Marco Favero / Agencia RBS
Dentre todas as histórias que construíram a mitologia grega, uma das mais conhecidas envolve a figura de Hércules. Um semideus que, para se redimir de seus crimes e alcançar a imortalidade, foi condenado a cumprir 12 trabalhos. Milênios depois, a trama pode servir de inspiração para o Grêmio nesta reta final de Brasileirão.
Ao contrário do herói helênico, o Tricolor não enfrentará leões, gigantes ou hidras. E nem precisa vencer todos os adversários que se colocarão no caminho. Ainda assim, possui tarefas difíceis que, se executadas da melhor forma, farão o clube honrar a alcunha de Imortal, evitando um terceiro rebaixamento à Série B. A primeira missão surge neste domingo (31), contra o vice-líder Palmeiras, que ainda sonha com o título nacional.
"Essas dificuldades fazem a gente crescer mais ainda, ter mais força para continuar trabalhando e ter mais motivação. Vamos continuar lutando, transpirando e não vamos ceder em nada. É difícil o momento, mas o discurso não vai mudar. Eu acredito que vamos sair desta situação e nós vamos provar a nossa fortaleza já no domingo. É na hora da dificuldade que nós crescemos", prometeu o vice-presidente de futebol Dênis Abrahão, após a derrota para o Atlético-GO.
A dramaticidade do cenário se materializa no levantamento feito pelo Departamento de Matemática da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que aponta o Tricolor com 66,1% de chance de ser rebaixado. Mesmo alto, o percentual ainda é mais favorável ao apontado para Sport (84,8%) e Juventude (66,6%), que hoje aparecem à frente na tabela, fechando o Z-4.
A explicação está no fato de a equipe comandada por Vagner Mancini ter duas partidas a mais se comparada aos rivais diretos — jogos atrasados contra Atlético-MG e Flamengo. Todos os outros têm 10 compromissos pela frente (com exceção do Sport, que tem antecipada a 34ª rodada, contra o Bragantino).
"O retrospecto agora dá o Grêmio como o quarto time com chances de queda. Ele tem dois jogos a menos e, por este motivo, aparece melhor que Juventude e Sport. O que não ajuda muito é que os jogos são contra Flamengo e Atlético-MG. Pelas projeções do que as equipes fizeram no campeonato, é difícil apontar que o Grêmio vá ganhar dos dois", explica Gilcione Nonato Costa, professor da UFMG.
Se é verdade que o Tricolor terá mais oportunidades para pontuar, também terá menos tempo de descanso que os demais. E ainda seria necessário ultrapassar um dos times que figuram do lado de fora da zona de descenso, que possuem chances mais remotas de queda segundo o levantamento matemático: Santos (25,5%), Bahia (17,8%) e Ceará (13,4%).
Acrescente-se a isso o fato de o Tricolor encarar uma sequência pesada de jogos. Depois de visitar o líder em Belo Horizonte, terá o clássico Gre-Nal, no Beira-Rio. Em seguida, perderá Villasanti, Borja e Gabriel Chapecó, convocados para as Eliminatórias, nos duelos com Fluminense, América-MG e Bragantino.
O calendário ainda resguarda confrontos com inimigos que estão da parte intermediária para baixo na classificação: Chapecoense, fora de casa, São Paulo, na Arena, e Bahia, em Salvador. Restaria aguardar o agendamento do jogo com o Flamengo, visitar o Corinthians e, por fim, receber o Atlético-MG na última rodada. Os mineiros podem chegar já campeões a Porto Alegre, no início de dezembro, mas os gremistas precisam se manter vivos até lá.
O cálculo interno, para depender apenas de si, é chegar aos 44 pontos. Para tanto, seria preciso conquistar seis vitórias. Ou seja, vencer exatamente a metade dos duelos.
"Com 44 pontos, o Grêmio ainda terá 2% de chance de queda. Ele só se livra do risco se chegar a 48 pontos, o que é uma coisa improvável de acontecer. Mantendo a média que está levando até agora, o que se projeta é que o time termine o campeonato com 38 ou 39 pontos", conclui Costa.
Primeira missão
A derrota sofrida para o Atlético-GO foi uma ducha de água fria no ambiente tricolor, onde já se projetava uma arrancada de recuperação. Agora, mesmo que vença neste fim de semana, o Grêmio não deixará o Z-4. Entretanto, a situação só irá melhorar se for somado o maior número de pontos possível.
Para concluir a primeira missão, o técnico Vagner Mancini está disposto a rever seus conceitos. A obrigatoriedade das mudanças também passa pela lista de desfalques. Estão suspensos Paulo Miranda e Rafinha, que foram titulares na última jornada, mais Ferreira, Luiz Fernando e Borja.
Para substituir os ausentes, o treinador recorrerá à experiência de Geromel e Cortez. O primeiro, aliás, voltará a ser escalado depois de ficar afastado por mais de dois meses, por conta de uma fratura no quinto dedo do pé direito.
Além disso, há a intenção de modificar tanto o sistema tático como o modelo de jogo. Assim, Jean Pyerre pode ser sacado para a utilização de três volantes: Thiago Santos, Lucas Silva e Villasanti. Consequentemente, a equipe deixará de ser a proponente das ações, para adotar uma postura mais defensiva.
"A partir do momento que você ajusta os erros da equipe e os erros individuais do jogador, você está colaborando com o aspecto emocional porque você está gerando confiança e convicção no que está sendo feito. Todos nós estamos convictos de que estamos no caminho certo. Uma ou outra derrota, infelizmente, pode acontecer. A gente não quer, mas pode acontecer. Agora, que ela não quebre a nossa sequência de bom humor, de sorriso, de chegar no Grêmio disposto a fazer melhor do que fizemos ontem", declarou o treinador ainda em Goiânia.
Rival sonha com título
A ironia do destino é que, não fosse a vitória de virada do Palmeiras sobre o Sport, na última rodada, a situação do Grêmio na tabela estaria ainda pior, pois teria permitido que os pernambucanos aumentassem a distância. Por outro lado, o resultado manteve os paulistas com a esperança de alcançar líder Atlético-MG. Atualmente, 10 pontos os separam dos atleticanos — que têm um jogo a menos.
Para visitar a Arena, Abel Ferreira ganha o retorno de Zé Rafael. O volante cumpriu suspensão automática e disputa posição com Danilo. Outro acréscimo é Gabriel Menino que, recuperado de uma entorse no tornozelo esquerdo, participou normalmente das atividades da semana e, ao menos, poderá ficar no banco de reservas.
A boa notícia para o Grêmio é que os oponentes mantêm os olhos no horizonte, almejando conquistar a Libertadores pelo segundo ano consecutivo. A final contra o Flamengo está agendada para daqui um mês, no dia 27 de novembro, em Montevidéu.
"Eu gosto de fazer balanço só no final da temporada. Mas o Palmeiras entrou em um quadro daquilo que entendo que é o caminho de um treinador ambicioso, que quer ganhar títulos. Para ganhar títulos só pode treinar clubes dessa dimensão. Acho que foi uma decisão acertada de ambas as partes. Mas é um dia de cada vez, assim que eu vejo o dia e o futebol. No final faremos o balanço e decidiremos o que é melhor para todos", sentenciou o comandante português, que completou um ano no cargo.
#gremio #imortal #tricolor #calendario #brasileirao
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Ao contrário do herói helênico, o Tricolor não enfrentará leões, gigantes ou hidras. E nem precisa vencer todos os adversários que se colocarão no caminho. Ainda assim, possui tarefas difíceis que, se executadas da melhor forma, farão o clube honrar a alcunha de Imortal, evitando um terceiro rebaixamento à Série B. A primeira missão surge neste domingo (31), contra o vice-líder Palmeiras, que ainda sonha com o título nacional.
"Essas dificuldades fazem a gente crescer mais ainda, ter mais força para continuar trabalhando e ter mais motivação. Vamos continuar lutando, transpirando e não vamos ceder em nada. É difícil o momento, mas o discurso não vai mudar. Eu acredito que vamos sair desta situação e nós vamos provar a nossa fortaleza já no domingo. É na hora da dificuldade que nós crescemos", prometeu o vice-presidente de futebol Dênis Abrahão, após a derrota para o Atlético-GO.
A dramaticidade do cenário se materializa no levantamento feito pelo Departamento de Matemática da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que aponta o Tricolor com 66,1% de chance de ser rebaixado. Mesmo alto, o percentual ainda é mais favorável ao apontado para Sport (84,8%) e Juventude (66,6%), que hoje aparecem à frente na tabela, fechando o Z-4.
A explicação está no fato de a equipe comandada por Vagner Mancini ter duas partidas a mais se comparada aos rivais diretos — jogos atrasados contra Atlético-MG e Flamengo. Todos os outros têm 10 compromissos pela frente (com exceção do Sport, que tem antecipada a 34ª rodada, contra o Bragantino).
"O retrospecto agora dá o Grêmio como o quarto time com chances de queda. Ele tem dois jogos a menos e, por este motivo, aparece melhor que Juventude e Sport. O que não ajuda muito é que os jogos são contra Flamengo e Atlético-MG. Pelas projeções do que as equipes fizeram no campeonato, é difícil apontar que o Grêmio vá ganhar dos dois", explica Gilcione Nonato Costa, professor da UFMG.
Se é verdade que o Tricolor terá mais oportunidades para pontuar, também terá menos tempo de descanso que os demais. E ainda seria necessário ultrapassar um dos times que figuram do lado de fora da zona de descenso, que possuem chances mais remotas de queda segundo o levantamento matemático: Santos (25,5%), Bahia (17,8%) e Ceará (13,4%).
Acrescente-se a isso o fato de o Tricolor encarar uma sequência pesada de jogos. Depois de visitar o líder em Belo Horizonte, terá o clássico Gre-Nal, no Beira-Rio. Em seguida, perderá Villasanti, Borja e Gabriel Chapecó, convocados para as Eliminatórias, nos duelos com Fluminense, América-MG e Bragantino.
O calendário ainda resguarda confrontos com inimigos que estão da parte intermediária para baixo na classificação: Chapecoense, fora de casa, São Paulo, na Arena, e Bahia, em Salvador. Restaria aguardar o agendamento do jogo com o Flamengo, visitar o Corinthians e, por fim, receber o Atlético-MG na última rodada. Os mineiros podem chegar já campeões a Porto Alegre, no início de dezembro, mas os gremistas precisam se manter vivos até lá.
O cálculo interno, para depender apenas de si, é chegar aos 44 pontos. Para tanto, seria preciso conquistar seis vitórias. Ou seja, vencer exatamente a metade dos duelos.
"Com 44 pontos, o Grêmio ainda terá 2% de chance de queda. Ele só se livra do risco se chegar a 48 pontos, o que é uma coisa improvável de acontecer. Mantendo a média que está levando até agora, o que se projeta é que o time termine o campeonato com 38 ou 39 pontos", conclui Costa.
Primeira missão
A derrota sofrida para o Atlético-GO foi uma ducha de água fria no ambiente tricolor, onde já se projetava uma arrancada de recuperação. Agora, mesmo que vença neste fim de semana, o Grêmio não deixará o Z-4. Entretanto, a situação só irá melhorar se for somado o maior número de pontos possível.
Para concluir a primeira missão, o técnico Vagner Mancini está disposto a rever seus conceitos. A obrigatoriedade das mudanças também passa pela lista de desfalques. Estão suspensos Paulo Miranda e Rafinha, que foram titulares na última jornada, mais Ferreira, Luiz Fernando e Borja.
Para substituir os ausentes, o treinador recorrerá à experiência de Geromel e Cortez. O primeiro, aliás, voltará a ser escalado depois de ficar afastado por mais de dois meses, por conta de uma fratura no quinto dedo do pé direito.
Além disso, há a intenção de modificar tanto o sistema tático como o modelo de jogo. Assim, Jean Pyerre pode ser sacado para a utilização de três volantes: Thiago Santos, Lucas Silva e Villasanti. Consequentemente, a equipe deixará de ser a proponente das ações, para adotar uma postura mais defensiva.
"A partir do momento que você ajusta os erros da equipe e os erros individuais do jogador, você está colaborando com o aspecto emocional porque você está gerando confiança e convicção no que está sendo feito. Todos nós estamos convictos de que estamos no caminho certo. Uma ou outra derrota, infelizmente, pode acontecer. A gente não quer, mas pode acontecer. Agora, que ela não quebre a nossa sequência de bom humor, de sorriso, de chegar no Grêmio disposto a fazer melhor do que fizemos ontem", declarou o treinador ainda em Goiânia.
Rival sonha com título
A ironia do destino é que, não fosse a vitória de virada do Palmeiras sobre o Sport, na última rodada, a situação do Grêmio na tabela estaria ainda pior, pois teria permitido que os pernambucanos aumentassem a distância. Por outro lado, o resultado manteve os paulistas com a esperança de alcançar líder Atlético-MG. Atualmente, 10 pontos os separam dos atleticanos — que têm um jogo a menos.
Para visitar a Arena, Abel Ferreira ganha o retorno de Zé Rafael. O volante cumpriu suspensão automática e disputa posição com Danilo. Outro acréscimo é Gabriel Menino que, recuperado de uma entorse no tornozelo esquerdo, participou normalmente das atividades da semana e, ao menos, poderá ficar no banco de reservas.
A boa notícia para o Grêmio é que os oponentes mantêm os olhos no horizonte, almejando conquistar a Libertadores pelo segundo ano consecutivo. A final contra o Flamengo está agendada para daqui um mês, no dia 27 de novembro, em Montevidéu.
"Eu gosto de fazer balanço só no final da temporada. Mas o Palmeiras entrou em um quadro daquilo que entendo que é o caminho de um treinador ambicioso, que quer ganhar títulos. Para ganhar títulos só pode treinar clubes dessa dimensão. Acho que foi uma decisão acertada de ambas as partes. Mas é um dia de cada vez, assim que eu vejo o dia e o futebol. No final faremos o balanço e decidiremos o que é melhor para todos", sentenciou o comandante português, que completou um ano no cargo.
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Comentários
Comentários (1)
Com o futebol de várzea que estão jogando, não tem matemática que salve. A série b já está no DNA do time. Agora vou torcer pro Sport não cair, porque se não o Grêmio já começa a série b com 6 pontos de desvantagem.
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