Entenda como a lesão de Leonardo pode deixar o atleta fora por até nove meses

Rompimento do ligamento cruzado posterior do joelho direito deve afastar o atleta dos gramados até metade de 2020


Fonte: Gaúcha Tricolor

A lesão detectada no joelho direito de Leonardo Gomes pode trazer um prejuízo ao Grêmio maior do que se imaginava. Quem acompanha futebol está acostumado a ler notícias de jogadores que rompem ligamentos do joelho. Poucos casos, no entanto, falam em ligamento cruzado posterior. Os mais comuns são o rompimento do colateral medial e do cruzado anterior, cujos tempos de recuperação são menores do que os nove meses de parada (ao menos) indicados nestes casos.

O clube não divulgou o tempo de recuperação do jogador, que deverá, inclusive, ser submetido a uma cirurgia. Conforme divulgado pelo Tricolor, o atleta de 23 anos teve o rompimento completo do ligamento cruzado posterior, além de uma lesão capsular articular no joelho, causada pela intensidade do trauma. O médico do Grêmio Márcio Dornelles explica que esse machucado leva à instabilidade do joelho.

— Este tipo de lesão é bem complexa e incomum. No momento, o joelho está com muito edema articular. Então, amanhã (quinta-feira, 12), vamos reavaliar a situação para definir os próximos passos — esclarece.


O ligamento cruzado posterior é uma tira de tecido fibroso que liga dois ossos: o fêmur, que fica na coxa, e a tíbia, o maior da perna. Essa fibra serve para estabilizar o joelho e evitar que ele faça movimentos impróprios, que causariam outras lesões. Quando há o rompimento total, o tempo de reabilitação costuma ser ainda mais longo do que os comuns seis meses de outras fibras.

— Quando há rompimento completo no cruzado posterior, é mais tempo. De nove meses para cima, com certeza, porque o atleta é obrigado a deixar um tempo imobilizado para que haja uma boa cicatrização. Como o paciente perde um pouco da capacidade de dobrar e esticar o joelho, o tempo é ainda maior até voltar a jogar — explica o ortopedista José Luiz Runco, ex-médico da Seleção Brasileira.

Assim, na melhor das hipóteses, o lateral-direito titular do time de Renato Portaluppi voltaria a atuar em junho do ano que vem. O especialista ressalta, porém, que a lesão não é mais grave do que a de outros ligamentos. A recuperação é que demora mais.

Isso porque, quando há o rompimento de outros ligamentos, não existe a necessidade de manter o joelho imobilizado o tempo todo, permitindo o deslocamento com muletas. No caso do cruzado posterior, é preciso que haja imobilização total, o que representa uma perda natural de movimentação e enfraquecimento da musculatura.

A lesão, segundo o médico ortopedista, também se origina de maneira diferente, por isso é incomum. Enquanto em outros casos a fibra se rompe devido a uma rotação do joelho, no caso do ligamento cruzado posterior se deve à hiperextensão da perna. Ou seja, o machucado ocorre porque a perna estica demais.

Situação parecida e pausa longa

Quem passou por essa mesma lesão foi o zagueiro Dedé, do Cruzeiro, em 2014. Ele rompeu o ligamento cruzado posterior do joelho direito em novembro, durante partida válida pela semifinal da Copa do Brasil daquele ano, contra o Santos, que terminou empatada em 3 a 3.

Inicialmente, o clube mineiro optou por um tratamento "conservador", ou seja, sem intervenção cirúrgica. Porém, sem a evolução esperada pelo departamento médico, precisou operar o joelho para reconstruir o ligamento, por meio de enxerto. A cirurgia foi realizada por Runco, que acredita que Leonardo Gomes precisará passar por algo parecido.

— A reconstrução é importante, porque sem o ligamento o atleta pode vir a comprometer outras estruturas do joelho. O retorno é lento, às vezes tem intercorrências, estiramentos musculares, fraturas por estresse, mas dá para voltar a jogar em boas condições — afirma o médico.

No caso de Dedé, houve complicação. O zagueiro também teve um edema ósseo no joelho direito e precisou ficar afastado dos gramados por 14 meses. Quando voltou, em 2016, sofreu uma fratura na patela do mesmo joelho e foi submetido a outra cirurgia. Retornou gradativamente no ano seguinte e teve nova lesão, desta vez no joelho esquerdo, que acabou desgastado devido ao peso colocado sobre ele, que virou o principal ponto de apoio do jogador durante anos. A temporada de 2018 foi, enfim, a da volta de Dedé.

— Antigamente, essa lesão fazia atletas pararem de jogar. Hoje em dia, devido à tecnologia, conseguem voltar bem. O Dedé demorou bastante, mas agora está aí, jogando em alto nível. Muitas vezes o torcedor não entende, mas temos que primeiro nos preocupar com o ser humano e depois vamos olhar o atleta. Tenho certeza de que o Grêmio fará isso — diz Runco.



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