André Ávila / Agencia RBS
É de certa forma simbólico que a primeira contratação de Romildo Bolzan no Grêmio, ainda em 2014, tenha sido um lateral-esquerdo. Quase sete anos após o anúncio de Marcelo Oliveira, a posição ainda segue como uma das mais carentes do elenco gremista. Tanto que o atual titular é Rafinha, destro e lateral-direito de origem. Bruno Cortez, Diogo Barbosa e Guilherme Guedes ficaram para trás na hierarquia estabelecida pelo técnico Luiz Felipe Scolari para o restante do Brasileirão.
"Eu ia ficar muito revoltado (de ser preterido por um jogador improvisado). Não com o treinador, mas comigo mesmo. Você analisa o perfil de atletas vencedores, e todos têm a característica de não jogar a culpa para ninguém. Se o técnico está em dúvida, eu que estou deixando essa dúvida crescer nele. Preciso trabalhar, encontrar alguma forma de ter novamente a confiança dele", diz Rubens Cardoso, campeão da Copa do Brasil de 2001 pelo Tricolor e do Mundial de Clubes com o Inter.
Se a improvisação é novidade, o problema é antigo. Titular nos dois primeiros anos de sua chegada, Marcelo Oliveira nunca foi unanimidade entre imprensa e torcida. Em 2016, o jovem Marcelo Hermes chegou a despontar como possível candidato à vaga, mas a passagem do atleta pelo clube foi encerrada por um desacerto com a direção na hora de renovar o contrato.
Depois do pentacampeonato da Copa do Brasil, em 2016, mais um lateral foi trazido. Não demorou muito para Bruno Cortez assumir a titularidade, mantida até 2020, mesmo sob contínua contestação. Tanto que, pelo caminho, a diretoria apostou em outras peças. Em 2018, Juninho Capixaba custou R$ 6 milhões aos cofres gremistas. Hoje está no Bahia, adversário do Grêmio na briga contra o rebaixamento.
Conhecido pela qualidade no ataque, Capixaba chegou a marcar cinco gols no seis primeiros jogos com o time de Renato Portaluppi. Mesmo assim, nunca conseguiu se firmar como titular e deixou Porto Alegre ao final de 2019, com Cortez ainda como dono da posição. Àquela altura, com as decepções nas semifinais da Libertadores e da Copa do Brasil, era pública a necessidade de encontrar um nome de confiança para o setor. E o escolhido foi Caio Henrique, destaque do Fluminense no Brasileirão do mesmo ano.
A negociação para acertar o empréstimo de um ano durou mais do que a passagem de Caio Henrique pela Arena. Depois de cinco jogos com a camisa gremista, o jogador voltou para o Atlético de Madrid, detentor do seu passe, que exigiu seu retorno à Espanha. Com a parada do futebol pela pandemia, o buraco na lateral gremista estava novamente escancarado.
A retomada dos jogos trouxe um novo candidato à vaga. Formado nas categorias de base do clube, Guilherme Guedes foi titular no Gre-Nal que marcou a volta do Gauchão de 2020 e teve atuação promissora na estreia como profissional. Foi aí que surgiram os problemas físicos que o tiraram do campo por meses, fazendo com que ele hoje seja o quarto nome na lista de Felipão.
Sem Guedes e Caio Henrique, o departamento de futebol tricolor precisou investir para tentar achar um titular. A alternativa buscada foi Diogo Barbosa, que estava sem espaço no Palmeiras, e o Grêmio pagou R$ 10 milhões por 50% dos seus direitos econômicos. Dentro de campo, a expectativa sobre o ex-palmeirense não se confirmou, e Bruno Cortez continuou aparecendo no time com frequência.
Rubens Cardoso acredita que o problema não é uma exclusividade gremista, mas de boa parte dos clubes brasileiros. Para ele, há poucos laterais de qualidade atualmente no país.
"Hoje, o que eu gosto de ver atuando é o Guilherme Arana, do Atlético-MG. Apoia muito bem, tem boa condição física, joga de uma forma intensa. Acho o que falta é essa condição de o lateral ter força aliada à técnica. O fundamento, de chegar na linha de fundo com qualidade, é o que consagra o jogador. Correr todos correm, mas correr com a bola e fazer a finalização em alta velocidade é um trabalho árduo", aponta ele.
Há pouco mais de três meses no clube, Felipão testou os três laterais de origem que tem à disposição. Escolheu, no entanto, improvisar Rafinha por ali. O veterano foi trazido no início do ano a pedido de Renato, mas perdeu espaço no lado direito com a ascensão de Vanderson. Rubens Cardoso enxerga a experiência do ex-Flamengo como um diferencial para conseguir desempenhar a função – na Alemanha, jogou improvisado no Bayern de Munique. No entanto, vê desvantagens em atuar com a perna invertida.
"A gente não vai ter a jogada de fundo dele. Uma porque é destro, então não vai conseguir chegar para cruzar. Outra porque é um jogador experiente, sem a mesma volúpia, constância. Vai acabar jogando muito por dentro, no atalho. Então o Grêmio precisa sempre ter um extrema bem aberto pela esquerda para fazer essa construção pelo fundo", explica.
Com Rafinha na esquerda, o Tricolor venceu três e perdeu dois dos cinco jogos disputados no Brasileirão. Números que, se forem mantidos, devem ser suficientes para tirar o time da zona de rebaixamento. No próximo domingo, o time gaúcho volta a campo para enfrentar o Sport, na Arena, em nova tentativa de deixar o Z-4. E o lateral-direito deve ser, novamente, um destro.
#gremio #imortal #tricolor #lateralesquerda #investimento
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"Eu ia ficar muito revoltado (de ser preterido por um jogador improvisado). Não com o treinador, mas comigo mesmo. Você analisa o perfil de atletas vencedores, e todos têm a característica de não jogar a culpa para ninguém. Se o técnico está em dúvida, eu que estou deixando essa dúvida crescer nele. Preciso trabalhar, encontrar alguma forma de ter novamente a confiança dele", diz Rubens Cardoso, campeão da Copa do Brasil de 2001 pelo Tricolor e do Mundial de Clubes com o Inter.
Se a improvisação é novidade, o problema é antigo. Titular nos dois primeiros anos de sua chegada, Marcelo Oliveira nunca foi unanimidade entre imprensa e torcida. Em 2016, o jovem Marcelo Hermes chegou a despontar como possível candidato à vaga, mas a passagem do atleta pelo clube foi encerrada por um desacerto com a direção na hora de renovar o contrato.
Depois do pentacampeonato da Copa do Brasil, em 2016, mais um lateral foi trazido. Não demorou muito para Bruno Cortez assumir a titularidade, mantida até 2020, mesmo sob contínua contestação. Tanto que, pelo caminho, a diretoria apostou em outras peças. Em 2018, Juninho Capixaba custou R$ 6 milhões aos cofres gremistas. Hoje está no Bahia, adversário do Grêmio na briga contra o rebaixamento.
Conhecido pela qualidade no ataque, Capixaba chegou a marcar cinco gols no seis primeiros jogos com o time de Renato Portaluppi. Mesmo assim, nunca conseguiu se firmar como titular e deixou Porto Alegre ao final de 2019, com Cortez ainda como dono da posição. Àquela altura, com as decepções nas semifinais da Libertadores e da Copa do Brasil, era pública a necessidade de encontrar um nome de confiança para o setor. E o escolhido foi Caio Henrique, destaque do Fluminense no Brasileirão do mesmo ano.
A negociação para acertar o empréstimo de um ano durou mais do que a passagem de Caio Henrique pela Arena. Depois de cinco jogos com a camisa gremista, o jogador voltou para o Atlético de Madrid, detentor do seu passe, que exigiu seu retorno à Espanha. Com a parada do futebol pela pandemia, o buraco na lateral gremista estava novamente escancarado.
A retomada dos jogos trouxe um novo candidato à vaga. Formado nas categorias de base do clube, Guilherme Guedes foi titular no Gre-Nal que marcou a volta do Gauchão de 2020 e teve atuação promissora na estreia como profissional. Foi aí que surgiram os problemas físicos que o tiraram do campo por meses, fazendo com que ele hoje seja o quarto nome na lista de Felipão.
Sem Guedes e Caio Henrique, o departamento de futebol tricolor precisou investir para tentar achar um titular. A alternativa buscada foi Diogo Barbosa, que estava sem espaço no Palmeiras, e o Grêmio pagou R$ 10 milhões por 50% dos seus direitos econômicos. Dentro de campo, a expectativa sobre o ex-palmeirense não se confirmou, e Bruno Cortez continuou aparecendo no time com frequência.
Rubens Cardoso acredita que o problema não é uma exclusividade gremista, mas de boa parte dos clubes brasileiros. Para ele, há poucos laterais de qualidade atualmente no país.
"Hoje, o que eu gosto de ver atuando é o Guilherme Arana, do Atlético-MG. Apoia muito bem, tem boa condição física, joga de uma forma intensa. Acho o que falta é essa condição de o lateral ter força aliada à técnica. O fundamento, de chegar na linha de fundo com qualidade, é o que consagra o jogador. Correr todos correm, mas correr com a bola e fazer a finalização em alta velocidade é um trabalho árduo", aponta ele.
Há pouco mais de três meses no clube, Felipão testou os três laterais de origem que tem à disposição. Escolheu, no entanto, improvisar Rafinha por ali. O veterano foi trazido no início do ano a pedido de Renato, mas perdeu espaço no lado direito com a ascensão de Vanderson. Rubens Cardoso enxerga a experiência do ex-Flamengo como um diferencial para conseguir desempenhar a função – na Alemanha, jogou improvisado no Bayern de Munique. No entanto, vê desvantagens em atuar com a perna invertida.
"A gente não vai ter a jogada de fundo dele. Uma porque é destro, então não vai conseguir chegar para cruzar. Outra porque é um jogador experiente, sem a mesma volúpia, constância. Vai acabar jogando muito por dentro, no atalho. Então o Grêmio precisa sempre ter um extrema bem aberto pela esquerda para fazer essa construção pelo fundo", explica.
Com Rafinha na esquerda, o Tricolor venceu três e perdeu dois dos cinco jogos disputados no Brasileirão. Números que, se forem mantidos, devem ser suficientes para tirar o time da zona de rebaixamento. No próximo domingo, o time gaúcho volta a campo para enfrentar o Sport, na Arena, em nova tentativa de deixar o Z-4. E o lateral-direito deve ser, novamente, um destro.
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