Palmeiras venceu o Grêmio por 5 a 1 no Palestra Itália, mas não se classificou na Libertadores
Palmeiras e Grêmio, que se enfrentam neste sábado pelo Campeonato Brasileiro, protagonizaram duelos históricos durante a década de 90. De um lado os paulistas com uma seleção brasileira montada pela Parmalat (que geria o futebol clube), do outro, a determinação e o jogo coletivo dos gáuchos comandados por Luis Felipe Scolari
O confronto mais marcante desse período foi realizado nas quartas de final da Copa Libertadores da América de 1995, quando o time alviverde quase conseguiu uma das maiores viradas da história do futebol. No jogo de ida, no estádio Olímpico, a equipe de Paulo Nunes e Jardel aplicou uma impiedosa goleada por 5 a 0.
"O jogo estava muito quente, primeiro foi uma expulsão do Rivaldo que deu uma entrada por cima da bola no Rivarola. Depois teve uma briga entre o Dinho e o Válber, foram os dois expulsos. Só que eles saíram do lado errado do vestiário e se cruzaram atrás do gol. Ali eles começaram a sair na mão e o Danrlei foi para cima do Válber, então começou a briga", recorda o ex-volante gremista Luis Carlos Goiano.
"O Carlos Alberto Silva (treinador do Palmeiras) colocou um time ofensivo, quando a gente acordou já estava 5 a 0 para eles e não conseguimos reagir. Ele deveria ter fechado quando tivemos o Rivaldo expulso, mas era muito difícil, porque éramos muito ofensivos. Dávamos espetáculo, a gente não se importava em não tomar gols, queríamos sempre ir para frente e vencer", recordou o ex-lateral palmeirense Índio.
Com desfalques e cinco gols de desvantagem, parecia impossível que a equipe poderia se classificar mesmo atuando no Palestra Itália. Os gaúchos sofriam uma certa acomodação pelo grande resultado em Porto Alegre. "Em momento nenhum passou pela nossa cabeça que eles poderiam fazer cinco gols na gente na partida de volta", recordou Goiano.
Já os palmeirenses queriam dar uma resposta após a humilhação sofrida. "Muitos já davam o confronto como encerrado, mas a gente acreditava. Durante a semana falamos que o jogo era questão de honra. Nós tínhamos que dar uma resposta, nós não poderíamos nos despedir da Libertadores daquela maneira, falaram que o time estava cansado e acomodado", disse Índio.
Para piorar a situação do Palmeiras, o atacante Jardel abriu o placar logo ao oito minutos de partida. Só que ao invés de entregarem os pontos, os palmeirenses foram para cima do Grêmio e marcaram com Cafu (dois), Amaral, Paulo Isidoro e Mancuso.
"As coisas foram encaixando de uma forma que até o Amaral fez gol (risos). Olhávamos uns para os outros dentro de campo e falávamos: 'Vai que dá'. No final o Mancuso chutou uma bola por cima do gol que o goleiro Murilo deve estar rezando até hoje (risos)", disse Índio.
"Você tem uma vantagem de seis gols é administrar o que já conseguiu, mas eles tinham muita qualidade e isso mexeu com os brios deles, que foram para o tudo ou nada. Eles amassaram a gente no campo de defesa, os gols foram saindo e no final do jogo passamos um aperto danando", afirmou o ex-volante.
Os jogadores saíram exaustos após a derrota por 5 a 1. "O Felipão no final o jogo estava aliviado, assim como todos nós. Isso serviu de lição para os outros jogos para não abaixarmos a guarda em momento nenhum, até porque foi muito complicado", analisou Goiano.
"O Grêmio não estava tanta disposição como a gente, porque estava em jogo o nome do Palmeiras. Isso mostrou que nada estava perdido, foi uma volta por cima e no final toda torcida nos aplaudiu e foi quase um titulo para gente", disse Índio.
"O Palmeiras era sempre favorito em toda as competições e nossa referência como time, O Felipão falava assim: 'Palmeiras é o melhor time do Brasil, se olharmos peça por peça eles são superiores, mas temos que fazer isso para nos mobilizarmos e termos sucesso'. Isso ele usava para nos motivar e fazer um conjunto muito forte, mesmo não tendo craques. Felizmente na maioria dos duelos contra eles levamos vantagem pela forma que encarávamos esses jogos", afirmou.
O duelo virou padrão para o time gaúcho no decorrer do torneio continental. "Eu lembro de uma entrevista do Felipão depois do jogo falando que queria o Grêmio com o mesmo espírito do Palmeiras, que aquela era vontade que o time deveria ter", orgulhou-se o palmeirense.
Os jogadores ouviram seu treinador e depois do confronto eliminaram o Emelc-EQU e na final bateram o Atlético Nacional-COL para conquistarem a competição.
FICHA TÉCNICA
PALMEIRAS 5 x1 GRÊMIO - QUARTAS DE FINAL DA LIBERTADORES
Data: 02 de agosto de 1995
Local: Estádio Palestra Itália, São Paulo (SP), Brasil
Juiz: Antônio Pereira da Silva (BRA)
Público: 7.615 pessoas
Gols: Jardel-GRE, aos 8´, Cafu-PAL, aos 29´, e Amaral-PAL, aos 39´do 1º T; Paulo Isidoro-PAL, aos 13´, Mancuso-PAL, pênalti, aos 24´e Cafu-PAL, aos 39´do 2º T).
Palmeiras: Sérgio; Índio, Antônio Carlos, Cléber e Wagner; Amaral (Magrão), Mancuso, Cafu e Paulo Isidoro; Alex Alves (Maurílio) e Müller.
Técnico: Carlos Alberto Silva.
Grêmio: Murilo; Arce, Rivarola, Scheidt e Roger; Adílson, Luís Carlos Goiano, Arílson (André Vieira) e Carlos Miguel; Paulo Nunes (Vágner Mancini) e Jardel (Nildo).
Técnico: Luiz Felipe Scolari.
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Palmeiras e Grêmio, que se enfrentam neste sábado pelo Campeonato Brasileiro, protagonizaram duelos históricos durante a década de 90. De um lado os paulistas com uma seleção brasileira montada pela Parmalat (que geria o futebol clube), do outro, a determinação e o jogo coletivo dos gáuchos comandados por Luis Felipe Scolari
O confronto mais marcante desse período foi realizado nas quartas de final da Copa Libertadores da América de 1995, quando o time alviverde quase conseguiu uma das maiores viradas da história do futebol. No jogo de ida, no estádio Olímpico, a equipe de Paulo Nunes e Jardel aplicou uma impiedosa goleada por 5 a 0.
"O jogo estava muito quente, primeiro foi uma expulsão do Rivaldo que deu uma entrada por cima da bola no Rivarola. Depois teve uma briga entre o Dinho e o Válber, foram os dois expulsos. Só que eles saíram do lado errado do vestiário e se cruzaram atrás do gol. Ali eles começaram a sair na mão e o Danrlei foi para cima do Válber, então começou a briga", recorda o ex-volante gremista Luis Carlos Goiano.
"O Carlos Alberto Silva (treinador do Palmeiras) colocou um time ofensivo, quando a gente acordou já estava 5 a 0 para eles e não conseguimos reagir. Ele deveria ter fechado quando tivemos o Rivaldo expulso, mas era muito difícil, porque éramos muito ofensivos. Dávamos espetáculo, a gente não se importava em não tomar gols, queríamos sempre ir para frente e vencer", recordou o ex-lateral palmeirense Índio.
Com desfalques e cinco gols de desvantagem, parecia impossível que a equipe poderia se classificar mesmo atuando no Palestra Itália. Os gaúchos sofriam uma certa acomodação pelo grande resultado em Porto Alegre. "Em momento nenhum passou pela nossa cabeça que eles poderiam fazer cinco gols na gente na partida de volta", recordou Goiano.
Já os palmeirenses queriam dar uma resposta após a humilhação sofrida. "Muitos já davam o confronto como encerrado, mas a gente acreditava. Durante a semana falamos que o jogo era questão de honra. Nós tínhamos que dar uma resposta, nós não poderíamos nos despedir da Libertadores daquela maneira, falaram que o time estava cansado e acomodado", disse Índio.
Para piorar a situação do Palmeiras, o atacante Jardel abriu o placar logo ao oito minutos de partida. Só que ao invés de entregarem os pontos, os palmeirenses foram para cima do Grêmio e marcaram com Cafu (dois), Amaral, Paulo Isidoro e Mancuso.
"As coisas foram encaixando de uma forma que até o Amaral fez gol (risos). Olhávamos uns para os outros dentro de campo e falávamos: 'Vai que dá'. No final o Mancuso chutou uma bola por cima do gol que o goleiro Murilo deve estar rezando até hoje (risos)", disse Índio.
"Você tem uma vantagem de seis gols é administrar o que já conseguiu, mas eles tinham muita qualidade e isso mexeu com os brios deles, que foram para o tudo ou nada. Eles amassaram a gente no campo de defesa, os gols foram saindo e no final do jogo passamos um aperto danando", afirmou o ex-volante.
Os jogadores saíram exaustos após a derrota por 5 a 1. "O Felipão no final o jogo estava aliviado, assim como todos nós. Isso serviu de lição para os outros jogos para não abaixarmos a guarda em momento nenhum, até porque foi muito complicado", analisou Goiano.
"O Grêmio não estava tanta disposição como a gente, porque estava em jogo o nome do Palmeiras. Isso mostrou que nada estava perdido, foi uma volta por cima e no final toda torcida nos aplaudiu e foi quase um titulo para gente", disse Índio.
"O Palmeiras era sempre favorito em toda as competições e nossa referência como time, O Felipão falava assim: 'Palmeiras é o melhor time do Brasil, se olharmos peça por peça eles são superiores, mas temos que fazer isso para nos mobilizarmos e termos sucesso'. Isso ele usava para nos motivar e fazer um conjunto muito forte, mesmo não tendo craques. Felizmente na maioria dos duelos contra eles levamos vantagem pela forma que encarávamos esses jogos", afirmou.
O duelo virou padrão para o time gaúcho no decorrer do torneio continental. "Eu lembro de uma entrevista do Felipão depois do jogo falando que queria o Grêmio com o mesmo espírito do Palmeiras, que aquela era vontade que o time deveria ter", orgulhou-se o palmeirense.
Os jogadores ouviram seu treinador e depois do confronto eliminaram o Emelc-EQU e na final bateram o Atlético Nacional-COL para conquistarem a competição.
FICHA TÉCNICA
PALMEIRAS 5 x1 GRÊMIO - QUARTAS DE FINAL DA LIBERTADORES
Data: 02 de agosto de 1995
Local: Estádio Palestra Itália, São Paulo (SP), Brasil
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Público: 7.615 pessoas
Gols: Jardel-GRE, aos 8´, Cafu-PAL, aos 29´, e Amaral-PAL, aos 39´do 1º T; Paulo Isidoro-PAL, aos 13´, Mancuso-PAL, pênalti, aos 24´e Cafu-PAL, aos 39´do 2º T).
Palmeiras: Sérgio; Índio, Antônio Carlos, Cléber e Wagner; Amaral (Magrão), Mancuso, Cafu e Paulo Isidoro; Alex Alves (Maurílio) e Müller.
Técnico: Carlos Alberto Silva.
Grêmio: Murilo; Arce, Rivarola, Scheidt e Roger; Adílson, Luís Carlos Goiano, Arílson (André Vieira) e Carlos Miguel; Paulo Nunes (Vágner Mancini) e Jardel (Nildo).
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