Bola aérea, pressão nos volantes e marcação pelos lados: problemas do Palmeiras que o Grêmio poderá explorar


Fonte: GZH

Foto: Staff Images
Adversário do Grêmio nesta sexta-feira (15) pelo Brasileirão e na final da Copa do Brasil - em fevereiro, mas ainda sem a data definida - o Palmeiras avançou para a decisão da Libertadores em uma semifinal de altos e baixos contra o River Plate. Depois de aplicar uma goleada de 3 a 0 na Argentina no jogo de ida, o time do português Abel Ferreira foi completamente dominado em sua casa na volta e confirmou a classificação com muito sofrimento com uma derrota por 2 a 0. O confronto de 180 minutos com os argentinos serviu para Renato Portaluppi tirar lições e também observar pontos a explorar nos enfrentamentos que o Tricolor terá com o Alviverde.

Pouco mais de dois meses de sua chegada ao Brasil, o português Abel Ferreira mostrou no primeiro jogo da semifinal uma capacidade que poucos técnicos tiveram de conter o River Plate nesse período vitorioso sob o comando de Marcelo Gallardo. Com uma formação que teve o lateral Marcos Rocha atuando com terceiro zagueiro e uma linha de cinco defensores, o português conseguiu impedir que as constantes movimentações do ataque argentino se transformassem em infiltrações em Avellaneda. Bem compactado defensivamente, o Palmeiras soube explorar os erros individuais do goleiro Armani, no primeiro gol, e do zagueiro Rojas, no segundo, para abrir caminho para a goleada de 3 a 0.

— A flexibilidade tática do Palmeiras no primeiro jogo foi interessante. O Palmeiras arrancou com uma linha de quatro na defesa e quatro no meio, mas logo mudou para linha de cinco defensores para bloquear a amplitude dada pelos laterais e aproximação dos meio-campistas aos atacantes do River. O trabalho dos volantes centrais, Patrick de Paula e Danilo, se complementaram. O Palmeiras soube entender como jogava o River — observa o analista tático do Diário Olé Vicente Muglia, que acompanha a trajetória de Gallardo no River desde 2014.

A estratégia do português que parou o River na Argentina não repetiu o sucesso em São Paulo. Marcelo Gallardo mudou a forma de atuar do seu time montando a defesa com três zagueiros e permitindo que os laterais pudessem subir para dar amplitude com Enzo Perez se juntando a Nacho Fernández e Nicolás De La Cruz pelo meio. Mais sólido pela faixa central, a equipe argentina tinha ainda os atacantes Santos Borré e Matías Suárez fazendo constantes diagonais para se juntar aos laterais e gerar superioridade pelo lado do campo. Assim, a equipe visitante minou a área palmeirense com cruzamentos. Vencedor do duelo tático na Argentina, Abel Ferreira não conseguiu combater as mudanças feitas pelo seu adversário.

— A atuação foi decepcionante, não apenas no jogo, mas com a personalidade do time, que não reagiu animicamente. Foi um time superado totalmente pelo River taticamente. Não se encontra quase nada positivo do Palmeiras na partida, apenas o resultado — completa Muglia.

O fato de Abel Ferreira ter tido dificuldade de reagir à mudança do River pode ser um ponto favorável ao Grêmio, que tem mostrado ao longo da temporada variações na sua forma de jogar. Amanhã, Renato Portaluppi, além de buscar três pontos diante de um adversário direto no Brasileirão, poderá preparar seu plano para a decisão da Copa do Brasil.

Problemas mostrados pelo Palmeiras que podem ser explorados pelo Grêmio

Jogo aéreo: forte ofensivamente e com problemas defensivos

Abel Ferreira completou dois meses como técnico do Palmeiras na semana passada e fez diante do River Plate seu 20º jogo no comando do clube. Com a média de menos quatro dias de intervalo entre as partidas, o treinador português ainda não conseguiu aprimorar todos os seus conceitos. Uma dificuldade que ficou clara diante dos argentinos foi a bola aérea defensiva. A marcação por zona nos escanteios mostrou deficiência e foi assim que o River marcou o primeiro gol com o paraguaio Robert Rojas atacando o espaço às costas de seu compatriota Gustavo Gómez. Por outro lado, o Palmeiras teve eficiência na bola parada ofensiva, como no gol Matías Viña, que completou a goleada na Argentina, na semana passada.

O Palmeiras também sofreu com as jogadas aéreas do River com bola rolando, o que pode ser um prato cheio para Diego Souza. Artilheiro gremista na temporada, com 23 gols, ele balançou as redes oito vezes de cabeça - 34,78% dos seus gols. Vale como lembrança que no primeiro turno do Brasileirão, ainda com Vanderlei Luxemburgo no comando dos paulistas, o Grêmio marcou seu gol no empate de 1 a 1 com o Palmeiras, na Arena, em cabeçada de Ferreira após escanteio batido por Alisson.

— A saída do Gustavo Gómez impactou nesses problemas do Palmeiras na bola aérea. Ele tem alguma dificuldade para sair jogando, mas é um bom protetor de aérea. O Luan entrou mal, até quase fez um gol contra. Penso que até a final da Copa do Brasil o Marcos Rocha tende a saída do time porque foi muito mal na volta contra o River, mas o problema é quem vai entrar porque o Palmeiras tem problemas na quantidade de jogadores defensivos — analisa Raí Monteiro, comentarista da Conmebol TV.

Lados do campo: dificuldade na marcação, principalmente às costas dos alas

Foi bastante explorada pelo River Plate, na última terça-feira, as jogadas às costas dos alas do Palmeiras. Com os laterais Montiel e Angileri atraindo as marcações de Gabriel Menino e Matías Viña, o trio Matias Suárez, Santos Borré e De La Cruz aproveitou o espaço entre eles os zagueiros de lado, Marcos Rocha e Alan Empereur, para levar constante perigo à área palmeirense. A dificuldade para conter os cruzamentos no centro da área ficou mais evidente após a saída de Gustavo Gómez, lesionado. O paraguaio está fora do jogo desta sexta-feira contra o Grêmio, mas a lesão sofrida não será problema para a Copa do Brasil, já que o tempo de parada estipulado é de apenas 10 dias. Na Argentina, quando teve linha de quatro na defesa, o Palmeiras também sofreu nos primeiros minutos pelos lados, o que fez Abel Ferreira rapidamente definir Marcos Rocha como terceiro zagueiro e Gabriel Menino como ala pela direita. Naquela ocasião, a estratégia conteve os argentinos, mas não foi eficiente em São Paulo com as mudanças feitas por Gallardo.

Alisson e Pepê podem fazer movimentações parecidas as dos atacantes argentinos abrindo espaço para as chegadas de Victor Ferraz e Diogo Barbosa, que são fortes nos cruzamentos. O lateral-direito já deu quatro assistências nesta temporada enquanto o esquerdo serviu companheiros para gols em três oportunidades.

— O Gallardo soltou muito o Montiel e o Angileri e explorou os lados muito mal cobertos do Palmeiras. Rony e Scarpa não cortaram linhas de passes nem fecharam espaços. Na Argentina, o Palmeiras conseguiu manter a linha defensiva e o meio muito próximos. No segundo jogo, isso não aconteceu. Usar essas duplas, Victor Ferraz e Alisson pela direita e Pepê e Diogo Barbosa pela esquerd, a pode ser uma maneira de o Grêmio criar situações aproveitando essa dificuldade que Rony e Scarpa mostraram de acompanhar — explica Raí Monteiro.

Meio-campo: volantes tiveram dificuldade para jogar sob pressão

Uma arma do Palmeiras bastante produtiva na Argentina foi a saída rápida com os volantes Patrick de Paula e Danilo. Os garotos desarmavam e conseguiam rápido acionar os atacantes Luiz Adriano e Rony para as transições ofensivas. O segundo gol saiu exatamente dessa forma, com Danilo tocando para Luiz Adriano, que superou Rojas e avançou contra Armani.

Essa saída, no entanto, foi contida pelo River Plate no jogo da volta. Com Santos Borré recuando e Enzo Pérez mais adiantado, Gallardo criou superioridade sobre Danilo e Zé Rafael, que substituiu Patrick de Paula, lesionado, no meio-campo.

Para fazer pressão semelhante, Renato poderá adotar uma formação parecida com a que usou contra o São Paulo, na ida da semifinal da Copa do Brasil, quando Thaciano fechou a marcação para gerar superioridade no meio-campo — Alisson pode fazer essa função. A variação no jogo do Grêmio foi destaca pelo zagueiro Walter Kannemann ao projetar o confronto de amanhã contra o Palmeiras.

— Eu sou dos que pensam que no futebol já está tudo estudado e planejado. O importante é saber o momento certo e contra quem que utilizará as tuas estratégias. Temos nosso estilo de jogo. Às vezes atacamos e em outras fechamos os espaços, depende da situação. Estamos preparados. Os dois times estão procurando a vitória para permanecer lá em cima da tabela. Se será uma prévia da final da Copa do Brasil, eu não sei. Mas estou seguro que será um grande jogo, onde os dois times vão em busca da vitória — disse.






Grêmio, Análise, Adversário, Palmeiras

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