Darlan conta sobre oportunidades e referências no Grêmio

Darlan fala sobre paixão por andar a cavalo, cita Arthur, Matheus Henrique e Jean Pyerre como referências e conta sua história em entrevista exclusiva ao GloboEsporte.com


Fonte: Globoesporte.com

Quase 500 quilômetros separam São Borja, na fronteira com a Argentina, de Porto Alegre. Terra reconhecida pelos presidentes da República Getúlio Vargas e João Goulart, também é berço da nova promessa do Grêmio. Aos 21 anos, Darlan Mendes dá seus primeiros passos no elenco profissional e tem a chance de fazer a cidade ser reconhecida também como a terra de mais um volante de talento. Não só no campo, mas a cavalo também.

O meio-campista monta desde pequeno e usa o tempo de pausa para se conectar com o passado ao andar a cavalo. Na folga concedida pelo Tricolor, aproveitou para ir com a namorada para a fronteira com Santa Catarina e apreciar um tempo mais próximo do ar campeiro. Quando, em janeiro, foi chamado para alguns treinos com o grupo principal, montou na oportunidade e não deixou o cavalo passar encilhado, como relatou em entrevista exclusiva ao GloboEsporte.com.

- É um costume que eu tenho, gosto muito de andar a cavalo nas horas vagas, que tenho oportunidade de ir para um lado mais interior. Uma tradição bem forte, bem gaúcho. No cavalo, tem que estar equilibrado. Se desequilibra, cai. No futebol, também. Tem que estar sempre focado, sabendo o que quer colher, o que quer fazer - revelou o jovem.

"Ninguém avisa das oportunidades, quando vai acontecer. É um resumo na questão de estar focado que as coisas acontecem na hora certa. Se estiver focado, vai saber aproveitar"
No bate-papo, o garoto também fala sobre a sua estatura (menos de 1,70m), a trajetória até chegar ao clube gaúcho – já são oito anos no clube. E claro, também releva seus sonhos e a razão para Jean Pyerre chamá-lo de "Tião Galinha", seu apelido na intimidade do vestiário.

Darlan – Iniciei no futsal lá na minha cidade na época. Acabou acontecendo um projeto para montar uma equipe de campo, para jogar a Copa Adidas em Teutônia. Buscou os melhores da cidade e foi para essa competição. Tinha grandes times, Grêmio, Inter, Novo Hamburgo, Caxias. O foco do nosso time era tentar atrair um clube grande para se destacar, ganhar uma oportunidade. Tinha um olheiro lá e neste meio tempo, gostou da minha competição. Chegou no meu professor e pediu para fazer um teste no Grêmio que tinha portas abertas. Acabou a competição, ele entrou em contato com o professor, foi até a minha cidade e convidou. Em 2011, vim, passei uma semana em avaliação e graças a Deus fui aprovado. Estou até hoje aí.

Você falava dos teus hábitos da família lá em São Borja. Vocês são bem tradicionais mesmo?

É um lado bem gaúcho, né. Bem no interior, na fronteira. Tem uma tradição forte. Cavalo, essas coisas. É um costume que eu tenho, gosto muito de andar a cavalo nas horas vagas, que tenho oportunidade de ir para um lado mais interior. Uma tradição bem forte, bem gaúcho.

E aprendeu a montar desde pequeno?

É de família, mesmo. Meu avô sempre criou cavalo, cresci no meio de cavalo, vendo meus primos andar. Quando não estava jogando futebol, estava andando a cavalo. Sempre foi um lado que gostei e até hoje gosto. Agora nas férias, tivemos a folga e eu fui para Praia Grande com a minha namorada. Deu para lembrar o início. Era cavalo e cavalo, realmente, gostava muito mesmo.

Te ajuda em alguma coisa no futebol, na vida?

Com certeza. No cavalo, tem que estar equilibrado. Se desequilibra, cai. No futebol, também. Tem que estar sempre focado, sabendo o que quer colher, o que quer fazer. Tem semelhanças.

Desta longa história, você lembra do que olhando para trás deste período que passou, longe da tua terra?

A gente olha para trás, são coisas que valeram muito a pena. Deixamos muita coisa de lado para buscar focar, treinar. Futebol tem que estar sempre focado, oportunidades aparecem e tem que estar pronto. Olho para trás e vejo que tudo o que fiz e ainda faço, vale a pena. A gente está colhendo coisas boas.

Veio com pai e mãe na época?

Foi meio complicado, como a gente falou, interior, distante. Porto Alegre, a cidade grande. Minha família estava meio assim, largar o interior para a cidade. Meu pai e minha mãe toparam a ideia. Eles falaram que eu só vinha se eles viessem junto. Então, sempre me apoiaram e tiveram junto. Demos um jeito de travar o trabalho lá, graças a Deus deu certo, estão até hoje aí comigo.

Vimos vídeos do seu irmão já nas redes sociais. Já está no Grêmio? Vai ser melhor que o irmão?

Não é por ser meu irmão, mas aquele ali vai ser tinhoso. Começou na Escola no Cristal também, se Deus quiser vai seguir meus passos. Tentar trazer ele para o lado do futebol, gosta muito. Tudo o que faço ele está sempre junto. Sempre com a bola no pé. E tentar buscar passar o que eu vivi para ele. Dar sequência para ele crescer também.


Quando soube que o Renato ia te fixar no elenco, reagiu como? Não tivemos muita chance de te perguntar sobre isso.

Foi em janeiro que comecei a agregar ao grupo. Professor sempre dá oportunidade para a base nos treinamentos, está sempre observando. Já estava muito feliz só pelos treinos, poder conviver com os caras que temos como referência. Fui aproveitando os treinos, dando sequência. A comissão em geral começou a falar que eu estava bem, para me manter da mesma forma que iam surgir mais treinos. Fui dando sequência e aí o professor Renato falou que eu estava ali, a ascensão que é o Grêmio, treinando com eles e que dependia de mim. Foi quando surgiu a oportunidade de ir para os jogos no Gauchão. Ali fui acordando. “Estou indo para jogos com os caras, referências do Grêmio”. Tantas lutas lá embaixo até chegar aqui. Foi muito rápido também, estava treinado, do nada comecei a ser relacionado. Aí fui aproveitando as oportunidades.

Você estreou na Arena e agora teve a oportunidade contra o Botafogo, antes da parada. Como foram esses momentos?

Minha estreia foi na Arena, contra o São José, no Gauchão. Foi um momento muito especial, o grupo me apoiou muito. O grupo é sem palavras, os caras dão uma força, uma confiança para trabalhar e aproveitar o momento. Realizei um sonho de jogar na Arena. A torcida me apoiou muito. Nos momentos quando eu pegava na bola, fazia uma jogada, eu sentia essa vibração. O apoio do professor e do grupo falando comigo. Foi um sonho realizado ali. Apareceu a oportunidade de jogar contra o Botafogo, fora, foi um momento muito bom. Jogar contra torcida adversária, foi muito marcante também.

Você chegou a ser capitão na base em alguns momentos. Tem como levar esse perfil de liderança já no início do profissional?

Muitas vezes, desde o sub-17, tinha oportunidade. É um perfil que busco, também. Transmitir a questão de foco, trabalhar bastante, meus companheiros sabem esse meu lado. A questão do profissional, busco muito aprender. A gente sempre aprende. Tenho o Maicon, referência como capitão, o Geromel. Caras que são referência. A gente no início procura aprender a postura deles, que são diferentes. Passam confiança para falar, por mais que seja novo e esteja chegando. O grupo dá uma confiança muito boa para quem está se sentindo bem, falar. Desta forma que vamos crescendo e mantendo a mesma essência. Não dá para perder o lado que a gente tem.

Você citou o Maicon como referência de líder. Quem são suas referências na posição?

Busco muito ter o meu perfil, mostrar o meu trabalho, o que eu venho fazendo nestes jogos. Tiramos aprendizado, tem o Maicon, tem o Matheusinho que é um cara que próximo da minha idade, é uma referência que procuro muito aprender. Até o Jean Pyerre, que temos um convívio muito longo, procuro aprender bastante com ele. E caras que tiveram ascensão no clube, tem o Arthur, que recentemente saiu. Procuramos pegar um pouco de cada, mas focar mais no meu perfil, na minha essência e tentar colocar em prática. No futebol internacional, acompanhei bastante o Xavi, era um jogador que sempre gostei do futebol por ser diferente. É um cara que em questão de Europa, um cara que é uma referência para mim.

Na base, jogava tanto como volante quanto como meia. Em qual posição se sente mais à vontade?

Sou um segundo volante, gosto muito de buscar o jogo com qualidade, passar a bola para o 10, os caras da frente, com qualidade para executar a jogada e chegar bem no gol. Me sinto bem jogando solto, próximo do 10. Mas como o professor achar, em qualquer parte do campo, temos que agarrar a oportunidade e mostrar as melhores formas de jogar.


Você citou vários jogadores criados aqui no Grêmio. O clube produz muito jogadores naquela função. Que características o Darlan tem que dá para ver em outros da função revelados pelo Grêmio?

A essência que eu busco muito é jogar no espaço-tempo. Jogar o jogo curto, dar uma cara para o time, atrair a qualidade. Jogo curto, ter a posse de bola. Ter calma, jogar tranquilo. SE o jogo está complicado, tentar dar uma cara para o time. Minha essência é a posse de bola, jogar com a bola no pé.

Uma essência que tem no Matheus, tem no Arthur.

É, a gente procura aprender, né, com um pouco de cada. Aprendo muito com o Maicon ali, dá muita tranquilidade, passa o que viveu e o que sabe. Já tem uma bagagem. Dá para se comparar, assim, a gente procura aprender. Meu perfil é esse, ter a posse, são referências boas que a gente procura aprender ao máximo para executar da melhor forma depois.

Tem alguma coisa especial que consegue formar tantos jogadores com sucesso nesta posição?

Cara, acredito muito que a base é muito qualificada nesta questão. Tem professor de alto nível que trabalham muito bem. Até pelo perfil, o Grêmio vem ganhando muitos títulos com a essência de jogo do professor Renato, vem surgindo grandes caras. A base procura executar o perfil lá de cima, que é o carro-chefe, né. É muito trabalhado, os volantes jogar da forma que o profissional joga. E vai se adaptando na forma que é pedido lá em cima. Quando chegamos, temos um perfil parecido e conseguimos qualificar mais. O professor passa aprendizado. É muito parecido com o profissional, aí conseguimos chegar fazendo um trabalho parecido.

Você não é um cara muito alto. Atualmente, no Grêmio, isso não tem sido empecilho para jogar. Mas em algum momento da sua carreira, isso já foi problema?

Já ouvi muito, em competições. Não só comigo, se vê muito no futebol. Hoje é até natural, o melhor do mundo, a estatura é pequena. Então, claro, já vi outras pessoas falando que não vai jogar, é pequeno, bola alta, precisa ter mais estatura. Mas eu sempre busquei fazer meu jogo. Meu jogo não precisa da estatura grande, é bola no pé. É uma situação que é tranquila para mim. Claro, os cara brincam, “e aí baixinho”, mas coisas sadias que a gente releva.

"Hoje é até natural, o melhor do mundo, a estatura é pequena. Então, claro, já vi outras pessoas falando que não vai jogar, é pequeno, bola alta, precisa ter mais estatura. Mas eu sempre busquei fazer meu jogo. Meu jogo não precisa da estatura grande, é bola no pé"
Você falou da resenha com o Jean Pyerre. Quero saber por que ele te chama de Tião.

Sou bem gaúcho, bem da fronteira. Ele me conhece bastante, desde o início, cheguei meio bruto. Começou a brincadeira sadia, ele falava que eu roubava galinha na minha cidade. (risos). Pegou o apelido. Levo tranquilo, hoje. Na minha apresentação do profissional, estava me apresentando. A mesa cheia, eu suando. Aí ele pediu silêncio: “Por que Tião?”. Bah, o cara me faz essa pergunta na frente de todo mundo. Ficou. Ele que começou a falar para chamar de Tião, aí começam a brincar nos comentários. É por eu ser bem do interior, ficou Tião Galinha.

O Jean é o cara mais engraçado, mais teu amigo?

Se falar assim, todos são muito companheiros, o grupo em si é bem fechado. Desde meu início, por ser profissional, chegando os caras em alto nível ali, fica com receio de brincar e falar mais. Mas os caras transmitem uma alegria, são muito gente boa. Por eu ter uma afinidade com o Jean, iniciamos juntos, foi muito bom para mim chegar e ter os guris ali, o Jean, Pepê, Matheus. Os caras que me abraçaram. O grupo todo, mas de brincar, um pouco mais com eles porque já conhecia. Mas o Jean é um cara que sempre brinco, tenho uma intimidade a mais. O apelido dele é Lacraia, só para falar (risos).

E por que Lacraia?

Porque é magrelão, na época tinha o cabelo, a gente cantava o “vai lacraia”. (risos)

Depois da parada, o Grêmio tem jogos decisivos. Como vê o grupo depois do primeiro semestre que passou?

É uma pergunta muito boa. O grupo acredito que fez um semestre passado muito bom, é muito bom de trabalho e tem metas a buscar. Tem um perfil bom vencedor ali. Quando cheguei, a base transmite isso, mas ali vê que é diferente. Ali vê que tem vontade, que trabalham para caramba no dia a dia. Professor Renato tem um lado muito forte de vencer e querer. A gente vem deste semestre, vem para esse segundo, o grupo está muito fechado e preparado para estes próximos desafios para frente.

Na base, todo menino tem um sonho ao se tornar profissional. Qual o sonho do Darlan?

Meu sonho, mesmo, de quem vem do interior, sempre sonhei em estar do Grêmio. Sempre falei que queria jogar no Grêmio, que queria chegar lá. Hoje graças a Deus me sinto realizado por eu estrear no profissional e poder fazer todo o processo. Realizei um sonho. Tenho muito a colher ainda, é me afirmar, crescer, ter paciência para as coisas. Tem muitas coisas a buscar, a gente sonha, ganhar títulos no clube que me formou. E todo atleta tem sonho de buscar coisas grandes, jogar na Europa, seleção brasileira, são metas que com o tempo a gente vai colhendo.


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Comentários



Jonas Teles     

Esse garoto joga muito

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