Nem todo herói usa capa - o meu usa chinelo e bebe cerveja
Mais certo que o sol é quente, a aquisição do Fusca e a morte, é que a fase ajuda. Só ela, a fase boa, pra nos fazer abrir mão das idiossincrasias estúpidas que envolvem o torcedor pós-moderno.
Este naipe de torcedor, o “Geração Marcado da Bola”, não se importa com o que vê em campo, importa-se com cifras. Por quanto o lateral esquerdo foi vendido para o Genoa na janela de agosto e se o clube vai fechar com um superávit histórico no balanço do trimestre. Sete a um foi pouco.
Não bastasse essa anomalia, estes sommeliers de comportamento se põem a julgar jogadores por tudo. Tudo, menos o desempenho em campo. Walter no Grêmio? Muito gordo, apesar de fazer mais gols que qualquer jogador magro nos últimos anos. André? Não, baladeiro, apesar de empilhar gols mesmo de ressaca. Sei lá, Magno Alves? Velho, mas com mais gols que o jovem Braian Rodriguez.

Douglas comemora seu gol a passos curtos, sem se cansar
Basicamente é isso, se julga a índole extracampo. No campo? Nada. Mas, como bem sabemos, desempenho em campo vem com a fase. E só com uma fase boa para eu poder falar estes impropérios.
A torcida do Grêmio mudou - com a fase boa, mas mudou. Abandonou a pachorrice de querer saber onde seu lateral esteve no dia de folga ou as relações afetivas do zagueiro reserva em um famoso motel da cidade. Agora, a torcida do Grêmio pensa como uma torcida, como o torcedor de verdade deve pensar: na bola.
Douglas, o anti-herói gremista, não tem o físico de um atleta. Apelidado carinhosamente de “Barriga de Cadela” pela torcida do Grêmio, visto sua proeminente pochete de cerveja - comparável a uma fêmea dog prenha - em sua primeira passagem no Grêmio, apesar de positiva, sofreu com os desaforos do torcedor pós-moderno, que o cobrava coisas irrealizáveis.

"Quem tem que correr é a bola", teria dito Douglas nesta cena
Passado os anos, com os egos desinflados, com as cabeças postas abaixo por uma pequenez momentânea, a visão mudou – claro, com a ajuda da fase, que, quando boa, permite qualquer coisa - e no seu retorno ao Grêmio, após cambalear numa oscilação natural, vimos os gremistas abraçando seu Camisa 10.
Camisa 10, diga-se, clássico. E com essa classe toda, mesmo que, vez ou outra, falte um pouco de fôlego, a perna esquerda está sempre calibrada pra aliciar uma redonda na cara do gol para um companheiro. Hoje, não importa mais se Douglas é barrigudo, se fuma uma carteira de Malrboro Light por dia e se bebe sua Skol litrão antes de dormir pra evitar a fadiga. Isso é trunfo, é glória. É a capa do anti-herói.
Ontem, contra o Coxa, no gol que deu a vitória ao Grêmio, combalido pela desnecessidade de marcar, com a fome subconsciente por pifar um colega, Douglas empurrou pra dentro, a contragosto, sub a linha da Vaná, a bola que outro deveria ter feito. Comemorou ofegante, como se a sede pela gelada no Bar da Isa, às cercanias da Arena, fosse mais forte. Não tem importância, a gente não liga.
Douglas é 10. É clássico. É um jogador do passado, antiquado. É o anti-herói gremista. Sempre pronto pra nos salvar e para nos fitar com os olhos caídos daqueles que não se importam com nada, mas, no fim, resolvem tudo.
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Mais certo que o sol é quente, a aquisição do Fusca e a morte, é que a fase ajuda. Só ela, a fase boa, pra nos fazer abrir mão das idiossincrasias estúpidas que envolvem o torcedor pós-moderno.
Este naipe de torcedor, o “Geração Marcado da Bola”, não se importa com o que vê em campo, importa-se com cifras. Por quanto o lateral esquerdo foi vendido para o Genoa na janela de agosto e se o clube vai fechar com um superávit histórico no balanço do trimestre. Sete a um foi pouco.
Não bastasse essa anomalia, estes sommeliers de comportamento se põem a julgar jogadores por tudo. Tudo, menos o desempenho em campo. Walter no Grêmio? Muito gordo, apesar de fazer mais gols que qualquer jogador magro nos últimos anos. André? Não, baladeiro, apesar de empilhar gols mesmo de ressaca. Sei lá, Magno Alves? Velho, mas com mais gols que o jovem Braian Rodriguez.
Douglas comemora seu gol a passos curtos, sem se cansar
Basicamente é isso, se julga a índole extracampo. No campo? Nada. Mas, como bem sabemos, desempenho em campo vem com a fase. E só com uma fase boa para eu poder falar estes impropérios.
A torcida do Grêmio mudou - com a fase boa, mas mudou. Abandonou a pachorrice de querer saber onde seu lateral esteve no dia de folga ou as relações afetivas do zagueiro reserva em um famoso motel da cidade. Agora, a torcida do Grêmio pensa como uma torcida, como o torcedor de verdade deve pensar: na bola.
Douglas, o anti-herói gremista, não tem o físico de um atleta. Apelidado carinhosamente de “Barriga de Cadela” pela torcida do Grêmio, visto sua proeminente pochete de cerveja - comparável a uma fêmea dog prenha - em sua primeira passagem no Grêmio, apesar de positiva, sofreu com os desaforos do torcedor pós-moderno, que o cobrava coisas irrealizáveis.
"Quem tem que correr é a bola", teria dito Douglas nesta cena
Passado os anos, com os egos desinflados, com as cabeças postas abaixo por uma pequenez momentânea, a visão mudou – claro, com a ajuda da fase, que, quando boa, permite qualquer coisa - e no seu retorno ao Grêmio, após cambalear numa oscilação natural, vimos os gremistas abraçando seu Camisa 10.
Camisa 10, diga-se, clássico. E com essa classe toda, mesmo que, vez ou outra, falte um pouco de fôlego, a perna esquerda está sempre calibrada pra aliciar uma redonda na cara do gol para um companheiro. Hoje, não importa mais se Douglas é barrigudo, se fuma uma carteira de Malrboro Light por dia e se bebe sua Skol litrão antes de dormir pra evitar a fadiga. Isso é trunfo, é glória. É a capa do anti-herói.
Ontem, contra o Coxa, no gol que deu a vitória ao Grêmio, combalido pela desnecessidade de marcar, com a fome subconsciente por pifar um colega, Douglas empurrou pra dentro, a contragosto, sub a linha da Vaná, a bola que outro deveria ter feito. Comemorou ofegante, como se a sede pela gelada no Bar da Isa, às cercanias da Arena, fosse mais forte. Não tem importância, a gente não liga.
Douglas é 10. É clássico. É um jogador do passado, antiquado. É o anti-herói gremista. Sempre pronto pra nos salvar e para nos fitar com os olhos caídos daqueles que não se importam com nada, mas, no fim, resolvem tudo.
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