Manual do bruxo: Ronaldinho Gaúcho é professor da 'boleiragem' O ex-presidente Paulo Odone revelou detalhes das conversas com Assis durante a tentativa de acerto do retorno de Ronaldinho Gaúcho ao Grêmio. O ex-dirigente citou um pedido de valores para pagar a rescisão contratual com o Milan e uma entrevista como pontos que impediram o acerto. Além disso, lembrou a confusão causada nas escolinhas do clube gaúcho pela promessa de craque. Odone foi presidente do Grêmio em cinco momentos. Esteve desde a renovação com Assis, na qual ouviu falar pela primeira vez de Ronaldinho, até a Batalha dos Aflitos, por exemplo, e a tentativa de volta do craque, em 2011. Após um primeiro contato de Assis, o dirigente passou a alimentar a possibilidade publicamente para tentar aproximar os gremistas do então jogador do Milan, que havia deixado Porto Alegre pela mudança para a Lei Pelé em 2001 sem ressarcimento ao Tricolor. O primeiro movimento de Odone foi feito no Palácio Piratini, sede do governo estadual gaúcho, em uma homenagem recebida por Ronaldinho. O dirigente fez contato com a mãe do atleta, Dona Miguelina, como um gesto de aproximação. – O Assis veio me propor: "O Ronaldinho gostaria de terminar no Grêmio, na casa dele, se reabilitar em Porto Alegre". Era difícil ele frequentar Porto Alegre, ainda é assim um pouco. Mas ele diria isso, vem porque quer terminar na casa dele? Então podemos faazer negócio Assis – contou Odone no programa "Um assado para" do canal do Duda Garbi. – Ficou muito perto, com advogado três dias discutindo, ficou o contrato datilografado, redigido, pronto. Só faltava assinar. Só. Por que não assinou? Porque ele estava no Rio e em São Paulo e confundia cada vez mais. Ele dá uma entrevista e diz "O Flamengo é o time do coração, me empolga, o Palmeiras me paga bem. E o Grêmio é o time da minha terra". Eu vou trazer ele assim? O Flamengo é tudo que ele queria, torcida fantástica, e o Grêmio é o time da cidade dele? – explicou. O dirigente também citou um pedido para o Grêmio assumir os valores da rescisão com o Milan, de R$ 12 milhões, o que inviabilizou a negociação, já que era mais um pedido da parte de Assis com modificação no negócio. Odone também disse a organização do evento no Olímpico ocorreu sem ele saber, em iniciativa do diretor de marketing PC Verardi. – Eles pediam mais 12 milhões que era o dinheiro que o Milan que tinha que pagar, que estafva acertadíssimo que era com ele, e vem o Assis disse que precisava botar mais os 12 milhões. Eu disse, "vai me desculpar, não dá. Deu". – Foi a sofregidão e a vontade do PC ver aquilo consagrado. E não me pergunta nada, ainda mais sabendo que eu era autoritário com essas coisas. Ninguém ia fazer nada sem eu dar o alô. Estava preparando uma coletiva, que ia chegar a tal hora de avião – disse Odone.
Time adversário na escolinha jogava com dois a mais O ex-presidente gremista também contou uma história ainda de quando Ronaldinho era criança e jogava nas escolinhas do clube gaúcho. Os campos usados eram atrás do utilizado pelo elenco profissional. Aos sábados, havia alguma confusão no local, com gritos e briga de pais, que eram os responsáveis por treinar e escalar as equipes. Os times que jogavam contra a equipe de Ronaldinho atuavam com dois jogadores a mais na linha para "equilibrar" o duelo, conforme relato de Odone. Além disso, o dirigente disse que a partir da confusão com os pais, passou a usar estudantes de Educação Física no Instituto Porto Alegre (IPA), hoje em dia o Centro Universitário Metodista. – O Ronaldinho me apareceu primeiro como um baita problema. O time que jogava o Ronaldinho na escolinha tinha que jogar contra time com dois a mas para equilibrar. Dava goleada, sempre. Crianças, mas ele passava por cima. A coisa ficou feia. Os pais discutindo, brigando. Por causa do outro que desequilibra já criou uma discussão bárbara. Então baixei uma portaria, pais não apitam e não escalam mais – revelou Odone.
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