O único trunfo do Grêmio para neutralizar o favoritismo do Inter no Gre-Nal de domingo é Luiz Felipe Scolari. A missão não é pequena para o experiente treinador que inicia sua terceira passagem pelo clube, mas também está longe de amedrontá-lo, tenho certeza. O técnico que mais gosta de lidar com cenários desfavoráveis e mais vezes conseguiu revertê-los é, não tenho dúvida, Luiz Felipe.
A tarefa se torna tanto mais difícil à medida em que o contexto é contrário ao time e ao comandante. Nas outras vezes, Felipão se apresentava para a dificuldade trazendo sua competência e sua confiança no próprio trabalho. Era reconhecido pelo mundo do futebol pelo desassombro. Agora, o próprio treinador vem de um recente revés em sua vida profissional.
Significa que também ele precisará de socorro ou, como disse na entrevista de apresentação, de carinho. O time do Grêmio é inferior ao do Inter no setor essencial de uma equipe de futebol. Basta fazer um singelo exercício: quantos meio-campistas colorados teriam lugar no mesmo setor do time gremista?
Arrisco-me a responde que três deles com absoluta certeza. D'Alessandro, Aránguiz e Alex entrariam direto no meio-campo do rival. Alan Patrick, pode-se discutir. Outra pergunta a ser feita: quantos jogadores da dimensão de D'Alessandro e Aránguiz tem o time do Grêmio?
Resposta imediata: nenhum. Logo, na lógica do jogo, o favoritismo colorado se apresenta nos números. O que cabe a Luiz Felipe Scolari é estabelecer um tamanho elo de lealdade com seus jogadores, que os atributos técnicos do adversário valham menos do que a entrega e a organização gremistas. Ainda assim, não bastará.
Felipão vai mexer em peças de sua engrenagem, não repetirá o time que começou contra o Vitória. Não duvido de que desloque Pará para a esquerda e coloque Matías Rodríguez na direita. No meio, Felippe Bastos cresce como candidato à terceira vaga do meio-campo para auxiliar Edinho e Riveros no trabalho defensivo e liberar Giuliano para a quarta função de chegada ao ataque. Na frente, Luan pode estar perdendo vaga para Dudu ou Fernandinho.
Se quiser radicalizar, Luiz Felipe ainda pode dar outro parceiro de zaga a Rhodolfo. Saimon, Werley e até Bressan seriam candidatos. Os últimos resultados do Grêmio autorizam o novo técnico a cirurgias profundas. Nenhum gremista haverá de condenar Luiz Felipe se ele mudar meio time para o Gre-Nal.
Acertar a mão nas trocas para formatar o time do Grêmio para o clássico não é o maior desafio de Luiz Felipe depois da Copa. Na verdade, é só o primeiro dos próximos que virão.
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