Jogadores do Corinthians se hidratam durante partida das 11h realizada no último domingo (Foto: Marcos Ribolli)
Os jogos do campeonato brasileiro que estão sendo realizados às 11h, no início de primavera, com altas temperaturas e baixa umidade relativa do ar, reabrem uma antiga discussão no futebol. Exercícios físicos competitivos que exigem esforços no limite da tolerância em temperaturas altas são sempre um perigo para a integridade dos atletas.
A sequência de eventos que podem representar risco e, eventualmente levar a um episódio mais sério para a saúde, já é bastante conhecida. A luta contra o calor exige intensa sudorese e, consequentemente, enorme perda de líquidos e sais minerais. Quando a perda é maior que a reposição, a desidratação é inevitável. Além da desidratação, a perda de sódio em grande quantidade pelo suor pode levar à temida hiponatremia, com sérias consequências.
Quando o corpo vai progressivamente se desidratando, fica cada vez mais difícil evitar a elevação da temperatura corporal. A temperatura do corpo já teria uma tendência a aumentar devido à enorme produção de calor durante o exercício intenso. Quando a temperatura ambiente fica acima dos 30ºC, a perda de calor pelo corpo é extremamente difícil. Esta dificuldade é muito agravada pela diminuição dos líquidos corporais, prejudicando a sudorese e a evaporação do suor que, nesta circunstância, é a única forma de perder calor.
O resultado inevitável é a elevação cada vez mais perigosa da temperatura corporal. Neste caso, o órgão mais vulnerável é o sistema nervoso central. A hipertermia que se instala ameaça perigosamente a integridade e função das células nervosas. Os episódios de tontura, distúrbios visuais, mal estar, geralmente acompanhado de vômitos, são sinais de alerta que apontam para um risco eminente que deve ser evitado.
O perigo, na verdade, é ainda maior para os atletas, pois ao contrário do que se poderia pensar eles não estão mais protegidos. Os atletas toleram mais o sofrimento e, consequentemente, podem atingir níveis de hipertermia mais acentuados. Entretanto, a vulnerabilidade de suas células nervosas é a mesma que a dos indivíduos comuns. A chance de ocorrer uma lesão neurológica é, portanto, maior.
Os jogos às 11h são um sucesso de público e até se tornam mais convenientes para um domingo pelo horário. Entretanto, os “artistas” responsáveis pelo espetáculo são expostos a um risco que precisa ser evitado. No último domingo, tivemos mais de 40 graus de temperatura e umidade de 8% neste horário, no jogo entre Goiás e Joinville, no Serra Dourada. Quem responde pela liberação de um jogo de futebol profissional nestas condições está assumindo um risco que a ciência e até o bom senso reprovam.
*As informações e opiniões emitidas neste texto são de inteira responsabilidade do autor, não correspondendo, necessariamente, ao ponto de vista do Globoesporte.com / EuAtleta.com
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Quando o corpo vai progressivamente se desidratando, fica cada vez mais difícil evitar a elevação da temperatura corporal. A temperatura do corpo já teria uma tendência a aumentar devido à enorme produção de calor durante o exercício intenso. Quando a temperatura ambiente fica acima dos 30ºC, a perda de calor pelo corpo é extremamente difícil. Esta dificuldade é muito agravada pela diminuição dos líquidos corporais, prejudicando a sudorese e a evaporação do suor que, nesta circunstância, é a única forma de perder calor.
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O perigo, na verdade, é ainda maior para os atletas, pois ao contrário do que se poderia pensar eles não estão mais protegidos. Os atletas toleram mais o sofrimento e, consequentemente, podem atingir níveis de hipertermia mais acentuados. Entretanto, a vulnerabilidade de suas células nervosas é a mesma que a dos indivíduos comuns. A chance de ocorrer uma lesão neurológica é, portanto, maior.
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*As informações e opiniões emitidas neste texto são de inteira responsabilidade do autor, não correspondendo, necessariamente, ao ponto de vista do Globoesporte.com / EuAtleta.com
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