O Gre-Nal da noite desta quarta-feira, às 22h15, na Arena, contará com um efetivo ainda maior para garantir a segurança no entorno do estádio. Serão mais de 700 policiais envolvidos no esquema montado pela Brigada Militar, de novo com auxílio de helicóptero, drones e cavalaria.
Conforme o comandante do Comando de Policiamento da Capital (CPC), coronel Fernando Gralha Nunes, a logística para o jogo na Arena é mais complicada em função da localização do estádio. E isso acaba por aumentar o efetivo necessário para o Gre-Nal. Todos os cavalos disponíveis da corporação em Porto Alegre serão usados na operação.
O número total leva em conta os envolvidos na partida em algum momento do dia, e não necessariamente de 700 policias durante todo jogo na Arena e adjacências.
"Serão mais (que o primeiro jogo), serão mais de 700 policiais. É importante dizer que é um efetivo escalonado, grupos fazem a entrada da delegação, da torcida e depois voltam para patrulhamento em suas áreas. Retornam para a hora da saída. Mas não ficam exclusivamente para o jogo", explica o coronel Nunes ao ge.
Os pontos de maior preocupação da segurança pública são os deslocamentos da torcida do Inter para a Arena e também da delegação colorada. Será o primeiro clássico no estádio gremista depois do ataque ao ônibus do Grêmio na chegada ao Beira-Rio, há quase um mês.
Serão entre 30 e 40 ônibus de torcedores colorados que devem se deslocar para o estádio três horas antes do jogo, e mais o veículo com a delegação. Todos seguirão pela Avenida Voluntários da Pátria, que vai receber policiamento reforçado para evitar emboscadas e ações isoladas de torcedores.
A aproximação da Arena pela Voluntários da Pátria é o momento de maior tensão, na visão de Nunes, já que os gremistas se concentram em bares justamente nesse local, assim como também se agrupam embaixo de viaduto em frente ao estádio.
Ali, será feito um cordão humano com policias para afastar os gremistas dos veículos. Além disso, grupos de policiais ficarão também em ruas secundárias para acompanhar a movimentação e observar eventuais problemas por trás, o que favorece caso seja necessário efetivar alguma prisão.
"Além da contenção para não chegar próximo das vias, temos grupos para fazer a prisão, chegando por trás e fazendo prisões se for o caso. Se alguém tiver comportamento agressivo, e nós contamos que não haja, mas se tiver, vamos ter grupos para agir", acrescenta Nunes.
Além da cavalaria, o esquema contará com ronda de motocicletas nas escoltas. O Batalhão de Choque do interior do Rio Grande do Sul será deslocado para Porto Alegre para dar apoio, pois há zonas com conflitos nos últimos dias na cidade que não podem ficar descobertas.
O helicóptero que já foi usado nos jogos no Beira-Rio também ajuda a monitorar toda a movimentação do alto, com imagens de alta resolução. Caso haja alguma ocorrência nos deslocamentos, os vídeos já servem inclusive como prova para eventuais desdobramentos na Justiça.
A reunião que definiu o esquema de segurança ocorreu na última sexta-feira e contou com representantes do Inter e da administração da Arena.
Escalada de violência
Os últimos clássicos têm apresentado clima bélico dentro de fora de campo. Se nas quatro linhas os times protagonizaram mais expulsões do que gols nos anos recentes, fora e dentro dos estádios os confrontos tem sido frequentes.
Os casos mais recentes ocorreram em intervalo de um mês. No jogo do último sábado, um torcedor arremessou um celular para o campo. O objeto atingiu o rosto do volante Lucas Silva, o que gerou um ferimento e necessidade de três pontos na boca e nariz do jogador.
No dia 26 de fevereiro, um torcedor do Inter arremessou uma pedra quando o ônibus do Grêmio se aproximava do Beira-Rio. O objeto quebrou o vidro do veículo gremista e atingiu o volante Villasanti, que teve traumatismo craniano leve e uma concussão cerebral. O paraguaio saiu de ambulância do estádio e precisou ficar hospitalizado em observação.
Aquela partida acabou adiada por conta da agressão. Mas os casos de violência já ocorriam antes mesmo daquele episódio. No ano passado, por exemplo, torcedores do Grêmio fizeram uma emboscada contra torcedores do Inter na Região Metropolitana. Brigas em estações de transporte público também são registradas a cada novo clássico.
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