Imagino Giuliano nervoso, assim como é no campo, tomando a palavra no vestiário para o tradicional discurso que se faz na rodinha de jogadores, a fim de motivá-los antes da partida decisiva contra o Fluminense. A Arena lotada — do jeito que o drama gosta. Decerto ecos de "Queremos a Copa" foram ouvidos ali dentro. No meio de toda aquela agitação, alguém teve a infeliz ideia de lembrar que a torcida está há 14 anos sem comemorar um título. Pronto: o Grêmio desabou diante da ansiedade.
Sou ansioso desde o jardim de infância, quando me angustiava para ir à aula, evitando falar com professores e colegas. Mas foi em abril deste ano que comecei a fazer terapia para entender o que me faz sofrer de ansiedade e como posso levar uma vida mais tranquila. Já aprendi algumas coisas desde então. Uma delas é que a ansiedade pode ser boa, se bem administrada. Porém no caso desta última quarta-feira, quando o Grêmio enfrentou um adversário tecnicamente inferior por uma vaga às semifinais da Copa do Brasil, ela se apresentou invencível para o time de Roger.
O Grêmio sofre de ansiedade e, também pelo comportamento do treinador durante o jogo, fez o que nós, ansiosos, sabemos ser um erro: desesperou-se frente à possibilidade de crise. Porque todo mundo está cansado de ouvir que desde 2001 o clube não comemora uma grande conquista. Sim, todo mundo sabe, de lá para cá foram alguns Gauchões, uma segunda divisão, uns quase-títulos e a triste sina de ver o rival ganhar tudo. E por isso, a cada bola esticada na ponta para um cruzamento rasteiro apressado, o Grêmio se deixava ser dominado pela pressão e pelo medo de fracassar.
Uma coisa que a ansiedade é capaz de fazer é diminuir nossa memória. O Grêmio esqueceu do padrão de jogo que o levou ao terceiro lugar no Brasileiro para se torturar com a ameaça de passar mais um ano sem levar uma taça para o armário. Abriu mão da inteligência, a marca da Era Roger, pela afobação. Na cabeça do time inteiro o medo de não "sair campeão" foi maior do que a vontade de sair.
Mas a ansiedade não nos matará. Para domá-la, é preciso voltar os pensamentos aos fatos reais e concretos, como meu terapeuta me ensinou. E a verdade é que temos um time organizado, um ótimo e promissor técnico, uma campanha no Brasileirão que praticamente nos garante na Libertadores de 2016 e a certeza de que o bom trabalho continuará. Com calma, sem pressa, chegaremos lá.
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