Entenda os motivos que explicam a distância entre Grêmio e Flamengo dentro de campo

Equipes volta a se enfrentar no domingo, desta vez pelo Brasileirão


Fonte: Gaúcha ZH

Marco Favero / Agencia RBS
A diferença entre Grêmio e Flamengo, que se enfrentam (de novo!) neste domingo (19), às 20h30min, é muito maior na questão esportiva do que na financeira. Enquanto os cariocas estão nas semifinais da Copa do Brasil, da Libertadores e ocupam o segundo lugar por aproveitamento no Brasileirão, os gaúchos caíram das demais competições e perdem o sono, na antepenúltima posição, fazendo contas para escapar do rebaixamento.



Esse quadro seria aceitável se fossem comparados um clube que arrecada muito, contrata bastante e tem organização política sólida contra uma agremiação falida, afastada do mercado e fragmentada entre os movimentos. Não é o caso — nem de Grêmio, nem de Flamengo. Os rubro-negros se mexeram para chegar até aqui, mas estão longe de remar em águas paradas: há diversos bate-bocas e rachas no clube de regatas. Os tricolores são austeros, mas reconhecidamente competentes na gestão do cofre. Em comum, ambos apostaram em fortalecimento para posterior venda de jogadores como principal fonte de renda. Os dois com sucesso.


Repare nos valores. De 2018 para cá, o Flamengo, com negociações como Vinicius Jr, Reinier, Lucas Paquetá e Léo Duarte, todos filhotes do Ninho do Urubu, mais as revendas de Pablo Marí e Gerson, que chegaram por um valor e saíram por outro, bem maior, arrecadou pouco mais de 210 milhões de euros. O Grêmio, ao vender Arthur, Pepê, Everton Cebolinha, Matheus Henrique e Tetê, guris de Eldorado do Sul, encheu a conta com cerca de 122 milhões de euros.


Sim, estes 90 milhões de euros são expressivos. Poderiam fazer a diferença de um supertime para uma equipe média. Mas, claramente, não é por essa razão que ambos estão tão distantes da tabela — e nem explicam por que o Flamengo tirou o Grêmio da Copa do Brasil com um placar somado de 6 a 0.


A diferença entre ambos está nas contratações. A força está nos valores — os cariocas gastaram quase 80 milhões de euros a mais — e no aproveitamento dos reforços.


"Depois de um longo período de recuperação, em que foi reduzindo as dívidas, o Flamengo passou a investir mais em futebol a partir de 2019. É uma política mais agressiva no mercado", comentou o analista Rodrigo Capelo, especialista em finanças do ge.globo.


O índice de acerto chama a atenção. Foram 21 jogadores contratados desde 2018. Exclua-se Andreas Pereira, Kenedy e David Luiz, recém-chegados: apenas Pedro Rocha não vingou de fato, e Léo Pereira passa por contestação, ainda que tenha jogado bastante. Todos os demais são frequentemente aproveitados, dão resposta esportiva e alguns, como Gerson e Pablo Marí, renderam financeiramente. A folha salarial para manter o grupo de jogadores está próxima dos R$ 19 milhões mensais (luvas não entram neste cálculo).


Talento para contratar, aposta nos treinadores

Tamanha qualidade entre os atletas "permitiu" que o clube errasse em comissões técnicas, por exemplo, sem comprometer tanto assim os resultados esportivos. Abel Braga iniciou o ano de 2019, o mais glorioso do século para os rubro-negros, ganhou o Campeonato Carioca e foi trocado por Jorge Jesus.


Com o português, vieram os títulos da Libertadores e do Brasileirão. No ano seguinte, levou também a Supercopa e o Carioca. Voltou para a Europa, assumiu o Benfica. A direção buscou Domènec Torrent, o time não se adaptou, ele saiu, veio Rogério Ceni. Longe do grande desempenho de Jesus, ainda assim o Flamengo foi campeão brasileiro e carioca. Há dois meses, mudou novamente o treinador, assumindo Renato Portaluppi — curiosamente, figura central do Grêmio de 2016 até aqui.


"O Flamengo tem um conselho de futebol, formado por vice-presidentes e conselheiros e uma equipe de análise de mercado. Eles são bons, isso é inegável. Sabem negociar, também", aponta o jornalista Venê Casagrande, setorista do Flamengo no jornal O Dia, do Rio de Janeiro.


Esse grupo é responsável pelas contratações. E eles têm poder de veto. Não faz muito, vazou um áudio em que um (agora) ex-analista de mercado do Centro de Inteligência e Mercado (CIM) do clube, Rogério Drummond, criticou Ceni por indicar jogadores do Fortaleza e do Bahia. Nenhum deles desembarcou no Rio.


Aí pode estar uma diferença no índice de acerto. Até pouco tempo, Renato era figura ativa nas contratações do Grêmio. Ele mesmo dizia, em entrevistas, que telefonava a jogadores para saber seus interesses em vir para Porto Alegre, com quem falar etc.


"Quanto a reforços, deixei mastigadinho para a direção", disse o então treinador tricolor, em entrevista coletiva em 2017.


Por ser mais austero, Romildo Bolzan segurava alguns pedidos. Na quarta-feira, após ter eliminado o Grêmio na Copa do Brasil, Renato revelou que havia solicitado Michael como um reforço ainda na Arena. O mesmo já havia ocorrido com Pedro. Mas, segundo o próprio treinador, todas as contratações gremistas passavam por ele.



Por mais que Renato não tenha indicado, ao menos aceitou os integrantes de uma lista que continha acertos inegáveis, como Diego Souza. Mas também tem nomes que tiveram passagens discretas — casos de Galhardo, Orejuela, Montoya —, ou pesadas nas finanças, como Tardelli, Marinho, Vanderlei, Thiago Neves, entre outros.


A lição que o Flamengo deixa é que, financeiramente e institucionalmente, os caminhos são parecidos. Mas isso não adianta tanto assim se, esportivamente, a diferença for cada vez maior. Ainda há mais dois confrontos entre eles, dois dos principais times do Brasil. E, a esta altura do ano, o que mais se vê entre gremistas é que qualquer ponto que venha nessas duas partidas será acima do esperado.

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