Escanteio. Gum cabeceia, e a bola bate na mão de Gil. Há oito meses, a orientação aos árbitros era de pênalti a favor do Fluminense, contra o Corinthians. Agora, Heber Roberto Lopes cumpriu a nova orientação e deu cartão amarelo para Gum, que reclamou a não marcação da infração.
E assim, na base de recomendações "modinhas", segue o futebol brasileiro. Após três rodadas, o principal campeonato do país é marcado pelo "não": além de não haver bons jogos e bons públicos, o que não é nenhuma grande novidade, os jogadores não podem falar, não podem comemorar seus gols e, principalmente, não podem aparecer mais do que os árbitros.
Há uma determinação para punir com cartões os atletas que reclamarem. Falou? Cartão! Gesticulou? Cartão! Riu? Cartão! É o Brasileirão da opressão.
A CBF deu ainda mais poder aos senhores juízes, e isso é perigosíssimo para o campeonato. É verdade que eles cometem erros no mundo inteiro, mas não conheço árbitros com tamanho fetiche pela arte de aparecer quanto os brasileiros. E agora, eles estão com a faca e o queijo nas mãos.
Não basta dar cartão, é preciso interpretar, teatralizar, rivalizar com os duelos de Glória Pires e Adriana Esteves na novela (sem o talento das duas, evidentemente). Ao serem contestados, os árbitros agem como pais sendo afrontados por seus filhos pequenos negando-se a escovarem os dentes ou arrumarem a mochila para irem à escola. Fecham cara, fazem bico, colocam as mãos para trás, encaram os jogadores, e protagonizam cenas absolutamente infantis, como mostrou o apresentador Tiago Leifert no Globo Esporte-SP desta segunda-feira.
No intervalo do jogo entre Fluminense x Corinthians, no último domingo, o comentarista de arbitragem da TV Globo, Paulo César de Oliveira, informou que já haviam sido mostrados 27 cartões amarelos em três rodadas ainda incompletas. Depois disso, vieram o de Gum e muitos outros.
Essa orientação é um tiro no pé. Além de se perder o critério sobre quem merece, de fato, a punição, e valorizar critérios abstratos, como a simpatia que o juiz tem ou deixa de ter por esse ou aquele jogador, a tolerância maior com uns do que com outros, perde-se o brilho já opaco do campeonato.

Valdivia sofreu falta, Marcelo de Lima Henrique não deu. O chileno reclamou e levou cartão amarelo (Foto: Marcos Ribolli
Na próxima rodada, por exemplo, o Goiás receberá o Grêmio no Serra Dourada. Domingo, horário nobre, o time na vice-liderança, e o torcedor não poderá ver Bruno Henrique, principal atração deste início de campeonato. Por que? Porque ele foi expulso por Marcelo de Lima Henrique depois de driblar a defesa inteira do Palmeiras, criar brilhantemente a jogada do gol e comemorar na escada de acesso às numeradas do estádio adversário.
Douglas Coutinho fez o gol do Atlético-PR, abraçou duas senhoras torcedoras, e levou amarelo de Thiago Duarte Peixoto. Alexandre Pato marcou pelo São Paulo, tirou a camisa, vibrou, e foi advertido por Wagner Reway.
A média de gols deste Brasileiro já é ruim (dois por partida). E o prêmio que esses bravos atacantes recebem por criar ou fazer os raros momentos de alegria do campeonato é um.... cartão amarelo.
É compreensível e até necessário que a CBF tente minimizar os conflitos entre jogadores e árbitros durante os jogos. Terminar com aquelas rodinhas, o excesso de reclamações. Porém, dar mais poder à arbitragem, subjetivar critérios em suas mãos, cabeças e apitos, e confiar no bom senso da classe, definitivamente, não é o melhor caminho. Está na hora de cuidar mais do produto Campeonato Brasileiro que da embalagem.
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E assim, na base de recomendações "modinhas", segue o futebol brasileiro. Após três rodadas, o principal campeonato do país é marcado pelo "não": além de não haver bons jogos e bons públicos, o que não é nenhuma grande novidade, os jogadores não podem falar, não podem comemorar seus gols e, principalmente, não podem aparecer mais do que os árbitros.
Há uma determinação para punir com cartões os atletas que reclamarem. Falou? Cartão! Gesticulou? Cartão! Riu? Cartão! É o Brasileirão da opressão.
A CBF deu ainda mais poder aos senhores juízes, e isso é perigosíssimo para o campeonato. É verdade que eles cometem erros no mundo inteiro, mas não conheço árbitros com tamanho fetiche pela arte de aparecer quanto os brasileiros. E agora, eles estão com a faca e o queijo nas mãos.
Não basta dar cartão, é preciso interpretar, teatralizar, rivalizar com os duelos de Glória Pires e Adriana Esteves na novela (sem o talento das duas, evidentemente). Ao serem contestados, os árbitros agem como pais sendo afrontados por seus filhos pequenos negando-se a escovarem os dentes ou arrumarem a mochila para irem à escola. Fecham cara, fazem bico, colocam as mãos para trás, encaram os jogadores, e protagonizam cenas absolutamente infantis, como mostrou o apresentador Tiago Leifert no Globo Esporte-SP desta segunda-feira.
No intervalo do jogo entre Fluminense x Corinthians, no último domingo, o comentarista de arbitragem da TV Globo, Paulo César de Oliveira, informou que já haviam sido mostrados 27 cartões amarelos em três rodadas ainda incompletas. Depois disso, vieram o de Gum e muitos outros.
Essa orientação é um tiro no pé. Além de se perder o critério sobre quem merece, de fato, a punição, e valorizar critérios abstratos, como a simpatia que o juiz tem ou deixa de ter por esse ou aquele jogador, a tolerância maior com uns do que com outros, perde-se o brilho já opaco do campeonato.

Valdivia sofreu falta, Marcelo de Lima Henrique não deu. O chileno reclamou e levou cartão amarelo (Foto: Marcos Ribolli
Na próxima rodada, por exemplo, o Goiás receberá o Grêmio no Serra Dourada. Domingo, horário nobre, o time na vice-liderança, e o torcedor não poderá ver Bruno Henrique, principal atração deste início de campeonato. Por que? Porque ele foi expulso por Marcelo de Lima Henrique depois de driblar a defesa inteira do Palmeiras, criar brilhantemente a jogada do gol e comemorar na escada de acesso às numeradas do estádio adversário.
Douglas Coutinho fez o gol do Atlético-PR, abraçou duas senhoras torcedoras, e levou amarelo de Thiago Duarte Peixoto. Alexandre Pato marcou pelo São Paulo, tirou a camisa, vibrou, e foi advertido por Wagner Reway.
A média de gols deste Brasileiro já é ruim (dois por partida). E o prêmio que esses bravos atacantes recebem por criar ou fazer os raros momentos de alegria do campeonato é um.... cartão amarelo.
É compreensível e até necessário que a CBF tente minimizar os conflitos entre jogadores e árbitros durante os jogos. Terminar com aquelas rodinhas, o excesso de reclamações. Porém, dar mais poder à arbitragem, subjetivar critérios em suas mãos, cabeças e apitos, e confiar no bom senso da classe, definitivamente, não é o melhor caminho. Está na hora de cuidar mais do produto Campeonato Brasileiro que da embalagem.
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