Grêmio e Brasil de Pelotas definem um semifinalista do Gauchão neste domingo, em duelo pelas quartas de final, na Arena. Mas dois jogadores vão reviver as sensações de um encontro de família: Du Queiroz e Nycollas Queiroz. Ambos carregam a paixão pelo futebol desde o início juntos nos campos de várzea e também a história típica de uma família das quebradas de São Paulo. O sobrenome não é mera coincidência – o volante do Grêmio e o atacante do Xavante são primos. Mas nutrem uma relação ainda mais próxima, de irmãos mesmo. Foram criados no mesmo terreno, no Butantã, na Zona Oeste de São Paulo, e mantêm a conexão até hoje. – Nascemos na mesma casa. O pai dele é irmão da minha avó. Minha avó morava nos fundos e o pai dele morava na frente com a minha bisavó. Aí a gente cresceu junto – conta Nycollas. A gente está conversando. Já falamos que quem perder vai ter que pagar aquela janta depois do jogo" — Nycollas, atacante do Brasil de Pelotas
Início nos campos da quebrada. Foi na periferia da capital paulista que ambos deram os primeiros passos no futebol, em um time formado em sua maioria por familiares. Eram os "Queiroz" contra o time de outra quebrada. Por ser três anos mais velho, Du começou um pouco antes, mas logo ganhou a companhia de Nycollas. – A gente jogava muito na rua, no bairro mesmo. Antigamente tinha muito lá em São Paulo, o que a gente chama de "contra". Por ter tantos primos, a gente tinha um time da família, os Queiroz, que jogava contra o time da outra rua, da quebrada que a gente chama. Na favela. E a gente ia jogando – relembra o volante do Grêmio. Na quadra de cinco contra cinco, os dois jogavam como atacantes. O mais velho, no instinto de proteção, muitas vezes precisou defender o primo, que já dava trabalho aos zagueiros. – A gente brigava muito na rua. Era um time só de família...
...Então, por exemplo, ele (Nycollas) é um pouco mais novo, você via um moleque mais velho batendo nele. Aí eu já ficava bravo e queria tomar a frente. Tinha uns lances que ele era muito habilidoso, ia para cima e os caras ficavam bravos com ele. Quando é da família parece que bate na gente também, né, então arrumava muita briga assim – relembra Du. Agora vou ter que bater muito nele, não tem jeito (risos)" — Du Queiroz, sobre o duelo com o primo de Nycollas
Torcida um pelo outro. Mas não é só o amor pelo futebol que os dois compartilham. Dividem também a trajetória de vida. A condição financeira fez a família inteira se reunir no terreno da avó dos jogadores. Nycollas perdeu o pai cedo e foi acolhido pelos pais de Du, o que fez os primos se tornarem muito próximos desde cedo. Não à toa, se falam quase diariamente. Sempre que tem tempo, o atacante do Brasil sai de Pelotas rumo a Porto Alegre para para visitar Du. No fim de semana, a visita vai ser na Arena. – Ele (Nycollas) é como se fosse um irmão para mim, porque a gente cresceu no mesmo quintal, na casa da minha avó...
Além dos familiares, Du e Nycollas também cresceram rodeados pela criminalidade na periferia onde moravam, mas escolheram seguir outro caminho. Herdaram a paixão pelo futebol de tios e primos e viram no esporte a chance de mudarem de vida e ajudar a família. Conseguiram o que poucos conseguem, se tornaram jogadores profissionais. Hoje no Brasil de Pelotas, o atacante de 21 anos...
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