos da CONMEBOL Libertadores , o clube começou a ganhar uma ligação eterna com o país. Mais precisamente uma de suas fanáticas torcedores... O ano era 2017, novembro daquele ano. Foi quando Ana Inés Meza, uma argentina de La Plata e que vivia no Ushuaia (extremo Sul da Argentina), descobriu que tinha leucemia linfoblástica aguda, um tipo de câncer no sangue. Necessitaria, então, de um transplante de medula óssea. Depois de algumas sessões de radio e quimioterapia, sem sucesso, começava a corrida por um doador. Os primeiros testes foram feitos com familiares e nenhum deles foi compatível com a necessidade de Annie. O tempo passava, e o drama só aumentava...
Em 2018, a busca passou a ser também por um doador não relacionado, ou seja, alguém de fora do círculo de convivência, alguém absolutamente desconhecido. Depois de vasculhar a Argentina e apelar para o banco mundial de doadores de medula óssea, surge uma esperança muito distante do imaginável. Uma brasileira de Rolim de Moura, cidade de pouco mais de 55 mil habitantes no estado de Rondônia, tinha 90% de compatibilidade com Ana. Era aquele doador 1 em 40 mil (probabilidade estimada) que poderia mudar o destino da ex-jogadora de hóquei sobre a grama e fanática pelo Estudiantes. Valleska Macedo havia se habilitado como doadora no ano de 2015 e, até 2018, não havia recebido qualquer chamado. Mas a hora chegou e, depois dos testes de compatibilidade realizados, os caminhos das duas se cruzaram para o resto de suas vidas.
Ana sabia que a eventual distância do doador ou doadora, somada a questões burocráticas, acarretaria em mais tempo com seu pesado tratamento quimioterápico. Nem assim ela perdeu as esperanças. “Na verdade, depois que soube que não havia chances do meu irmão ser meu doador, fiquei abalada, mas segui confiante que algo bom aconteceria no final”, disse Ana Inés Meza, direto de La Plata para a reportagem da ESPN . O tempo de busca por doadores não relacionados pode levar de seis meses até um ano, mas, em três meses, Valleska apareceu. “Confesso que não esperava ser um dia chamada, mas quando o REDOME (Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Ossea) me ligou, fiquei muito ansiosa e louca para ajudar, porque se tem um chamado e uma chance, é porque há necessidade de alguém”, contou Valleska.
O dia 30 de novembro de 2019 ficou marcado na história como dia em que o Estudiantes voltava para a sua casa depois de 14 anos de estádio desativado, mas também como o dia em que Ana celebrava sua vida. Não havia outro dia melhor para agradecer.“Doná Médula, Salvá Vidas – Gracias a mi donante, yo pude volver a UNO”. Esta frase, escrita em um “trapo” (como chamam os argentinos) ou faixa, estendida no Estádio Jorge Luis Hirschi ou simplesmente Uno, do Estudiantes de La Plata, foi a forma que Ana buscou, mais uma vez, para agradecer a Valleska (ainda sem conhecê-la). Mesmo sem saber, dar um pontapé inicial em uma campanha que contou inclusive com o apoio do clube argentino.
Em 2020, veio a pandemia, e o encontro que iria acontecer em Buenos Aires não foi possível. A expectativa pelo encontro “ao vivo” iria crescer mais um pouco. Enquanto isso, seguiam as chamadas de vídeo, trocas de mensagem e uma relação de irmãs começava a surgir. No ano passado, finalmente, as duas puderam se juntar. No encontro em La Plata, na Argentina, e no bate-papo que a reportagem teve com elas, o futebol esteve no centro, mais uma vez.
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